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	<title>Geopolítica &#8211; Geografia Opinativa</title>
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	<title>Geopolítica &#8211; Geografia Opinativa</title>
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	<item>
		<title>Todos os países da União Europeia usam o Euro?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Feb 2020 19:19:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Europa de Leste]]></category>
		<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
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					<description><![CDATA[Não. Zona do Euro, nome dado ao conjunto de países-membros do bloco europeu que adotam o Euro como moeda, e União Europeia (UE) não são sinônimos. Atualmente, a União Europeia é composta por 27 países-membros, já considerando a recente saída do Reino Unido. Já a Zona do Euro engloba 19 países. Ocorrem, então, dois casos. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não. Zona do Euro, nome dado ao conjunto de países-membros do bloco europeu que adotam o Euro como moeda, e União Europeia (UE) não são sinônimos.</p>



<p>Atualmente, a União Europeia é composta por 27 países-membros, já considerando a recente saída do Reino Unido.</p>



<p>Já a Zona do Euro engloba 19 países.</p>



<p>Ocorrem, então, dois casos. O primeiro, de países-membros da UE que não utilizam a moeda única do bloco. O segundo, de países não-membros da União Europeia, mas que usam o euro, unilateralmente ou não. Os casos são espacializados na figura abaixo.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img width="400" height="400" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/02/zona_euro-1.png" alt="Zona do Euro" class="wp-image-4315" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/02/zona_euro-1.png 400w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/02/zona_euro-1-300x300.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/02/zona_euro-1-150x150.png 150w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/02/zona_euro-1-120x120.png 120w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption>Zona do Euro</figcaption></figure></div>



<h2>Caso 1: Países-membros da UE, mas que não utilizam o Euro</h2>



<p>Teoricamente, <em>quase</em> todos os países-membros da UE são obrigados a adotarem a moeda única do bloco, conforme definido no Tratado de Maastricht.</p>



<p>Todavia, muitos países que entraram recentemente ainda estão em processo de adesão ao euro e não cumpriram com integridade aos chamados &#8220;Princípios de Convergência&#8221;.</p>



<p>É o caso dos seguintes países:</p>



<ul><li>Bulgária (utiliza o Lev);</li><li>Polônia (utiliza o Zloty);</li><li>Romênia (utiliza o Leu);</li><li>Hungria (utiliza o Florin);</li><li>Croácia (utiliza a Kuna);</li><li>Tchéquia (utiliza a Coroa).</li></ul>



<p>Os Princípios de Convergência são:</p>



<ul><li>Estabilidade de preços;</li><li>Finanças públicas sólidas;</li><li>Estabilidade na taxa de câmbio;</li><li>Taxa de juros de longo prazo.</li></ul>



<p>Assim, quando estes países atingirem com integridade os critérios estabelecidos e estes sejam publicados nos relatórios de convergência elaborados a cada dois anos pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu, serão obrigados a integrarem-se na Zona do Euro.</p>



<p>Todavia, existem aqui duas exceções: Dinamarca e Suécia.</p>



<p>A Dinamarca, conforme definido no Tratado de Maastricht, rejeitado pela população em 1992, não é obrigada a aderir à moeda única. Adere somente em caso de voto parlamentar ou de referendo popular favorável.</p>



<p>Já a Suécia encontrou uma manobra legal para continuar não utilizando o euro, moeda rejeitada pela população em referendo realizado em 2003. A Coroa Sueca não integra o Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio (MTC II), o que, teoricamente, impede o país de cumprir com os critérios de convergência.</p>



<h2>Caso 2: Países que não fazem parte da UE, mas utilizam o Euro</h2>



<p>Existem dois sub-grupos neste caso: os países que usam o euro com acordo com a União Europeia e os países que o fazem unilateralmente.</p>



<p>O primeiro grupo inclui as micronações do continente europeu que, dada suas pequenas populações, não são aptas a aderir à UE, mas sempre utilizaram as moedas dos países maiores vizinhos.</p>



<p>É o caso do Vaticano e de San Marino, que utilizavam a lira italiana, de Mônaco, que utilizava o franco monegasco, e de Andorra, que utilizava o franco francês e a peseta espanhola.</p>



<p>Também há alguns Estados que aderiram ao euro como moeda, mas o fazem unilateralmente, sem acordo formal. São em geral países de economia mais frágil.</p>



<p>É o caso de Kosovo e Montenegro, que antes do surgimento da UE utilizavam o marco alemão, e o Zimbábue, que suspendeu a adoção de sua moeda e passou a utilizar o dólar americano e o euro.</p>



<p>Assim, fica mais claro que Zona do Euro e União Europeia não são sinônimos. Todavia, a adoção do euro é obrigatória, com exceção de Dinamarca e Suécia. Como a Comissão Europeia não impõe prazos para a adoção, os países-membros do bloco que utilizam outra moeda podem arrastar o processo de transição por muitos anos. </p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 May 2019 12:04:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
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					<description><![CDATA[O petróleo, a partir da Segunda Revolução Industrial, tornou-se o combustível central do desenvolvimento da sociedade capitalista. Todavia, seu caráter não-renovável e sua má distribuição ao redor do globo o tornou uma arma geopolítica, dando poder aos países detentores de reservas em cenário mundial. Este tipo de uso geopolítico do petróleo tornou-se comum a partir [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O petróleo, a partir da Segunda Revolução Industrial, tornou-se o combustível central do desenvolvimento da sociedade capitalista. Todavia, seu caráter não-renovável e sua má distribuição ao redor do globo o tornou uma arma geopolítica, dando poder aos países detentores de reservas em cenário mundial.</p>



<p>Este tipo de uso geopolítico do petróleo tornou-se comum a partir da década de 1960, com a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), organização composta originalmente por Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="715" height="428" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/opep.png" alt="" class="wp-image-3663" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/opep.png 715w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/opep-300x180.png 300w" sizes="(max-width: 715px) 100vw, 715px" /><figcaption>Bandeira da OPEP, importante organização sul-sul frente interesses do centro do sistema capitalista</figcaption></figure></div>



<p>O ponto focal da criação da organização foi dar poder de negociação aos países produtores de petróleo frente ao arrocho de preços promovido pelas grandes multinacionais do mundo ocidental, dentre elas as que compunham o monopólio conhecido como <em><strong>Sete Irmãs</strong></em>, gigantes empresas petrolíferas europeias e americanas que comandavam a exploração de petróleo em nível global.</p>



<p>Estruturados em bloco, os países componentes da OPEP passaram a se articular de modo a garantir maior controle sobre a produção petrolífera mundial, em detrimento das multinacionais do ocidente. </p>



<p>Dentre as conquistas do grupo, citam-se o aumento dos royalties pagos pelas empresas exploradoras aos países, aumento dos impostos pela exploração e <strong>poder sobre o preço do petróleo</strong>.</p>



<p>Com isso, os países poderiam reverter a exploração em seus territórios em projetos que melhorassem a qualidade de vida de sua população e suas infraestruturas. Era, na prática, uma imposição sul-sul frente aos interesses do centro do capitalismo mundial.</p>



<p>Todavia, o episódio mais emblemático envolvendo a OPEP e as potências ocidentais ocorreu em 1973. Neste período, ocorreu, no contexto da <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/12/questao-palestina.html">Questão Palestina</a>, a Guerra do Yom Kippur, ataque de Síria e Egito a Israel em busca de recuperar seus territórios perdidos para o país. </p>



<p>O apoio dos EUA e das potências europeias a Israel levou a OPEP, composta majoritariamente por países de maioria islâmica, a aumentar intencionalmente o preço do petróleo em 400%. </p>



<p>Como a economia mundial era extremamente dependente do petróleo, esta elevação dos preços levou ao encarecimento de combustíveis e de produtos, prejudicando a economia de diversos países. A partir deste ano instaura-se uma fase depressiva da economia mundial, que levou as nações ocidentais a buscarem o mais rapidamente resolver a situação com os países da OPEP.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="394" height="350" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Historico_petroleo.jpg" alt="" class="wp-image-3662" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Historico_petroleo.jpg 394w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Historico_petroleo-300x267.jpg 300w" sizes="(max-width: 394px) 100vw, 394px" /><figcaption>Variação do preço do petróleo entre 1861 e 2001. Notar que as maiores variações a partir de 1950 são por conta de ebulições sociais no Oriente Médio.</figcaption></figure></div>



<p>O embargo foi retirado em janeiro de 1974, mas a economia mundial sofreria os reflexos dele por muitos anos. </p>



<p>Além do choque provocado pela OPEP, o preço do petróleo ainda era vítima das ebulições geopolíticas no Oriente Médio. Anteriormente, em 1959, a nacionalização do Canal de Suez já havia elevado o preço do barril.</p>



<p>Posteriormente, resultados parecidos ocorreram em 1979, quando eclode a <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/conflito-ira-iraque-guerras-do-golfo.html">Revolução Iraniana</a>, que tirou o Xá Reza Pahlevi do poder no Irã, e em 1991, no contexto da <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/conflito-ira-iraque-guerras-do-golfo.html">Guerra do Golfo</a>, quando o Iraque invadiu o Kuwait e passou a comandar as jazidas de exploração petrolífera dos vizinhos do sul. </p>



<p>Estes momentos ficaram conhecidos, respectivamente, como Primeira, Terceira e Quarta Crise do Petróleo (a Segura seria, assim, aquela causada pela OPEP).</p>



<p>Como resultado desta instabilidade do preço da matriz energética base da economia global, os EUA e nações da Europa Ocidental buscaram diversificar a pauta energética, investindo em fontes alternativas de energia, dentre as quais o <strong>gás de xisto, </strong>e voltaram-se no mantimento de boas relações com produtores de petróleo fora do Oriente Médio, <strong>como a Venezuela,</strong> ou com nações da região amistosas aos Ocidentais, <strong>como a Arábia Saudita</strong>.</p>



<p>Atualmente, a OPEP é composta por seis países africanos (Angola, Argélia, Gabão, Guiné Equatorial, Líbia e Nigéria), sete asiáticos (Indonésia, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Irã, Iraque, Kuwait e Catar) e dois sul-americanos (Venezuela e Equador).</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Guerra Fria e o Mundo Bipolar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Dec 2018 15:27:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Ásia Central e Extremo Oriente]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos e Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Europa de Leste]]></category>
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		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
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					<description><![CDATA[A partir da Segunda Guerra Mundial, finalizada em 1945, a organização do espaço mundial foi bruscamente alterada. Saíram de cena as antigas potências industriais para a ascensão de duas nações com modelos político-econômicos antagônicos: os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Antecedentes Até o final do século XIX, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A partir da Segunda Guerra Mundial, finalizada em 1945, a organização do espaço mundial foi bruscamente alterada. Saíram de cena as antigas potências industriais para a ascensão de duas nações com modelos político-econômicos antagônicos: os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).</p>



