21 de jan de 2017

O comércio exterior brasileiro

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O comércio exterior brasileiro, quando analisado em um espaço de tempo amplo, apresentou transformações bastante evidentes. Estas transformações são filiadas às mudanças no quadro geral do comércio mundial, que resultaram em mutações nas divisões internacionais do trabalho (DIT's) durante a história. Em escala nacional, estas transformações foram responsáveis por alterar as relações importação/exportação no Brasil, bem como por modificar a matriz de produtos movimentados. Estes pontos serão discutidos a seguir. 

Leia mais sobre a DIT e a evolução do capitalismo. Acesse:
Fases do capitalismo: capitalismo comercial, industrial, financeiro e informacional

Evolução da balança comercial brasileira

Balança comercial é o nome dado ao saldo entre o valor obtido por aquilo que o país exporta e o valor sobre aquilo que o país importa. Em outras palavras, é o lucro das exportações de determinado país, subtraído dos gastos com as importações. Quando este saldo é positivo, dizemos que houve um superávit, quando o saldo é negativo, dizemos que houve um déficit. A situação da balança comercial é importante para o entendimento da vitalidade econômica de um país.

Durante a época colonial, imperial e boa parte do Brasil República, nossa pauta de exportações era bastante limitada. Basicamente, exportávamos produtos primários, como açúcar, ouro e café e importávamos produtos manufaturados. Foi somente a partir da década de 1930 que o Brasil começou a mudar sua matriz de exportação. Com a industrialização, além dos produtos primários, passamos a exportar alguns produtos industrializados de maior valor agregado, contribuindo para a melhora do quadro da balança comercial brasileira.

A partir da década de 1990, com o processo de abertura econômica e, com ainda mais força, a partir de 1994, com o Plano Real, o Brasil experimentou um aumento em seu déficit comercial. Este período, marcado pela ascensão do neoliberalismo no mundo está intimamente ligado com a abolição de barreiras tarifárias e não-tarifárias e com o incentivo às importações por parte do Governo. O Plano Real impulsionou ainda mais a entrada de produtos estrangeiros no mercado brasileiro, pois valorizou a moeda nacional, barateando o preço dos importados. 

A partir de 2001, a balança comercial brasileira começou a apresentar superávits. O câmbio teve grande relação com estes números, visto que neste período foi adotado o câmbio flutuante, que desvalorizou o real perante o dólar, aumentando o volume de exportações brasileiras. Ainda, nosso país tornou-se um Global Trader, isto é, passou a negociar com todo o mundo, aumentando a área de alcance de suas mercadorias. 


Nos últimos anos, as crises econômica e política, relacionadas com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, tem, de certa forma, auxiliado na estabilização do superávit brasileiro. Com a recessão, as compras do exterior tendem a diminuir. Ainda, podemos citar os altos valores que o dólar vem atingindo, diminuindo o preço do produto brasileiro no exterior.


Conforme o gráfico acima, houve uma desequilíbrio na balança comercial em prol das importações nos anos de 2013 e 2014. Isto pode ser explicado pela recessão na Argentina, grande compradora do Brasil, a queda no preço das commodities, especialmente do minério de ferro, o aumento da importação de combustíveis e a queda da produção petrolífera, especialmente em 2013.

Perfil da balança comercial brasileira

Apesar de ser uma das maiores economias do mundo, o Brasil tem desempenho tímido no comércio mundial, sendo responsável por apenas cerca de 1,1% da movimentação de produtos que acontecem no planeta. 

O país continua ainda bastante dependente da exportação de produtos primários, os chamados commodities, como minério de ferro e soja. Estes produtos apresentam baixo valor agregado, isto é, rendem pouco por tonelada produzida. Exemplificando, países com alto grau de tecnologia e desenvolvimento podem exportar uma tonelada de material eletrônico por um valor de 1.000 até 2.000 dólares. Enquanto isso, a mesma uma tonelada de soja brasileira rende pouco mais de 200 dólares. 

Apesar dos produtos manufaturados já serem maioria da pauta de exportações brasileiras, a maioria deles ainda se restringem a produtos com baixíssimo grau de processamento, como soja triturada ou suco de laranja. O Brasil, assim, tem grande dificuldade de agregar valor aos seus produtos. 

Principais compradores Valor em bi. de US$
1
China
35,1
2
Estados Unidos
23,2
3
Argentina
13,4
4
Países Baixos
10,3
5
Alemanha
4,9
6
Japão
4,6
7
Chile
4,1
8
México
3,8
9
Itália
3,3
10
Bélgica
3,2

Ao mesmo tempo, a pauta de importações brasileiras apresenta produtos com valor agregado muito maior. Veja o gráfico:


Os maiores países fornecedores de mercadorias são:

Principais fornecedores Valor em bi. de US$
1
Estados Unidos
23,8
2
China
23,4
3
Alemanha
9,1
4
Argentina
9,1
5
Coreia do Sul
5,4
6
Itália
3,7
7
França
3,6
8
Japão
3,6
9
México
3,5
10
Chile
2,8

Devemos lembrar ainda, que estes produtos primários, além de apresentarem um menor valor agregado, ainda são os que mais sofrem com os protecionismos dos países desenvolvidos, conforme discutimos na postagem sobre a OMC e o comércio multilateral. Assim, boa parte das exportações brasileiras têm dificuldades de entrar em mercados estrangeiros.


O suco de laranja brasileiro, por exemplo, até 2012, era taxado ao entrar nos EUA, em uma política conhecida como antidumping. Enquanto isso, os produtores locais ganhavam subsídios do governo americano, barateando seu custo de produção. Esta prática foi revogada pelos EUA após processos por parte do Brasil à OMC. Outro exemplo são os cortes animais, como o bovino, o suíno e o de aves, que sofrem com as barreiras sanitárias dos EUA e da União Europeia, que afirmam que o produto brasileiro não se adéqua aos seus requisitos de qualidade. 
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