11 de fev de 2017

Erosão

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Dá-se o nome de erosão ao conjunto de fatores responsáveis pela retirada (desgaste) e pelo transporte de materiais produzidos pelo intemperismo, podendo ser provenientes do solo, da camada de regolito ou até mesmo diretamente de rochas fragilizadas. Esta retirada, seguida do transporte, dos materiais ocorre através da ação de agentes externos, como a água ou o vento, que trabalham no sentido de abaixar as formas de relevo. 

A erosão pode ser entendida como o processo intermediário entre o intemperismo e a deposição. O material transportado recebe o nome de sedimento e, após sua acumulação, vai dar origem aos depósitos sedimentares ou às rochas sedimentares.

Dependendo do agente transportador (vamos chamá-lo, a partir daqui, de agente erosivo), a erosão pode ser classificada em diversos tipos. Vamos aqui discorrer sobre os principais.

Erosão pluvial


A erosão pluvial é aquela causada pela ação da água das chuvas. É mais agressiva em terrenos inclinados e sem proteção da vegetação. A vegetação trabalha no sentido de amortecer o impacto da chuva, além de, através da ação de suas raízes, garantir maior sustentação à estrutura do solo, favorecendo a infiltração.

Pode ser dividido em dois tipos:

Erosão pluvial laminar: ocorre quando a água escoa pela superfície do terreno em forma de lâmina, isto é, superficialmente, sem a formação de canais. Apesar de ser pouco perceptível, pode trazer grandes prejuízos para a agricultura, visto que atua transportando os nutrientes do solo, localizados na região mais superficial, e também é responsável pelo transporte da maior parte de sedimentos que participam do assoreamento de rios.

Erosão pluvial de ravinamento: ocorre quando a água escoa por um canal bem definido, formando sulcos e ravinas. Em alguns casos, as ravinas podem atingir grande proporção, alcançando o lençol freático, podendo então atuar independentemente do regime de chuvas. Este tipo de formação é chamada de voçoroca (ou boçoroca), e causa um tipo especial de erosão conhecida como erosão remontante

Erosão marinha


A erosão marinha ocorre através da ação da dinâmica das ondas do oceano em contato com a costa dos continentes. Pode ocorrer através da abrasão marinha ou da acumulação marinha.

O primeiro caso ocorre nas chamadas costas de arriba, quando o choque mecânico ocasionado pela arrebentação das ondas desgasta os paredões rochosos localizados na linha da costa, formando as falésias. Este desgaste também pode ocorrer através da ação química da água. O material solto, então, é transportado, as vezes por longas distâncias, pelas correntes marítimas, onde se depositarão nas costas de praia.

Falésia. Por Bjørn Christian Tørrissen.
Já a acumulação marinha, quando entendida como um sub-processo da erosão, ocorre em costas de praia através da acumulação do material suspenso nos oceanos, quando as ondas perdem força e sua capacidade destrutiva. Além das praias, a acumulação marinha dá origem às restingas, cordões arenosos paralelos à linha de costa e aos tômbolos, faixas de areia que ligam a praia à alguma ilha.


Erosão glacial


A erosão glacial ocorre pela ação das geleiras, grandes massas de gelo compactado de cor azulada. A ação do gelo na erosão é maior que a ação da água. O congelamento da água que, ainda no estado líquido, se infiltrou nos poros da rocha, aumenta a pressão interna do material, o fragilizando e facilitando sua quebra. Em conjunto com pequenos resíduos sedimentares, as geleiras podem funcionar ainda como uma lixa, escavando grandes camadas de rocha que, após serem movimentadas, formam conjuntos sedimentares conhecidos como morainas.

Geomorfologia de uma região glacial
As geleiras podem ser do tipo continental, quando recobrem grande parte de um continente em altas latitudes, como o que ocorre na Antártica ou na Groenlândia, ou alpinas, quando ocorrem em regiões de elevadas altitudes, inclusive em regiões tropicais. No segundo caso, as geleiras moldam o relevo da montanha, formando vales circulares profundos, conhecidos coloquialmente como vales em "U".

Erosão eólica


Este tipo de erosão é provocada pela ação dos ventos. Por si só, os fluxos de ar teriam um poder erosivo nulo. Quando, porém, os ventos transportam consigo pequenas partículas de rocha, o efeito erosivo torna-se bem mais evidente. Ocorre que estas partículas, quando carregadas pelos ventos, funcionam como "projéteis", erodindo as rochas com as quais se chocam, em um processo chamado de corrasão. Por vezes, o vento também pode remover partículas de rochas já fragilizadas, num processo conhecido como deflação.

Efeito da erosão eólica. Deserto de Negev.
Os processos acima citados são comuns em regiões áridas e semi-áridas, onde existem poucas barreiras para a circulação dos ventos e muitas partículas soltas para serem movimentadas. Esta movimentação pode se dar pelo arrastamento, quando ocorre com grãos de grande tamanho, pela saltação, quando ocorre com grãos de tamanho médio, ou pela suspensão, quando ocorre com grãos muito finos.


Os sedimentos transportados pela erosão eólica são depositados nos chamados depósitos eólicos, dentre os quais podemos citar as dunas, que têm suas localizações e suas direções definidas pela ação dos ventos. Outro resultado direto da ação eólica é o solo fértil loess, comum na China, formado por finos sedimentos de quartzo e calcário. 
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