<h2>Antecedentes</h2>



<p>Até o final do século XIX, a economia mundial era regida pela força industrial das antigas potências coloniais, como Reino Unido e França. Estas nações se sustentavam através do mantimento de um gigantesco império colonial, que se espraiava para todos os continentes.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="630" height="283" class="wp-image-3099" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imperio_britanico.png" alt="Império Britânico em 1921" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imperio_britanico.png 630w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imperio_britanico-300x135.png 300w" sizes="(max-width: 630px) 100vw, 630px" />
<figcaption>Império Britânico em 1921</figcaption>
</figure>
</div>



<p>A Alemanha, todavia, conformada como um Estado Nacional tardiamente, passou a desejar a posse de colônias, como as nações rivais do continente. Este anseio expansionista, que futuramente seria focalizado na expansão dentro do próprio continente europeu através do paradigma do <em><strong>espaço vital</strong></em>, foi um dos motivos para eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, e da Segunda Guerra Mundial, em 1939.</p>



<p>A Alemanha, juntamente com o Japão, os chamados <em><strong>países do eixo</strong></em>, saíram derrotados da Segunda Guerra. No lado vencedor, os chamados <em><strong>países aliados</strong></em>, estavam EUA, URSS, Inglaterra e França. Apesar de terem vencido o conflito, URSS, Inglaterra e França tiveram suas economias prejudicadas, além de perderem contingentes militares enormes.</p>



<p>Já os EUA, embora tenham participado ativamente da Guerra, viram as batalhas ocorrerem distantes de seu território. O impacto em sua economia foi, portanto, muito pequeno. Pelo contrário, o país financiou seus aliados na Europa com armamentos e soldados. Ao fim do conflito, as antigas potências europeias haviam adquirido enorme dívida com o <em>tio sam</em>.</p>



<p>Em 1944, dada a iminência do fim do conflito, as nações aliadas se reuniram em um encontro nos EUA, que ficou conhecido como <em><strong>Conferência de Bretton Woods</strong></em>. Lá, os EUA negociaram o <em><strong>Plano Marshall</strong></em>, um pacote de auxílio financeiro aos países arrasados pela Guerra. Além disso, foram criadas diversas organizações supranacionais, que visavam o controle americano sobre a economia mundial, como o <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2016/11/o-fundo-monetario-internacional-fmi.html">Fundo Monetário Internacional</a> e o <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2018/12/o-banco-mundial.html">Banco Mundial</a>, além da instituição do padrão dólar-ouro, que alçou a moeda americana ao posto de base do funcionamento econômico do capitalismo.</p>



<p>Todavia, as propostas do governo americano, que almejavam o estabelecimento de sua hegemonia mundial, foram rejeitadas por um outro vencedor do conflito, que declinou inclusive do auxílio financeiro previsto pelo Plano Marshall: a União Soviética.</p>



<h3>Na URSS, uma alternativa ao Capitalismo</h3>



<p>Esta contrariedade da União Soviética ao modelo de hegemonia americana ia muito além de uma simples rivalidade entre os países.</p>



<p>Até meados de 1917, a Rússia era um país com economia agrária dominada por imperadores absolutistas, os <em><strong>czares</strong></em>. A população russa vivia sob péssimas condições, onde a fome era uma realidade muito presente e a liberdade era cerceada.</p>



<p>Este foi um terreno muito fértil para a difusão dos pensamentos do economista alemão <em><strong>Karl Marx</strong></em>, autor de obras como &#8220;Manifesto do Partido Comunista&#8221; e &#8220;O Capital&#8221;, cujas ideias refletiam o interesse de construção de uma sociedade sem classes sociais e desprovida da existência da iniciativa privada.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="233" height="296" class="wp-image-3100" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/karl-marx.png" alt="" />
<figcaption>Karl Marx, mentor do socialismo científico</figcaption>
</figure>
</div>



<p>Para o autor, inicialmente, sob o bojo das forças produtivas desenvolvidas durante o Capitalismo, seria instituído o <strong><em>Socialismo</em></strong>, fase da evolução das sociedades cujo o Estado garantia o controle da economia (economia planificada), de modo a impedir a ressurreição das forças capitalistas. Em seguida, emergiria o <strong><em>Comunismo</em></strong>, modelo onde as noções de coletividade estariam tão difundidas que a existência de um Estado controlador seria dispensável.</p>



<p>Foi então que, em outubro de 1917, liderado por <em><strong>Vladimir Ilyich Lenin</strong></em>, acontece a <strong>Revolução Russa</strong>, que solapa das bases do antigo modelo czarista e coloca o Partido Comunista no poder.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="167" height="235" class="wp-image-3101" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/lenin.png" alt="" />
<figcaption>Lenin, mentor e articulador do socialismo russo.</figcaption>
</figure>
</div>



<p>Logo, o <em>modo de produção</em> existente na URSS se opunha totalmente àquele existente &#8211; e liderado &#8211; pelos EUA. Explica, portanto, o porquê dos soviéticos terem dispensado ajuda pelo Plano Marshall. A reconstrução socialista ocorreu por vias internas e, embora tenha sido custosa, resultou na ascensão do país ao posto de potência mundial.</p>



<h2>Capitalismo vs Socialismo</h2>



<p>Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a queda dos impérios coloniais, boa parte das antigas potências mundiais parecia ter perdido seu rumo no desenvolvimento do capitalismo mundial. Com economias desoladas, restava às mesmas se apegarem ao aporte dado pelas duas superpotências no pós-guerra &#8211; e aos seus sistemas econômicos &#8211; os EUA e a URSS.</p>



<p>Assim, na Europa, campo de batalha do conflito, ocorreu uma rápida polarização dos Estados Nacionais a um dos dois sistemas econômicos. Enquanto a Europa Ocidental (Reino Unido, França, Itália, entre outros) se alinha aos EUA, a Europa Oriental (Hungria, Romênia, Rep. Tcheca, Polônia, etc.) passa a ser a polarizada pelo socialismo soviético. Surgia o <strong><em>Mundo Bipolar</em></strong>.</p>



<p>O caso da Alemanha é particular. O país, derrotado na Segunda Guerra Mundial, foi ocupado por exércitos da Grã-Bretanha, Estados Unidos, França e União Soviética. Após o fim do conflito e o claro antagonismo entre os países do bloco, decidiu-se pela divisão do país em dois: a República Federal da Alemanha (RFA), capitalista, alinhada aos EUA e com capital em Bonn, e a República Democrática da Alemanha (RDA), socialista, alinhada à URSS e com capital em Berlim Oriental.</p>



<p>A cidade de Berlim, estando totalmente sob o lado socialista, foi igualmente dividida em Berlim Ocidental, capitalista, e Berlim Oriental, socialista. Neste caso, foi construída uma barreira física que atravessava a cidade e que virou símbolo da Guerra Fria: o <em><strong>Muro de Berlim</strong></em>.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="400" height="325" class="wp-image-3102" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/alemanha-guerra-fria.png" alt="" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/alemanha-guerra-fria.png 400w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/alemanha-guerra-fria-300x244.png 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" />
<figcaption>Alemanha e Berlim divididas. Modificado de User: 52 Pickup &#8211; Based on map data of the IEG-Maps project (Andreas Kunz, B. Johnen and Joachim Robert Moeschl: University of Mainz) &#8211; www.ieg-maps.uni-mainz.de, CC BY-SA 2.5.</figcaption>
</figure>
</div>



<p>Neste contexto de Europa dividida, Winston Churchill cunhou o termo <em><strong>&#8220;Cortina de Ferro&#8221;</strong></em>, que se referia à polarização do continente entre os dois sistemas econômicos.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="382" height="298" class="wp-image-3103" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cortinaferro.png" alt="" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cortinaferro.png 382w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cortinaferro-300x234.png 300w" sizes="(max-width: 382px) 100vw, 382px" />
<figcaption>Europa dividida pela Cortina de Ferro. Fonte: BigSteve &#8211; Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=25580510</figcaption>
</figure>
</div>



<p>De modo similar ao que o bloco capitalista fez com o Plano Marshall, em 1949 a URSS coloca em prática o <strong><em>Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON)</em></strong>, envolvendo, inicialmente, União Soviética, Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Polônia, Bulgária, Hungria e Romênia. O conselho objetivava a reconstrução econômica dos países afetados pela guerra, depois, com adesão de socialistas de outros continentes, se transformou em um grande conselho de ajuda mútua do mundo socialista.</p>



<p>Com objetivo de barrar o crescimento do socialismo, cuja expansão começara a ocorrer para além do continente europeu, o bloco capitalista funda, em 1949, a <em><strong>Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)</strong></em>, uma aliança militar que envolvia os principais países alinhados aos EUA.</p>



<p>Em contrapartida e com os mesmos objetivos, o bloco soviético funda o <strong><em>Pacto de Varsóvia</em></strong>, em 1955. Além de defender os estados signatários de possíveis ataques do mundo capitalista, o Parto de Varsóvia funcionava como um mecanismo de manutenção do sistema no leste europeu.</p>



<p>A partir da expansão do socialismo para outros continentes, em especial para a Ásia, com a ascensão de um governo popular na China e na Coreia do Norte, os EUA lideram uma série de acordos para a criação de um <strong><em>&#8220;Cordão Sanitário&#8221; </em></strong>no entorno do bloco socialista. Dentre os países que participaram dos acordos, cita-se Austrália, Nova Zelândia, Japão, Turquia, Tailândia, Paquistão, <strong>Irã, Iraque</strong> e Turquia.</p>



<h3>Corrida armamentista</h3>



<p>De 1945 até 1991, período da Guerra Fria, nunca ocorreu um conflito armado que opusesse diretamente as duas nações hegemônicas. Esta &#8220;paz armada&#8221; ocorrera muito por conta do equilíbrio entre forças das duas potências.</p>



<p>Tanto EUA quanto URSS passaram a investir massivamente na indústria bélica, levando em consideração um possível conflito armado. O desenvolvimento &#8211; ou o aprimoramento &#8211; de uma tecnologia para armas nucleares era o principal objetivo das duas nações.</p>



<p>Enquanto os EUA já haviam desenvolvido bombas nucleares e, inclusive, atacado diretamente o Japão durante a Segunda Guerra, a URSS conseguiu, em 1949, testar com sucesso sua primeira bomba atômica, equalizando as capacidades de destruição de ambos os países.</p>



