29 de jan de 2017

Socialismo utópico

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No século XIX, a Europa passava por um momento de profundas transformações sociais. Era o período da Primeira Revolução Industrial, onde a produção e a circulação de capitais tornaram-se cada vez maiores, gerando riqueza em proporções nunca antes vistas, ao mesmo tempo que grande parcela da população, empregada nas fábricas, vivia em péssimas condições de trabalho. Nesta nova organização do mundo do trabalho, havia sido formada uma profunda desigualdade entre a classe dona dos meios de produção, conhecida como burguesia, e a classe que vendia sua força de trabalho, o proletariado.

Neste sentido, um grande número de pensadores, em especial das áreas das ciências sociais, começou a propor novos modelos de organização social com o objetivo de formar uma sociedade mais justa. Dentre estes pensadores, a maioria filósofos, destacou-se uma primeira corrente, conhecida como socialismo utópico, que propunha, através do domínio da ciência, da técnica e do esclarecimento coletivo, a reorganização das bases da sociedade vigente, partindo de uma reflexão conjunta de todos os seus membros, inclusive da classe dominante. Ao mesmo tempo, estes filósofos não propunham maneiras ou mecanismos para atingir de forma prática esta nova realidade, contentavam-se apenas em idealizá-la.


Robert Owen, um dos mais importantes socialistas utópicos
O adjetivo "utópico" para esta corrente foi dado pelo também socialista Friedrich Engels e deriva do título do clássico livro de Thomas Morus, "Utopia", escrito no século XVI. Engels, ao denominar este tipo de socialismo como utópico, pretendia traçar um limite claro entre esta corrente de pensamento e a teoria, criada por ele em conjunto com o alemão Karl Marx, denominada socialismo científico. Para ele, a criação de uma nova sociedade partiria de uma revolução que rompesse com os domínios da classe burguesa e instaurasse uma ditadura do proletariado. 

Os principais expoentes do socialismo utópico foram os franceses Charles Fourier e Claude Saint-Simon e o inglês Robert Owen. 

Charles Fourier propunha que a sociedade deveria se organizar em pequenas comunidades, onde a busca pelo bem-estar estaria acima da competição e do lucro. Algumas tentativas para a criação de Falanstérios foram feitas. Nos EUA, até meados do século XIX, existiam dezenas de comunidades do tipo. No Brasil, o Falanstério do Saí, nas proximidades de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, persistiu até o fim do século XIX. Saint-Simon, também francês, nasceu em família nobre. Acreditava que o avanço da ciência traria a prosperidade para o mundo. Ela seria o vetor responsável pela transformação das relações laborais, familiares e religiosas e por impulsionar os fluxos comerciais e financeiros no mundo, diminuindo as desigualdades.


Robert Owen era proprietário de uma fiação nas proximidades de Glasgow, na Escócia. Tentando servir de exemplo para sua teoria, Owen propôs uma série de reformas nas relações de trabalho dentro de sua fábrica.  Aumentou os salários dos empregados, fundou escolas para as crianças, proibiu o trabalho infantil e melhorou os alojamentos dos trabalhadores. Suas reformas foram importantes para a luta por melhores condições de trabalho na Inglaterra posteriormente. 
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