<p>Assim, sabendo que, caso ocorresse um ataque de alguma das parte, a outra responderia a altura, o conflito direto entre EUA e URSS acabou por não ocorrer. Caso ocorresse, a capacidade de destruição seria maior que qualquer outro conflito armado da história.</p>



<h3>Corrida espacial</h3>



<p>Não apenas no campo bélico a rivalidade entre as duas nações ocorreu. Um exemplo bastante relevante foi o caso da corrida espacial. EUA e URSS passaram a desenvolver tecnologias que possibilitassem a exploração do espaço, de modo a comprovar a superioridade de seu sistema político sobre o rival.</p>



<p>É fruto da corrida espacial importantes realizações no campo da astronomia. A URSS, por exemplo, lançou o primeiro satélite artificial em órbita, em 1957, o Sputinik I. Além disso, os socialistas levaram o primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika, também em 1957, e enviaram o primeiro homem ao espaço, <em><strong>Yuri Gagarin</strong></em>, em 1961.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="253" height="330" class="wp-image-3104" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/gagarin.png" alt="" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/gagarin.png 253w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/gagarin-230x300.png 230w" sizes="(max-width: 253px) 100vw, 253px" />
<figcaption>Yuri Gagarin, primeiro homem enviado ao espaço.</figcaption>
</figure>
</div>



<p>Em 1958 é criada a Agência Espacial Americana (NASA). Dentre os principais feitos dos EUA, destaca-se a ida, pela primeira vez, do homem à lua, em 1969.</p>



<p>Esta disputa por superioridade durante a Guerra Fria não se restringiu à conquista do espaço. Um caso bastante interessante foi o da <strong><em>Corrida Esportiva</em></strong>, que confrontava, a cada quatro anos, soviéticos e americanos nos Jogos Olímpicos. Entre 1952 e 1988, foram disputados dez (10) olimpíadas, onde seis (6) foram vencidas pelos soviéticos e quatro (4) pelos americanos. Destaque às Olimpíadas de Moscou, em 1980, boicotada pelos EUA, e pelas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, boicotada pela URSS.</p>



<h2>Guerra Fria no Terceiro Mundo</h2>



<p>A partir de 1948, algumas revoluções socialistas passam a ocorrer pelo mundo, o que levou a Guerra Fria ao plano mundial.</p>



<p>Apesar de, desde 1924 já existir um país asiático socialista, a Mongólia, os anos de 1948 e 1949 marcaram a ascensão de dois governos socialistas bastante importantes: a Coreia do Norte (1948) e a China (1949).</p>



<p>Em 1959, os EUA tem uma importante derrota na América Latina, com a Revolução Cubana, que transformou Cuba em uma nação socialista. Temendo a expansão da ideologia pelo continente, o governo americano, através da sua agência de inteligência, a CIA, passou a insuflar a ascensão de ditaduras militares de alinhamento ideológico direitista em todo o continente. Foi o que ocorreu no Brasil, na Argentina e no Chile.</p>



<p>O caso chileno é particularmente importante, pois a ascensão de um governo socialista não ocorreu através de uma revolução, mas por vias democráticas. Em 1970, <strong><em>Salvador Allende</em></strong>, identificado com os ideais socialistas, é eleito presidente do Chile. Os EUA, então, apoiou <em><strong>Augusto Pinochet</strong></em> em um golpe de Estado, que lançou o Chile numa ditadura militar que durou quase vinte (20) anos.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="457" height="275" class="wp-image-3105" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/allende.png" alt="" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/allende.png 457w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/allende-300x181.png 300w" sizes="(max-width: 457px) 100vw, 457px" />
<figcaption>Salvador Allende, à esquerda, eleito presidente do Chile em 1970, e Augusto Pinochet, à direita, que assumiu seu lugar após um golpe. Fonte: <br /><a href="http://biografias.bcn.cl/wiki/Portada">Biblioteca del Congreso Nacional de Chile</a></figcaption>
</figure>
</div>



<p>Durante as décadas de 1960 e 1970 o socialismo chegou a diversas nações da África e da Ásia, dentre elas ao Vietnã do Norte (1976), ao Iêmen do Sul (1967), ao Congo (1968), à Angola (1975), à Guiné-Bissau (1974) e à Moçambique (1975). Neste período, os antigos impérios coloniais passavam por um processo acentuado de esfacelamento, cujo resultado foi a introdução de sistemas alinhados à URSS em boa parte das nações.</p>



<p>A chegada dos socialistas ao poder em nações de antigo domínio português (Angola, Moçambique e Guiné-Bissau) não é aleatória, tendo em vista a demora de Portugal em libertar suas colônias.</p>



<h3>Conflitos no Terceiro Mundo</h3>



<p>Embora as duas superpotências não tenham entrado em conflito diretamente, ambas participaram de maneira secundária de alguns conflitos pelo mundo, sempre em lados opostos.</p>



<p>Por vezes, estes conflitos terminavam com a cisão do país em dois. Foi o que ocorreu, além do exemplo já citado da Alemanha, na Coreia, divida em Coreia do Sul, capitalista, e Coreia do Norte, socialista, e no Vietnã, dividido em Vietnã do Sul, capitalista, e Vietnã do Norte, socialista.</p>



<p>Em alguns casos, EUA e URSS apenas apoiavam partes antagônicas em conflitos regionais. Na <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/12/questao-palestina.html">disputa pela Palestina</a>, por exemplo, EUA apoiaram a causa israelense, enquanto URSS se colocou ao lado do povo palestino.</p>



<p>Na crise entre Índia e Paquistão pela <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/o-conflito-pela-caxemira.html">Caxemira</a>, o Paquistão foi apoiado pelos EUA. Já o governo indiano tinha a simpatia dos soviéticos.</p>



<h2>Dissolução do Bloco Socialista</h2>



<p>O Socialismo Soviético passou a dar sinais de desgaste durante a década de 1980. Os principais indícios de desmantelamento do sistema ocorreram no Leste Europeu, através da insurreição de alguns países da região, em alguns casos envolvendo diretamente o descontentamento dos Partidos Comunistas locais.</p>



<p>Hungria, na década de 1950, e Tchecoslováquia, nos anos 1960, foram países onde ocorreram fortes protestos contra o governo soviético apoiado pelos governos locais. O resultado, em ambos os casos, foi a dura repressão pelo exército do Pacto de Varsóvia, o que insuflou ainda mais o Leste Europeu contra o controle soviético.</p>



<p>Foi da Polônia, todavia, que o socialismo soviético sofreu o mais duro golpe. Em 1980, o líder do sindicato <em><strong>Solidariedade</strong></em>, sediado no estaleiro do Porto de Gdansk, <em><strong>Lech Walesa</strong></em>, liderou um importante levante contra o sistema dominante no país, que rapidamente se espalhou por toda a Polônia. Em 1990, Walesa, anticomunista convicto, era eleito presidente do país, sepultando o domínio socialista na região.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="157" height="210" class="wp-image-3106" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/lech.png" alt="" />
<figcaption>Lech Walesa, ex-presidente da Polônia. Fonte: <a href="https://www.flickr.com/photos/besoindair/">MEDEF</a> &#8211; <a href="https://www.flickr.com/photos/besoindair/3883972259/">Flickr</a></figcaption>
</figure>
</div>



<p>Internamente, a década de 1980 marca também mudanças estruturais na URSS, com a ascensão de <em><strong>Mikhail Gorbatchov</strong></em> ao posto máximo do Partido Comunista Soviético. Durante seu governo, foram instituídas a <em><strong>Perestroika</strong></em> e a <em><strong>Glasnost</strong></em>, que objetivavam a abertura econômica, no caso da primeira, e política, no caso da segunda. A URSS como conhecíamos deixava de existir.</p>



<p>Em 1989, ocorre a queda do Muro de Berlim<em><strong>. </strong></em>Em 1991, a União Soviética deixa de existir, desmantelada em uma série de países, como Rússia, Letônia, Lituânia, Estônia e Ucrânia. O mundo, como no fim da Segunda Guerra Mundial, via as bases de sua geopolítica se alterar profundamente. Saia de cena um mundo bipolar e ascendia um mundo multipolar, polarizado pelo capitalismo americano e por todas as suas contradições.</p>
<p>Assista também nosso vídeo sobre o assunto:</p>
<p><iframe loading="lazy" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/ys2U6FM-0sU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
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		<item>
		<title>O Banco Mundial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Dec 2018 14:29:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[do Comércio e Serviços]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[O Banco Mundial (World Bank) é uma das instituições que surgem após a Segunda Guerra Mundial, provenientes da Conferência de Bretton Woods, que objetivava a reconstrução dos países da Europa arrasados pelo conflito.&#160; Conforme os percalços causados pela Guerra foram deixados para trás, o Banco Mundial, a exemplo de outras organizações supranacionais do período, passaram [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Banco Mundial (World Bank) é uma das instituições que surgem após a Segunda Guerra Mundial, provenientes da Conferência de Bretton Woods, que objetivava a reconstrução dos países da Europa arrasados pelo conflito.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="271" height="221" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/banco-mundial_sede.png" alt="Sede do Banco Mundial, em Washington" class="wp-image-2971"/><figcaption>Sede do Banco Mundial, em Washington. Por Shiny Things &#8211; Flickr, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=2390362</figcaption></figure></div>



<p>Conforme os percalços causados pela Guerra foram deixados para trás, o Banco Mundial, a exemplo de outras organizações supranacionais do período, passaram a focalizar suas ações nos países não-desenvolvidos.</p>



<p>Ao contrário do <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2016/11/o-fundo-monetario-internacional-fmi.html">Fundo Monetário Internacional (FMI),</a> o World Bank não atua centrado no aporte financeiro aos países em crise, mas se debruça sobre o incentivo e ao aporte ao desenvolvimento, especialmente de infra-estrutura, com o discurso do combate à pobreza e ao desenvolvimento sustentável.</p>



<p>Conforme descrito no site da <a href="https://nacoesunidas.org/agencia/bancomundial/">Organização das Nações Unidas no Brasil</a>, o Banco Mundial trabalha em parceria com os países, ressaltando:</p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p>O investimento nas pessoas, especialmente por meio da saúde e da educação básicas;</p><p>A criação de um ambiente para o crescimento e a competitividade da economia;</p><p>A atenção ao meio ambiente;</p><p>O apoio ao desenvolvimento da iniciativa privada;</p><p>A capacitação dos governos para prestar serviços de qualidade com eficiência e transparência;</p><p>A promoção de um ambiente macroeconômico conducente a investimentos e a planejamento de longo prazo;</p><p>O investimento em desenvolvimento e inclusão social, governança e fortalecimento institucional como elementos essenciais para a redução da pobreza.</p></blockquote>



<p>O fato é que, todavia, a concessão de empréstimos pelo Banco comumente alarga as dívidas externas já elevadas dos países interessados e aumenta a já existente dependência dos países menos desenvolvidos aos mais ricos.</p>



<p>Atualmente, o Banco Mundial é composto por um grupo de instituições, dentre as quais o BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento), a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), a Corporação Financeira Internacional (CFI), a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (AMGI) e o Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (CIADI). </p>



<p>Nos últimos anos, o World Bank tem dado preferência ao financiamento de projetos de <strong>desenvolvimento sustentável.</strong></p>



<p>É claro, todavia, o domínio do governo americano nas ações do World Bank. O país tem 15,85% de poder de voto na instituições. Para efeito de comparação, a Alemanha tem 4%, o Reino Unido 3,75%, a China 4,42% e o Brasil apenas 2,4%.</p>



<p>Este domínio também é claro quando analisamos os presidentes do órgão. Dos 12 presidentes da sua história, apenas o atual, Jim Yong Kim, de nacionalidade sul-coreana, não nasceu nos EUA.</p>



<p>É válido lembrar ainda que a atuação do Banco Mundial, da mesma maneira que o FMI, faz parte de um conjunto mudanças no papel dos Estados Nacionais do mundo, que perderam parcela de suas forças para organizações supranacionais, blocos econômicos e grandes corporações.</p>
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		<title>Questão Palestina</title>
		<link>https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/12/questao-palestina.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Dec 2017 14:54:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[A questão da Palestina é uma das mais complexas disputas na conflituosa região do Oriente Médio. A pequena faixa de terra localizada entre o rio Jordão e o Mar Mediterrâneo é foco de disputa de dois povos historicamente relacionados quanto às suas origens: os árabes e judeus. Antecedentes O território originalmente era povoado pelo povo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A questão da Palestina é uma das mais complexas disputas na conflituosa região do Oriente Médio. A pequena faixa de terra localizada entre o rio Jordão e o Mar Mediterrâneo é foco de disputa de dois povos historicamente relacionados quanto às suas origens: os árabes e judeus.</p>
<h2>Antecedentes</h2>
<p style="text-align: justify;">O território originalmente era povoado pelo povo hebreu, quando, no ano 70 d.C., estes foram expulsos pelos romanos e se espalharam pelo mundo, sendo a partir deste ponto chamados de judeus. Este momento ficou conhecido na história como segunda diáspora hebraica.</p>
<p style="text-align: justify;">No século VII, inicia-se o processo de expansionismo árabe. Partindo da península arábica, este povo ocupou rapidamente diversas regiões da África, Ásia e até mesmo porções da Europa. Uma das áreas povoadas foi a região da Palestina. Os árabes ali permaneceram, por vezes subjugados ao Império Otomano ou ao controle inglês, até o período anterior à Segunda Guerra Mundial.</p>
<table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;" cellspacing="0" cellpadding="0" align="center">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a style="margin-left: auto; margin-right: auto;" href="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/02/PALESTINA.png"><img src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/02/PALESTINA.png" border="0" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Localização geográfica da região da Palestina/Estado de Israel. Imagem: Amiglobe</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;">Desde sua expulsão da Palestina pelos romanos, o povo judeu sempre manteve o desejo da criação de um estado próprio: o Estado de Israel. No final do século XIX, este ideal começou a tomar corpo, originando o chamado <b>movimento sionista</b>. A partir de sua criação, o movimento começou a incentivar a ida de judeus para a Palestina, através da compra de terras na região. Este fluxo migratório aumentou com o período da ascensão nazista, onde vários judeus foram para o território palestino com o objetivo de fugir da perseguição que o movimento de extrema-direita os impunha.</p>
<p style="text-align: justify;">A situação entre palestinos (árabes) e israelenses (judeus) começou a piorar com a independência de diversos protetorados ingleses na região, como a da própria Palestina, da Transjordânia, agora Jordânia, e do Iraque. Para impedir um colapso da região, em 1948, a ONU, que acabara de ser criada, dividiu a região em duas áreas: uma árabe e outra judaica, enquanto Jerusalém seria uma zona internacional. Estava criado o Estado de Israel.</p>
<h2>Principais conflitos</h2>
<p style="text-align: justify;">A criação de um Estado judeu em uma região com maioria árabe resultou em uma aumento da tensão na região. Os palestinos não viam com bons olhos a decisão da ONU em entregar nas mãos dos judeus um território que eles já ocupavam há séculos. Este sentimento de inconformidade eclodiu na primeira guerra entre os dois povos: a <b>Guerra da Independência de Israel (1948-1949)</b>. De um lado, os israelenses procuravam expandir seus domínios pela região, criando os chamados &#8220;territórios ocupados&#8221;. Do outro, os palestinos objetivavam recuperar o controle sobre o agora fundado Estado de Israel.</p>
<p style="text-align: justify;">Este conflito acabou em 1949 com a vitória israelense. Os vitoriosos anexaram boa parte dos domínios árabes na Cisjordânia e na Faixa de Gaza ao seu Estado. Aos palestinos, coube refugiarem-se em outros países do Oriente Médio, onde eram por vezes tratados com xenofobia e não tinham acesso a direitos básicos para vida. A ONU estima que cerca de 750 mil palestinos foram expulsos da região. Para eles, este período é lembrado como <i>al-nakba</i>, a catástrofe.</p>
<table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;" cellspacing="0" cellpadding="0" align="center">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a style="margin-left: auto; margin-right: auto;" href="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/02/palestinacomp.png"><img src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/02/palestinacomp.png" border="0" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">À esquerda, proposta feita pela ONU para a divisão da Palestina. Em verde, as regiões árabes, em cinza, as israelenses. À direita, divisão da região após a Guerra da Independência de Israel, em 1949<b>. </b><i>Imagens: By ComServant &#8211; Own work, derived from File:Palestinian_Territories,_1948-67.svg, CC BY-SA 4.0.</i></td>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;"></td>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h4>Guerra de Suez (1956)</h4>
<p style="text-align: justify;">Em 1956, o conflito não estava mais concentrado entre os povos da Palestina. O então presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, decidiu nacionalizar o Canal de Suez, principal ligação entre o Mar Vermelho e o Mar Mediterrâneo e importante rota de ligação entre as potências europeias e os países da Ásia.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta decisão, porém, irritou tanto os países europeus, principalmente França e Inglaterra, e os EUA, quanto o Estado de Israel, que viu a medida do governo egípcio como uma tentativa de bloquear a passagem do importante porto de Eilath, no Golfo de Ácaba.</p>
<p style="text-align: justify;">Este conflito resultou em uma aliança entre israelenses e as forças ocidentais. Juntas, as nações venceram militarmente o Egito, embora Nasser tenha conseguido manter o controle sobre o Canal de Suez.</p>
<h4>Guerra dos Seis Dias (1967)</h4>
<p style="text-align: justify;">A conquista do Canal de Suez deu ao mundo árabe ânimo para tentar reconquistar as terras perdidas. Nos momentos anteriores à guerra, houve uma intensa articulação diplomática e militar entre os líderes das principais potências regionais: Líbano, Egito, Síria e Jordânia.</p>
<p style="text-align: justify;">Um ponto que vale ser destacado é a disputa pelo Rio Jordão. A Síria estava interessada em desviar parte do seu curso para irrigar suas plantações. Porém, este desvio diminuiria o fluxo de água no leito do rio, o que prejudicaria o Estado de Israel. A geopolítica da água, portanto, foi de suma importância para a continuação do conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1964, a reunião da Liga Árabe no Cairo tratou sobre, além dos desvios no Rio Jordão, a ameaça que Israel agora era para o mundo árabe. Esta articulação deixou os israelenses desconfiados, levando a um ataque súbito do país contra seus adversários. Em apenas seis dias, Israel havia desmantelado qualquer tipo de plano árabe para reassumir o controle da Palestina, e ocupado e anexado a seu território regiões estratégicas dos países derrotados, como a Península do Sinai (Egito), a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e as Colinas de Golã (Síria), onde ficam localizadas as nascentes do Rio Jordão.</p>
<table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;" cellspacing="0" cellpadding="0" align="center">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a style="margin-left: auto; margin-right: auto;" href="https://1.bp.blogspot.com/-YdDAKbKeTL8/VtH5eftoG6I/AAAAAAAADGM/8GCaSbhRiBY/s1600/israel2.png"><img loading="lazy" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/02/israel2.png" width="266" height="400" border="0" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Em bege, as regiões conquistadas por Israel após a Guerra dos Seis Dias. <i>Imagem: By User:Ling.Nutderivative work: Rafy &#8211; Six_Day_War_Terrritories.png, CC BY-SA 3.0.</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h4>Guerra do Yom Kipur (1973)</h4>
<p style="text-align: justify;">O contra-ataque árabe, liderado por Egito e Síria, ocorreu em 1973, durante o feriado judeu de Yom Kipur (Dia do Perdão). Surpreendidos, os israelenses viram suas principais conquistas durante a Guerra dos Seis Dias voltarem para o controle dos seus donos originais: a península do Sinai, ao Egito, e as colinas de Golã, para os sírios.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, com apoio americano, o Estado de Israel consegue se recuperar e ocupar o Canal de Suez, além de impor grandes bombardeios ao Cairo e à Damasco. Com tais estratégias, os israelenses vencem, novamente, uma guerra contra as potência árabes.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir da Guerra do Yom Kipur, em 1973, porém, as tentativas de paz e os acordos começaram a se tornar mais frequentes, evidenciando um desejo de trégua entre as duas partes antagônicas da disputa.</p>
<p style="text-align: justify;">É fato, ainda assim, que esta tendência à resolução do conflito tampouco é linear ou progressiva. A alternância entre governos, tanto do lado judeu quanto do lado árabe, proporciona um revezamento entre momentos de diplomacia e momentos de ataque. É esta dinâmica entre as forças protagonistas e o fim da inércia dos grandes órgãos e governos mundiais no que diz respeito ao conflito que serão discutidos abaixo.</p>
<h2>Da Al-Fatah à OLP</h2>
<p style="text-align: justify;">A derrota na Guerra da Independência de Israel (1948-1949) significou uma grande humilhação para o povo palestino. Para eles, este episódio ficou conhecido como <i>al-nakba</i>, a catástrofe. Com a perda de grande parte do seu território e a inconformidade com a instalação do Estado de Israel, os palestinos se organizaram em um grupo terrorista em 1959, na vizinha Jordânia, conhecido como Movimento de Libertação Nacional da Palestina, ou simplesmente Al-Fatah.</p>
<p style="text-align: justify;">Comandado por Yasser Arafat, o grupo tinha por objetivo combater e resistir às ofensivas israelenses, além de tentar recuperar as terras perdidas para os adversários. Aos poucos, porém, as operações da Fatah tornaram-se prejudiciais aos países que os abrigavam. A tensão causada na Jordânia levou a expulsão do grupo do país.</p>
<table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;" cellspacing="0" cellpadding="0" align="center">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a style="margin-left: auto; margin-right: auto;" href="https://1.bp.blogspot.com/-GHFjSdK5eHs/VtZEaRNJzOI/AAAAAAAADGw/lnT7bHBhAjs/s1600/Yasser.jpg"><img loading="lazy" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/03/Yasser.jpg" width="221" height="320" border="0" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Yasser Arafat no Fórum Econômico Mundial. <i>Imagem: By Copyright World Economic Forum (www.weforum.org) swiss-image.ch/Photo by Remy Steinegger. CC BY-SA 2.0.</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;">Em 1964, foi criada, por membros da Al-Fatah, a OLP (Organização para Libertação da Palestina), grupo que aos poucos absorveu a Fatah, mantendo seus ideais e seu líder. Já instalados no Líbano, a OLP se comprometeu em abandonar seu caráter terrorista e em tentar defender os direitos dos palestinos por vias diplomáticas. Em 1974, a organização era reconhecida pela ONU como representante legítima do povo palestino. Sob comando de Yasser Arafat, estava criado o arranjo necessário às negociações pela paz com os israelenses.</p>
<h2>Acordos de Oslo</h2>
<p style="text-align: justify;">A década de 1990 trouxe esperança ao mundo em relação à questão palestina. Além do reconhecimento da OLP como instituição legítima dos palestinos, ascendeu ao poder, em Israel, o governo trabalhista de Yitzhak Rabin.</p>
<p style="text-align: justify;">Não demorou muito para que os líderes das duas nações estabelecessem diálogo. Após negociações na cidade Oslo, foram assinados, em Washington (EUA), uma série de acordos entre os anos de 1993 e 1995, entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, conhecidos como acordos de Oslo. Entre os pontos previstos, estavam a devolução da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para os palestinos para o estabelecimento de um futuro Estado, e o reconhecimento, por parte da Palestina, do Estado de Israel. Pelo esforço em conjunto para resolver a situação na região, Rabin e Arafat foram laureados com o Nobel da Paz de 1994. Parecia que a guerra entre árabes e judeus estava próxima ao fim.</p>
<table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;" cellspacing="0" cellpadding="0" align="center">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a style="margin-left: auto; margin-right: auto;" href="https://1.bp.blogspot.com/-cihiIBgGGQg/VtZE6iyP-kI/AAAAAAAADG4/Bbz9Wm8t6Eo/s1600/oslo.jpg"><img loading="lazy" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/03/oslo.jpg" width="320" height="218" border="0" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Aperto de mão histórico entre Yitzhak Rabin, à esquerda, e Yasser Arafat, à direita, intermediado pelo então presidente americano Bill Clinton, no centro, após a assinatura de um dos chamados acordos de Oslo. O mundo começava a sonhar com o fim do sangrento conflito árabe-israelense.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Em 1995, porém, um judeu ultraconservador, supostamente filiado ao grupo terrorista israelense Eyal, assassinou Yitzhak Rabin, mostrando a insatisfação de parte da população com as concessões aos palestinos. No ano seguinte, o direitista Benjamin Netanyahu assume o cargo de primeiro-ministro de Israel, promovendo uma retomada à expansão judaica na Cisjordânia, o fechamento do escritório da OLP em Jerusalém e retrocedendo o processo de paz planejado pelo seu antecessor.</div>
<div style="text-align: justify;">
<table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;" cellspacing="0" cellpadding="0" align="center">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a style="margin-left: auto; margin-right: auto;" href="https://4.bp.blogspot.com/-l07TqU5jkO4/VtZGCOqcxII/AAAAAAAADHE/C1S3oa-6FHk/s1600/palestina%2Batual.png"><img loading="lazy" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/03/palestinaatual.png" width="172" height="320" border="0" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Palestina após a assinatura de Oslo 2. Em verde, destacam-se regiões administradas pela ANP.<i> Imagem: By Oncenawhile. CC BY-SA 3.0 .</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h2>Ehud Barak e Ariel Sharon</h2>
<p>Em 1999, Ehud Barak vira primeiro-ministro de Israel prometendo resolver algumas pendências deixadas pelo antecessor em relação à questão palestina. Uma destas pendências era o acordo de Wye Plantation, que previa a retirada das forças israelenses da Cisjordânia. Era um reinício para as negociações com a Palestina.</p>
<p>No ano 2000, foi assinado um novo acordo em Camp David. Porém, por ser considerado vazio, estabelecendo poucas resoluções em relação às principais reivindicações dos palestinos, o acordo acabou fracassando. Mesmo após outra tentativa de concessão feita por Barak, Arafat se recusou a assinar. Esta insistência do primeiro-ministro, porém, foi mal vista pelas alas mais conservadores da sociedade israelense, que não demorou para tirar seu bloco político do poder.</p>
<p>Em 2001, foi a vez de Ariel Sharon assumir o poder em Israel. Político conservador, o novo primeiro-ministro declarou o não reconhecimento aos acordos de Oslo e promoveu uma caça aos principais líderes palestinos, além de defender a criação de um muro que separava a Cisjordânia do restante do território de Israel. Apesar disso, em 2003, Sharon assinou novos acordos com Mahmud Abbas, que viria a substituir Yasser Arafat na OLP após sua morte, em 2005.</p>
<table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;" cellspacing="0" cellpadding="0" align="center">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a style="margin-left: auto; margin-right: auto;" href="https://4.bp.blogspot.com/-6CvHUoQu0Jg/VtZHL52G4jI/AAAAAAAADHM/yJmCFXHG578/s1600/muro.jpg"><img loading="lazy" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/03/muro.jpg" width="400" height="265" border="0" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Muro que separa a Cisjordânia (Palestina) do restante do Estado de Israel. <i>Imagem:Por Justin McIntosh &#8211; The Photographer. Originally uploaded to a different location., CC BY 2.0.</i></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Entre as resoluções do novo acordo, conhecido como Mapa do Caminho, estavam a entrega gradual da Faixa de Gaza e de parte da Cisjordânia para os palestinos. Os acordos, porém, não acalmaram os extremistas árabes, tampouco mantiveram o apoio congressista ao primeiro-ministro. Atualmente, Benjamin Netanyahu é novamente o principal líder de Israel.</p>
<h2>O Hamas</h2>
<p>Após os acordos de Oslo, Yasser Arafat fundou a Autoridade Nacional Palestina (ANP), uma espécie de governo autônomo responsável por gerir o território cedido pelos israelenses, englobando diversas áreas, como saúde, educação e finanças. O órgão seria formado por um parlamento, com a maioria dos representantes do partido Fatah/OLP.</p>
<p>Em 2006, porém, foram realizadas eleições para escolher o novo parlamento da ANP. De forma surpreendente, o Hamas, braço político do grupo terrorista homônimo, conquistou a maioria das cadeiras, resultando em uma crise política de largas proporções.</p>
<p>Historicamente, o grupo Hamas esteve ligado a ataques contra os israelenses e, assumindo o controle da ANP, dificultaria os acordos pela paz. O líder da Fatah, Mahmud Abbas, tentou, inclusive, dissolver o parlamento, o que provocou uma guerra entre os dois partidos pela representação da causa palestina.</p>
<table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;" cellspacing="0" cellpadding="0" align="center">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a style="margin-left: auto; margin-right: auto;" href="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/03/hamas.png"><img src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2016/03/hamas.png" border="0" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Atentado terrorista provocado pelo Hamas na cidade de Jerusalém</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Após alguns anos de conflito, o Hamas conseguiu assumir o controle da pobre região da Faixa de Gaza, enquanto a Fatah manteve seu domínio sobre a Cisjordânia. Sofrendo retaliações do governo israelense, a Faixa de Gaza hoje vive sob estado de isolamento de suas fronteiras. O pequeno território tem cerca de 360 km² e abriga impressionantes 1,8 milhões de habitantes. Isto significa uma densidade demográfica de incríveis 5.000 hab./km². A região é repleta de favelas e tem uma população predominantemente pobre.</p>
</div>
<p>Assista também nosso vídeo sobre o assunto:</p>
<p><iframe loading="lazy" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/NdFrKbYOsuE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
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		<item>
		<title>Questão do Essequibo: a disputa territorial entre Venezuela e Guiana</title>
		<link>https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/10/questao-do-essequibo-disputa-territorial-entre-venezuela-e-guiana.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Oct 2017 23:17:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
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					<description><![CDATA[O Essequibo é uma área compreendida entre o Rio Essequibo e a divisa tradicional entre Guiana e Venezuela. Dispõe de uma série de recursos naturais, como ouro, bauxita, urânio, potencial hidrelétrico e, em seu oceano próximo, petróleo. A disputa na região remonta ainda ao século XIX, quando os ingleses compraram as terras do Essequibo, que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O Essequibo é uma área compreendida entre o Rio Essequibo e a divisa tradicional entre Guiana e Venezuela. Dispõe de uma série de recursos naturais, como ouro, bauxita, urânio, potencial hidrelétrico e, em seu oceano próximo, petróleo.</p>
<p><div id="attachment_2509" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-2509" loading="lazy" class="wp-image-2509 size-full" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/10/essequibo.jpg" alt="Mapa do Essequibo" width="600" height="340" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/10/essequibo.jpg 550w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/10/essequibo-300x170.jpg 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /><p id="caption-attachment-2509" class="wp-caption-text">Essequibo, área disputada entre Venezuela e Guiana. Fonte: TeleSUR</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">A disputa na região remonta ainda ao século XIX, quando os ingleses compraram as terras do Essequibo, que até então estavam sob domínio holandês, estabelecendo a Guiana Inglesa, em conjunto com as colônias vizinhas de Berbice e Demarara.</p>
<h4>Origem da disputa</h4>
<p style="text-align: justify;">Estando sob controle do território, a Coroa Britânica contratou o naturalista Robert Schomburgk para realizar expedições pela área com o intuito de estabelecer as fronteiras da nova colônia.</p>
<p style="text-align: justify;">Destas expedições, resultou a Linha Schomburgk. Porém, tal demarcação foi muito contestada, tanto pelo Brasil, quanto pela Venezuela.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso brasileiro, ela foi resolvida ainda no início do século XX por Joaquim Nabuco e ficou conhecida como Questão do Pirara. Da área reclamada, cerca de 59% (19.630 km²) ficou sob domínio inglês/guianense, enquanto o Brasil ficou com apenas 41% (13.570 km²), perdendo o acesso à Bacia do Essequibo.</p>
<p><div id="attachment_2513" style="width: 444px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-2513" loading="lazy" class="wp-image-2513 size-full" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/10/434px-Mapa_questão_do_Pirara.svg.png" alt="Questão do Pirara" width="434" height="480" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/10/434px-Mapa_questão_do_Pirara.svg.png 434w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/10/434px-Mapa_questão_do_Pirara.svg-271x300.png 271w" sizes="(max-width: 434px) 100vw, 434px" /><p id="caption-attachment-2513" class="wp-caption-text">Questão do Pirara. Por Shadowxfox.</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">Já para a Venezuela, era arbitrária a colocada da região a oeste do Essequibo como território inglês. Para eles, a região foi originalmente ocupada por missões espanholas, sendo venezuelana por direito.</p>
<p style="text-align: justify;">Os EUA, pautados na Doutrina Monroe (&#8220;a América para os americanos&#8221;) e repudiando a intromissão europeia em questões do continente americano, passou a apoiar a Venezuela, convocando um tribunal arbitral para solucionar o conflito.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a viabilização do tribunal, que se reuniu durante dois anos e meio em Paris, foram indicados cinco juristas, dois americanos, sendo um indicado pela Venezuela e outro indicado pelos EUA, dois ingleses e um russo, indicado por ambas as partes, que daria o voto de minerva caso necessário.</p>
<p style="text-align: justify;">As negociações geraram o Laudo de Paris, que definiram que a maior parte da área reclamada (entre os rios Essequibo e Cuyuni) ficaria sob domínio inglês, enquanto uma porção a oeste do rio Cuyuni, antes reivindicada pelos ingleses, passaria para a tutela venezuelana.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta configuração do território permaneceu assim por cerca de sessenta anos.</p>
<h4>A contestação venezuelana e a independência da Guiana</h4>
<p style="text-align: justify;">Em meados de 1962, durante o governo de Rómulo Betancourt, a Venezuela passou a contestar a decisão do Laudo de Paris.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentre os motivos que trouxeram o assunto a tona novamente, podemos citar o surgimento de suspeitas de um coluio entre o diplomata russo responsável pelo voto de minerva, Frederic de Martens, que fez seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra), e os dois jurados ingleses.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do mais, se passou a questionar o porquê de, enquanto a Inglaterra ter dois jurados com nacionalidade inglesa, a Venezuela foi representada por americanos, sendo apenas um deles nomeado por Caracas.</p>
<p style="text-align: justify;">As potências ocidentais, como os EUA e até mesmo a Inglaterra, deram razão às ponderações venezuelanas. Este apoio se deve principalmente pelo fato de que, neste período, a Guiana Inglesa estava prestes a conseguir sua independência, com a ascensão de um governo marxista-lenista.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um contexto de Guerra Fria, onde os comunistas conquistavam o poder em Cuba, era temido pelas potências do mundo capitalista, especialmente pelos EUA, a formação de mais um Estado socialista nas Américas.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, a Venezuela conseguiu a assinatura do Acordo de Genebra, que iria promover uma Comissão Mista para reabrir as negociações. Os venezuelanos passaram a considerar o Essequibo como parte do seu país nos mapas oficiais, mesmo esta região correspondendo a cerca de 2/3 da área total da recém independente Guiana.</p>
<p><div id="attachment_2511" style="width: 635px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-2511" loading="lazy" class="wp-image-2511 size-full" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/10/625px-Venezuela_Division_Politica_Territorial.svg-1.png" alt="Venezuelanos reconhecem Essequibo como &quot;Zona en Reclamación&quot;." width="625" height="480" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/10/625px-Venezuela_Division_Politica_Territorial.svg-1.png 625w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/10/625px-Venezuela_Division_Politica_Territorial.svg-1-300x230.png 300w" sizes="(max-width: 625px) 100vw, 625px" /><p id="caption-attachment-2511" class="wp-caption-text">Venezuelanos reconhecem Essequibo como &#8220;Zona en Reclamación&#8221;. Por The Photographer.</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">Após algumas ações mais incisivas de ambos os lados, a partir de 1970 a Guiana acabou ficando em situação desfavorável para reivindicar uma quebra no acordo.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto se deve pois o Brasil, na época sob o regime militar, militarizou sua fronteira com a ex-colônia inglesa, agora sob comando de um governo esquerdista. Sendo impossível uma disputa em duas frentes por parte de Georgetown, o país recém independente buscou relações mais amistosas com os vizinhos venezuelanos, diminuindo a força de seu posicionamento em relação ao Essequibo.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando um governo de direita enfim chegou ao poder na Guiana, as tensões voltaram a existir. A Venezuela passou a agir diplomaticamente contra os guianenses, se opondo à construção de uma hidrelétrica no país e à contração de empréstimos por parte de Georgetown em órgãos financeiros supra-nacionais. A questão do Essequibo, neste período, passou a ser questão de segurança nacional para os dois países.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir da década de 1980, a disputa passou para égide da ONU. A partir daí, relações amistosas voltaram a ser estabelecidas. Guiana e Venezuela passaram a tomar medidas de cooperação, como ocorreu no caso da integração elétrica entre os dois países e na aliança militar contra o tráfico de drogas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal cenário foi ainda reforçado no governo de Hugo Chavez, quando Caracas perdoou a dívida externa da Guiana para com os venezuelanos.</p>
<h4>Quadro atual: Exxon Mobil e o governo Maduro</h4>
<p style="text-align: justify;">Diferentemente do que fez seu antecessor, Nicolás Maduro tem voltado a reivindicar o Essequibo como território venezuelano.</p>
<p style="text-align: justify;">O principal motivo para isto foi a descoberta de petróleo no oceano localizado em águas guianenses por parte da multinacional americana Exxon Mobil.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente a Guiana importa todo seu petróleo dos vizinhos venezuelanos. A exploração das novas jazidas no país poderiam dar independência no produto a Georgetown, ao mesmo tempo que traria um novo concorrente para exploração petrolífera regional.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, alguns problemas ideológicos são bem evidentes. Maduro tem como principal adversário em escala global os EUA, e o crescimento da influência americana no país vizinho, por meio das suas multinacionais, pode atrapalhar o andamento de seu governo.</p>
<h4>Referências</h4>
<p style="text-align: justify;">NETO, Walter Antonio Desiderá. A questão fronteiriça entre Guiana e Venezuela e a integração regional na América do Sul. <b>Conjuntura Austral</b>, v. 3, n. 12, p. 11-25.</p>
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		<title>A estreita relação entre Geografia e Vexilologia</title>
		<link>https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/07/estreita-relacao-entre-geografia-e-vexilologia.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Jul 2017 14:58:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[A Geografia é, de maneira simples, a ciência do espaço. E, desde o ensino fundamental, a ciência geográfica se faz presente em nossos estudos.. Porém, a palavra vexilologia, para muitos, pode parecer assustadora. A dificuldade para muitos vem logo na pronúncia da palavra. Sim, o correto é ve-xi-lo-lo-gia. Você tem que repetir a vocal &#8220;lo&#8221;. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A Geografia é, de maneira simples, a ciência do espaço. E, desde o ensino fundamental, a ciência geográfica se faz presente em nossos estudos..</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, a palavra <strong>vexilologia</strong>, para muitos, pode parecer assustadora. A dificuldade para muitos vem logo na pronúncia da palavra. Sim, o correto é <em>ve-xi-lo-lo-gia</em>. Você tem que repetir a vocal &#8220;lo&#8221;. Afinal, seu nome deriva do latim <em>vexilum</em>, que significa <strong>bandeira</strong>, e &#8211;<em>logia</em>, que significa <strong>estudo</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Passado o primeiro empecílio, continuamos a desvendar o que é esta ciência &#8211; ou, assim como a cartografia, esta arte-ciência.</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta está entregue de bandeja: vexilologia é, como define o site <a href="http://www.vexilologia.com.br">Vexilologia Brasileira</a>, &#8220;a ciência ou arte que estuda a simbologia e o grafismo das bandeiras, estandartes e pavilhões&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentre as concepções mais difundidas dentro do campo da vexilologia, temos a ideia de que as bandeiras nacionais &#8211; bem como as de escalas maiores &#8211; podem formar <strong>famílias</strong>. Estas famílias são caracterizadas por apresentarem internamente elementos gráficos em comum, estes que, por sua vez, fazem alusão a características históricas ou culturais que tais nações apresentam de forma compartilhada entre si.</p>
<p style="text-align: justify;">A &#8220;geografice&#8221; por trás da vexilologia aparece, por exemplo, quando analisamos a disposição das bandeiras nacionais no globo.</p>
<p style="text-align: justify;">Países próximos, que atravessaram desenvolvimentos históricos interligados, certamente terão estandartes similares, seja pelas formas, pela cor ou por qualquer outro elemento gráfico.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, observando a disposição das bandeiras, podemos identificar uma importante regionalização do espaço mundial, ao mesmo tempo que podemos inferir características históricas que talvez não fiquem explícitas a primeira vista.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejamos alguns exemplos.</p>
<h4>O quadricolor pan-árabe</h4>
<p><div id="attachment_2403" style="width: 1034px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-2403" loading="lazy" class="wp-image-2403 size-large" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-1-1-1024x727.png" alt="" width="1024" height="727" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-1-1-1024x727.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-1-1-300x213.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-1-1-768x546.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-1-1.png 1747w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-2403" class="wp-caption-text">Quadricolor pan-árabe</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">O quadricolor pan-árabe remonta da Revolta Árabe, que ocorreu no contexto da Primeira Guerra Mundial.</p>
<p style="text-align: justify;">Diversos povos da região do Oriente Médio se lançaram em uma guerra contra o Império Otomano, apoiados pelo Império Britânico e pela França. Em troca, as potências europeias concederiam aporte para a criação de um estado árabe unificado na região, o que, no fim das contas, não ocorreu.</p>
<p style="text-align: justify;">A bandeira da Revolta Árabe acabou servindo de base para a formulação dos estandartes de muitos países na região.</p>
<h4>O tricolor pan-eslavo</h4>
<p><div id="attachment_2404" style="width: 1034px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-2404" loading="lazy" class="wp-image-2404 size-large" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-2-1024x727.png" alt="" width="1024" height="727" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-2-1024x727.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-2-300x213.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-2-768x546.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-2.png 1747w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-2404" class="wp-caption-text">Tricolor pan-eslavo</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">O tricolor pan-eslavo nasce do movimento identitário conhecido como &#8220;pan-eslavismo&#8221;, criado no século XIX e que objetivava a união de todos os povos eslavos da Europa.</p>
<p style="text-align: justify;">As cores adotadas eram, na época, as usadas pelo Império Russo.</p>
<h4>Pan-africanismo</h4>
<p><div id="attachment_2407" style="width: 1034px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-2407" loading="lazy" class="wp-image-2407 size-large" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-3-1024x727.png" alt="" width="1024" height="727" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-3-1024x727.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-3-300x213.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-3-768x546.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-3.png 1747w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-2407" class="wp-caption-text">Família Pan-africana</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">Dois tricolores são adotados pelos países africanos para representar sua identidade coletiva: o verde-amarelo-vermelho e o vermelho-preto-verde.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro foi baseado nas cores da bandeira da Etiópia. O país, localizado no leste no continente, foi o único que não foi subjugado por alguma potência europeia durante o período do neocolonialismo, suscitando a admiração dos países que conquistaram sua independência após o período.</p>
<p style="text-align: justify;">O segundo tricolor foi definido pela Associação Universal para o Progresso Negro (AUPN) com o objetivo de representar a comunidade negra, inclusive a não-africana. Foi adotada oficialmente em 1920.</p>
<h4>Grã-Colômbia</h4>
<p><div id="attachment_2408" style="width: 1034px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-2408" loading="lazy" class="wp-image-2408 size-large" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-4-1024x727.png" alt="" width="1024" height="727" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-4-1024x727.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-4-300x213.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-4-768x546.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/06/familia-4.png 1747w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-2408" class="wp-caption-text">Família Grã-Colômbia</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">As bandeiras atuais de Equador, Colômbia e Venezuela são baseadas na antiga bandeira da República da Colômbia, ou Grã-Colômbia.</p>
<p style="text-align: justify;">Este país durou de 1821 até 1831, surgindo no contexto do desmantelamento da América Espanhola. O atual Panamá também fazia parte deste país.</p>
<h4>Família República Centro-Americana</h4>
<p><div id="attachment_2434" style="width: 1034px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-2434" loading="lazy" class="wp-image-2434 size-large" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/07/familia-5-1024x727.png" alt="" width="1024" height="727" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/07/familia-5-1024x727.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/07/familia-5-300x213.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/07/familia-5-768x546.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/07/familia-5.png 1747w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-2434" class="wp-caption-text">Família República Centro-Americana</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua têm suas bandeiras inspiradas na antiga República Federal Centro-Americana, país formado por estas nações, em conjunto com a Costa Rica, após a queda do Império Mexicano, ainda na primeira metade do século XIX.</p>
<h4>Cruz nórdica</h4>
<p><div id="attachment_2435" style="width: 1034px" class="wp-caption alignnone"><img aria-describedby="caption-attachment-2435" loading="lazy" class="wp-image-2435 size-large" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/07/familia-6-1024x727.png" alt="" width="1024" height="727" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/07/familia-6-1024x727.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/07/familia-6-300x213.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/07/familia-6-768x546.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/07/familia-6.png 1747w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><p id="caption-attachment-2435" class="wp-caption-text">Família Cruz Nórdica</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">A primeira bandeira a apresentar uma cruz nórdica &#8211; uma cruz deitada, com o eixo maior indo de uma extremidade a outra da bandeira &#8211; foi a da Dinamarca, conhecida como <strong>Dannebrog</strong>. Isto ainda no século XIII.</p>
<p style="text-align: justify;">Este mesmo padrão acabou sendo adotado por outros países da região, como Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia, com alterações de cor e, as vezes, inserindo uma linha em torno da cruz &#8211; como é o caso de Islândia, Noruega e também das Ilhas Faroe.</p>
<p style="text-align: justify;">Outras famílias que poderiam ser citadas são:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Cruzeiro do Sul: Constelação presente nas bandeiras de países austrais como Austrália, Nova Zelândia, Brasil e Papua Nova-Guiné;</li>
<li><em>Stars</em> and<em> stripes</em>: Bandeiras inspiradas na dos Estados Unidos da América, primeira república das Américas. É o caso de Chile e Libéria;</li>
<li>Vermelho comunista: Cor presente em boa parte dos países que adotaram o socialismo durante algum momento de sua história. Geralmente associado a uma estrela amarela. É o caso da antiga URSS, da China e do Vietnã.</li>
<li><a href="http://www.geografiaopinativa.com.br/2013/06/sol-de-maio-conheca-o-significado-do.html">Sol de Mayo</a>: Sol característico presente nas bandeiras de Uruguai e Argentina.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Estes são alguns exemplo de como a vexilologia, quando vista em seu sentido espacial, pode ir ao encontro do conhecimento geográfico. Esta mesma ideia é aplicável à heráldica (estudo dos brasões).</p>
<p style="text-align: justify;">Gostou da postagem? Deixe seu comentário.</p>
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		<title>O conflito entre Tutsis e Hutus</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2017 23:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[da População]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
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					<description><![CDATA[O conflito entre os povos tutsis e hutus foi mais um episódio da tensão criada pelo imperialismo das nações europeias na África. Este conflito, que ocorreu na pequena Ruanda, país localizado no centro do continente, resultou em seu ápice em um massacre que matou cerca de 800 mil pessoas em cerca de apenas cem dias. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O conflito entre os povos tutsis e hutus foi mais um episódio da tensão criada pelo imperialismo das nações europeias na África. Este conflito, que ocorreu na pequena Ruanda, país localizado no centro do continente, resultou em seu ápice em um massacre que matou cerca de 800 mil pessoas em cerca de apenas cem dias.</p>
<p style="text-align: justify;">Até o fim da Primeira Guerra Mundial, Ruanda era um protetorado da Alemanha. Com a derrota germânica no conflito, o país foi ocupado pela Bélgica, que tinha claros intuitos de, assim como todas as nações imperialistas da época, dominar os povos que lá viviam.</p>
<p style="text-align: justify;">Os tutsis e os hutus têm o mesmo idioma e se reconhecem a partir de uma mesma cultura. Porém, apresentam diferenciações físicas aparentes. Os hutus são de origem bantu, tem baixa estatura e características negróides. Habitavam a região onde atualmente é Ruanda há muitos séculos e atualmente constituem cerca de 84% da população ruandesa. No século XV, o povo tutsi, originário da Etiópia, invadiu e ocupou a região. Os tutsis têm a pele mais clara, embora ainda serem negros, traços mais finos e estatura maior. Atualmente constituem 14% da população do país.</p>
<p><div id="attachment_360" style="width: 1014px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-360" loading="lazy" class="wp-image-360 size-full" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/ruanda.png" alt="Localização geográfica de Ruanda" width="1004" height="617" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/ruanda.png 1004w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/ruanda-300x184.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/ruanda-768x472.png 768w" sizes="(max-width: 1004px) 100vw, 1004px" /><p id="caption-attachment-360" class="wp-caption-text">Localização geográfica de Ruanda</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">Em 1959, os belgas se articulam com a maioria hutu, que consegue retirar a monarquia tutsi do poder. Em 1962, dentro do processo de esfacelamento dos impérios neocoloniais, Ruanda conquista a independência sob o domínio hutu. Acuados, os tutsis fogem para países vizinhos, onde vão criar grandes campos de refugiados. Neste momento, mesmo sem a interferência belga, a rivalidade entre os dois povos já havia sido concretizada.Esta diferença física foi usada como pretexto para que os belgas inflamassem um povo contra o outro, com o objetivo de dominá-los de maneira mais fácil. Ao obterem os poderes sobre Ruanda, a Bélgica apoiou a minoria tutsi e concedeu a eles a administração política do país, ao mesmo tempo que subjugavam a maioria hutu. A administração belga chegou, inclusive, a marcar nos documentos de identificação ruandeses qual etnia cada habitante pertencia.</p>
<p style="text-align: justify;">O conflito passou a tomar formas ainda mais violentas a partir da década de 1990. Ao mesmo tempo que os tutsi, exilados nos países vizinhos de Ruanda, se organizavam na Frente Patriótica Ruandesa (FPR), com o objetivo de retomar o poder do país, o avião que levava o então presidente de Ruanda, Juvenal Habyarimana, da etnia hutu, é abatido por mísseis enquanto retornava de uma viagem até a Bélgica em busca de ajuda humanitária. O presidente do Burundi, país vizinho, também estava no avião e também foi vítima do acidente.</p>
<p style="text-align: justify;">O povo hutu acusou a FPR pelo assassinato. Este fato foi o estopim para uma onda de violência generalizada no país. Em meio ao conflito, foi organizado o grupo extremista hutu Interahmwe, que passou a inflamar a população hutu contra a minoria tutsi que habitava o país, especialmente através de estações de rádio, que tiveram papel importante na propagação do ódio em Ruanda.</p>
<p style="text-align: justify;">Dada esta configuração, iniciou-se um grande genocídio, que vitimou cerca de 800 mil tutsis em cerca de três meses de conflito. Cerca de duas milhões de pessoas da etnia tutsi fugiram para a República Democrática do Congo. A maioria dos assassinatos era feito com o uso de facões, instrumento comum nas casas do ruandeses. O nível de barbárie era tanto, que, além dos nomes dos mortos serem anunciados nas rádios do país, eram relativamente comuns casos onde, conforme e <a href="http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/04/140407_ruanda_genocidio_ms">BBC</a>, maridos matavam esposas e padres e freiras matavam aqueles que buscavam abrigo nas igrejas.</p>
<p><div id="attachment_361" style="width: 524px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-361" loading="lazy" class="wp-image-361 size-full" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Paul_Kagame.jpg" alt="Paul Kagame, ex-presidente de Ruanda" width="514" height="343" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Paul_Kagame.jpg 514w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/Paul_Kagame-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 514px) 100vw, 514px" /><p id="caption-attachment-361" class="wp-caption-text">Paul Kagame, ex-líder da FPR e atual presidente de Ruanda, em encontro com então presidente americano George W. Bush</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">O massacre foi finalizado quando o FPR, sob comando de Paul Kagame, ocupou a cidade de Kigali, capital de Ruanda, ao mesmo tempo que o exército francês, aliado do governo hutu, invadiu o sudoeste do país. Em 2003, Paul Kagame foi eleito presidente do país. Apesar de buscar a conciliação entre os dois povos, a eleição de Kagame provocou a migração de milhões de hutus para a República Democrática do Congo, entre eles, inclusive, alguns líderes extremistas da Interahmwe. Este fato levou Kagame a invadir duas vezes o país vizinho, acusando o governo local de proteger líderes hutus.</p>
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		<title>Socialismo utópico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Jan 2017 19:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
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					<description><![CDATA[O socialismo utópico nasce no século XIX, período onde a Europa passava por um momento de profundas transformações sociais. Era o período da Primeira Revolução Industrial, onde a produção e a circulação de capitais tornaram-se cada vez maiores, gerando riqueza em proporções nunca antes vistas, ao mesmo tempo que grande parcela da população, empregada nas [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O socialismo utópico nasce no século XIX, período onde a Europa passava por um momento de profundas transformações sociais. Era o período da Primeira Revolução Industrial, onde a produção e a circulação de capitais tornaram-se cada vez maiores, gerando riqueza em proporções nunca antes vistas, ao mesmo tempo que grande parcela da população, empregada nas fábricas, vivia em péssimas condições de trabalho. Nesta nova organização do mundo do trabalho, havia sido formada uma profunda desigualdade entre a classe dona dos meios de produção, conhecida como burguesia, e a classe que vendia sua força de trabalho, o proletariado.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste sentido, um grande número de pensadores, em especial das áreas das ciências sociais, começou a propor novos modelos de organização social com o objetivo de formar uma sociedade mais justa. Dentre estes pensadores, a maioria filósofos, destacou-se uma primeira corrente, conhecida como <strong>socialismo utópico</strong>, que propunha, através do domínio da ciência, da técnica e do esclarecimento coletivo, a reorganização das bases da sociedade vigente, partindo de uma reflexão conjunta de todos os seus membros, inclusive da classe dominante. Ao mesmo tempo, estes filósofos não propunham maneiras ou mecanismos para atingir de forma prática esta nova realidade, contentavam-se apenas em idealizá-la.</p>
<table class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;" cellspacing="0" cellpadding="0" align="center">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a style="margin-left: auto; margin-right: auto;" href="https://2.bp.blogspot.com/-CL7LarL43Ek/WI5BGNRuCaI/AAAAAAAADyY/FXZIj4f0XqgCS_c5VFcruzmmRCY6H_BSwCLcB/s1600/robert-owen.jpg"><img loading="lazy" class="alignnone" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/robert-owen.jpg" alt="Robert Owen, um dos mais importantes pensadores do socialismo utópico." width="253" height="320" border="0" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Robert Owen, um dos mais importantes socialistas utópicos</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;">O adjetivo &#8220;utópico&#8221; para esta corrente foi dado pelo também socialista Friedrich Engels e deriva do título do clássico livro de Thomas Morus, &#8220;Utopia&#8221;, escrito no século XVI. Engels, ao denominar este tipo de socialismo como utópico, pretendia traçar um limite claro entre esta corrente de pensamento e a teoria, criada por ele em conjunto com o alemão Karl Marx, denominada socialismo científico. Para ele, a criação de uma nova sociedade partiria de uma revolução que rompesse com os domínios da classe burguesa e instaurasse uma ditadura do proletariado.</p>
<p style="text-align: justify;">Os principais expoentes do socialismo utópico foram os franceses Charles Fourier e Claude Saint-Simon e o inglês Robert Owen.</p>
<p style="text-align: justify;">Charles Fourier propunha que a sociedade deveria se organizar em pequenas comunidades, onde a busca pelo bem-estar estaria acima da competição e do lucro. Algumas tentativas para a criação de Falanstérios foram feitas. Nos EUA, até meados do século XIX, existiam dezenas de comunidades do tipo. No Brasil, o Falanstério do Saí, nas proximidades de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, persistiu até o fim do século XIX. Saint-Simon, também francês, nasceu em família nobre. Acreditava que o avanço da ciência traria a prosperidade para o mundo. Ela seria o vetor responsável pela transformação das relações laborais, familiares e religiosas e por impulsionar os fluxos comerciais e financeiros no mundo, diminuindo as desigualdades.</p>
<p style="text-align: justify;">Robert Owen era proprietário de uma fiação nas proximidades de Glasgow, na Escócia. Tentando servir de exemplo para sua teoria, Owen propôs uma série de reformas nas relações de trabalho dentro de sua fábrica.  Aumentou os salários dos empregados, fundou escolas para as crianças, proibiu o trabalho infantil e melhorou os alojamentos dos trabalhadores. Suas reformas foram importantes para a luta por melhores condições de trabalho na Inglaterra posteriormente.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>As guerras do Líbano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Jan 2017 01:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
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		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
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					<description><![CDATA[O Líbano é o país com maior diversidade religiosa do Oriente Médio. Após o fim da colonização francesa no país, a paz foi mantida através de uma divisão proporcional do poder pelos três maiores grupos religiosos, respectivamente: os cristãos, os muçulmanos sunitas e os muçulmanos xiitas. Através de um recenseamento feito pelos franceses, definiu-se que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O Líbano é o país com maior diversidade religiosa do Oriente Médio. Após o fim da colonização francesa no país, a paz foi mantida através de uma divisão proporcional do poder pelos três maiores grupos religiosos, respectivamente: os cristãos, os muçulmanos sunitas e os muçulmanos xiitas. Através de um recenseamento feito pelos franceses, definiu-se que os cristãos teriam o direito ao cargo de presidência do país, os muçulmanos sunitas escolheriam o primeiro-ministro e os muçulmanos xiitas o cargo de presidente do parlamento. Este acordo, que teve início em 1943, ficou conhecido como Pacto Nacional e garantiu a estabilidade política do país durante algumas décadas.</p>
<p><div id="attachment_383" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-383" loading="lazy" class="wp-image-383 size-full" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/LC3ADbano.png" alt="" width="640" height="377" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/LC3ADbano.png 640w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/LC3ADbano-300x177.png 300w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /><p id="caption-attachment-383" class="wp-caption-text">Localização geográfica do Líbano</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">Esta estabilidade começa a ser abalada a partir da década de 1970. Os muçulmanos reivindicavam maior participação no poder do país, visto que a quantidade numérica deste grupo começou a aumentar muito, por conta de razões naturais, mas também pela migração de islamitas refugiados das regiões dominadas pelos israelenses. Os muçulmanos, assim, pediam a realização de um novo recenseamento e, a partir dele, uma reorganização da divisão dos poderes no país.</p>
<p><div id="attachment_384" style="width: 330px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-384" loading="lazy" class="wp-image-384 size-full" src="http://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/libano_regiliao_hoje.png" alt="" width="320" height="259" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/libano_regiliao_hoje.png 320w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/libano_regiliao_hoje-300x243.png 300w" sizes="(max-width: 320px) 100vw, 320px" /><p id="caption-attachment-384" class="wp-caption-text">População libanesa por religião em 2012. Dados: CIA World Factbook.</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">Outro fator importante a ser levantado é que, no recenseamento original, que ocorreu em 1932 por intermédio das forças colonizadoras francesas, haveria ocorrido uma distorção dos dados, com objetivo de concentrar o poder do país nas mãos dos cristãos maronitas, mais próximos culturalmente da França.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Primeira Guerra do Líbano (1975-1990)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Desta forma, um ambiente de radicalismo facilmente foi instaurado no país. De um lado, as forças cristãs alinhadas ideologicamente à direita política e apoiadas pelo Estado de Israel, que rejeitavam a possibilidade de uma reorganização das estruturas políticas do país, de outro, as forças de esquerda druso-muçulmanas, que defendiam uma melhor divisão do poder. O estopim para o conflito aconteceu em 1975, quando um ônibus com passageiros muçulmanos foi atacado pelo Partido Falangista, de alinhamento cristão. Estava iniciada a <strong>Primeira Guerra do Líbano (1975-1990)</strong>, que colocou cristãos e muçulmanos em lados opostos e teve um saldo de milhares de mortes.</p>
<p style="text-align: justify;">Um elemento importante desta guerra foi a ação do Estado de Israel. Por volta de 1982, enquanto o conflito interno libanês estava a todo vapor, Israel envia tropas para expulsar a OLP, importante grupo palestino, do Líbano. O resultado foi obtido com êxito após dois meses de intensos bombardeios ao grupo rival. Israel retirou suas tropas, mantendo ocupação, porém, em uma estreita faixa no sul do país, chamada de &#8220;Zona de Segurança&#8221;. Dentro deste contexto, o alinhamento dos cristãos libaneses com os israelenses ficou ainda mais evidente, principalmente com o massacre civil realizado pelo primeiro grupo, com aval de Israel, nos acampamentos palestinos de Sabra e Chatila.</p>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.geografiaopinativa.com.br/2017/12/questao-palestina.html"><em>Questão palestina</em></a></p>
<p style="text-align: justify;">Outro país fortemente envolvido neste primeiro conflito foi a Síria. Durante o domínio otomano na região, Síria e Líbano constituíam uma só província, sendo separadas após o esfacelamento do império e o início do controle francês. Assim, a Síria sempre teve interesses no controle sobre o país vizinho. Em 1976, ainda no início da guerra, o governo sírio de Hafez al-Assad invadiu o Líbano em prol dos maronitas, rompendo uma aliança que tinha com os muçulmanos. Mudando de lado várias vezes na guerra, o país conseguiu aumentar cada vez mais sua influência sobre o Líbano.</p>
<p style="text-align: justify;">A intervenção síria foi, em partes, responsável pelo fim do primeiro conflito, com a assinação do Tratado de Irmandade, Cooperação e Coordenação entre os dois países em 1991, onde o exército sírio sustentaria uma frágil paz entre os grupos rivais libaneses. A retirada das tropas sírias no país ocorreu em 2005, após protestos populares e a morte de Hafez. Além disso, houve um aumento do poder político do primeiro-ministro muçulmano, uma das resoluções pretendidas pelos islâmicos do país. A capital do país, Beirute, porém, nesta altura, estava arrasada, e a sua economia estava profundamente abalada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Segunda Guerra do Líbano (2006)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 1982, enquanto Israel ocupava o sul do Líbano, surgiu um grupo extremista voltado à resistência contra a invação israelense, denominado <strong>Hezbollah</strong>. Este grupo, de orientação xiita, em 2006, promoveu uma série de ataques à Israel, envolvendo sequestros e bombardeios. O país de maioria judia respondeu com a mesma força. O conflito durou cerca de um mês e matou cerca de 1.500 pessoas, além de aprofundar ainda mais as cicatrizes econômicas e políticas deixadas pelo conflito anterior. O cessar-fogo foi intermediado pela ONU.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/xiitas-e-sunitas.html">Entenda a diferença entre xiitas e sunitas. Clique aqui.</a></em></p>
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