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	<title>Industrial &#8211; Geografia Opinativa</title>
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	<title>Industrial &#8211; Geografia Opinativa</title>
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		<title>Fontes de Energia Não-Renováveis: Petróleo, Carvão Mineral e Gás Natural</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2020 18:56:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
		<category><![CDATA[carvão]]></category>
		<category><![CDATA[como é formado o carvão?]]></category>
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					<description><![CDATA[As fontes de energia são fundamentais para o funcionamento do modo de produção atual. É a partir delas que podemos obter energia para o funcionamento de fábricas, para o aquecimento e iluminação de residências ou para a movimentação de veículos, como carros e caminhões. Atualmente, no mundo, as principais fontes de energia são aquelas não-renováveis. [&#8230;]]]></description>
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<p>As fontes de energia são fundamentais para o funcionamento do modo de produção atual. É a partir delas que podemos obter energia para o funcionamento de fábricas, para o aquecimento e iluminação de residências ou para a movimentação de veículos, como carros e caminhões.</p>



<p>Atualmente, no mundo, as principais fontes de energia são aquelas não-renováveis. Energia não renováveis são aquelas que não são capazes de ser renovadas dentro do tempo biológico. Isto quer dizer que se uma jazida se esgota, a única maneira de manter a oferta energética é explorando outra.</p>



<p>Existem três principais fontes de energia não-renováveis no mundo, conhecidas também como fontes de energia fósseis: o petróleo, o carvão mineral e o gás natural.</p>



<h2>Petróleo</h2>



<p>O petróleo é a principal fonte energética do mundo atual. Corresponde a 32% da matriz energética mundial.</p>



<h3>Formação</h3>



<p>O petróleo é de origem orgânica e teve sua formação no Mesozóico, há 65 milhões de anos.</p>



<p>Formou-se nos oceanos, onde o esqueleto de animais mortos e de plantas acumularam-se no assoalho marinho. Em seguida, houve um processo de sedimentação, que encobriu estes restos orgânicos. Assim, bactérias anaeróbicas (que não respiram oxigênio) passam a decompor aquele material e, associado a condições de temperatura e pressão, formam o petróleo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img width="836" height="169" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_petroleo.png" alt="Processo de formação do petróleo" class="wp-image-4757" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_petroleo.png 836w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_petroleo-300x61.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_petroleo-768x155.png 768w" sizes="(max-width: 836px) 100vw, 836px" /><figcaption>Processo de formação do petróleo</figcaption></figure>



<p>Através dos movimentos da crosta terrestre, o petróleo formado pode ser levado para regiões diferentes daquela onde se formou. Assim, o petroléo é levado para rochas porosas, onde é armazenado, formando jazidas.</p>



<h3>Refino</h3>



<p>O petróleo, após ser extraído, necessita de um processo de refino para ser comercializado. É através do refino que são gerados os derivados do petróleo, como o óleo diesel, o GLP e o querosene.</p>



<p>O refino ocorre em locais conhecidos como refinarias.</p>



<p>Nestes locais, o petróleo bruto é colocado em uma coluna de fracionamento, onde é aquecido, vaporizado e liquefeito, gerando seus derivados em cada porção da coluna.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="132" height="353" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/foto_eu.png" alt="Coluna de fracionamento" class="wp-image-4758" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/foto_eu.png 132w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/foto_eu-112x300.png 112w" sizes="(max-width: 132px) 100vw, 132px" /><figcaption>Coluna de fracionamento</figcaption></figure></div>



<p>Indo das porções mais baixas para as mais altas, o petróleo é transformado em: asfalto, óleo lubrificante, óleo combustível, querosene, gasolina e GLP. A qualidade do petróleo pode ser definida pela capacidade de gerar o maior número de derivados no fracionamento.</p>



<h3>Produção e consumo</h3>



<p>O petróleo é caracterizado pela concentração em sua produção e localização das jazidas e pela concentração no seu consumo.</p>



<p>O país que <strong>detém as maiores jazidas de petróleo é a Venezuela</strong>. Ainda na América, jazidas importantes são encontradas no México, especialmente no Golfo do México, e no Canadá.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="539" height="243" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_producao.png" alt="Jazidas petrolíferas no mundo, por país" class="wp-image-4755" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_producao.png 539w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_producao-300x135.png 300w" sizes="(max-width: 539px) 100vw, 539px" /><figcaption>Jazidas petrolíferas no mundo, por país</figcaption></figure></div>



<p>Na Eufrásia, jazidas importantes são encontradas na China, Rússia, Oriente Médio (Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, entre outros), na Nigéria e na Líbia.</p>



<p>Todavia, quando analisamos a <strong>produção</strong>, o cenário é diferente. O maior produtor de petróleo do mundo são os EUA, seguidos da Rússia e da Arábia Saudita. A Venezuela está apenas na 12º posição.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="537" height="243" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_consumo.png" alt="Consumo de petróleo no mundo, por país" class="wp-image-4754" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_consumo.png 537w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_consumo-300x136.png 300w" sizes="(max-width: 537px) 100vw, 537px" /><figcaption>Consumo de petróleo no mundo, por país</figcaption></figure></div>



<p>Já o <strong>consumo </strong>é principalmente feito nos países desenvolvidos. Estes países importam petróleo dos países produtores. Destaque para EUA, Europa, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia.</p>



<h3>Petróleo e Geopolítica</h3>



<p>O fato do petróleo ser a fonte energética mais importante do mundo, associado às jazidas estarem localizadas de maneira muito desigual, acaba por determinar questões geopolíticas de relevo.</p>



<p>Até os anos 1960, a produção mundial de petróleo era controlada por sete empresas, todas elas europeias ou americanas: Exxon, Mobil, Texaco, Amoco, Shell, BP e Chevron. Conhecidas como &#8220;sete irmãs&#8221;, este <strong>cartel</strong> comandava a oferta do petróleo, controlando seu preço mundial.</p>



<p>Todavia, os governos de países produtores de petróleo, para se opor e rivalizar com as sete irmãs, criaram a <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2019/05/a-organizacao-dos-paises-exportadores-de-petroleo-opep.html">Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)</a>, que passaram, a partir dos anos 1970, a estabelecer cotas de produção, controlando a demanda e os preços.</p>



<p>Uma data é particularmente relevante nesta década. No ano de 1973 ocorreu o choque do petróleo, quando os países da OPEP decidiram, propositalmente, aumentar bruscamente o preço do petróleo, causando uma crise mundial com impacto por muitos anos.</p>



<p>Este aumento foi decorrente do apoio dos EUA a Israel na Guerra de Yom-Kippur. Como boa parte dos países da OPEP são árabes, o choque foi uma resposta à ofensiva militar americana. Este fato demonstrou a força política da OPEP.</p>



<p>Este fato incentivou os países desenvolvidos a buscarem alternativas na produção do petróleo. Nos EUA, este resposta veio pela exploração do gás de xisto.</p>



<h2>Carvão</h2>



<p>O carvão foi a primeira fonte de energia utilizada para fins de industrialização. Foi a principal fonte energética da Primeira Revolução Industrial e compunha a maior parte da matriz elétrica mundial até a Segunda Revolução Industrial.</p>



<p>Ainda hoje, a importância do carvão é inegável: é a principal fonte da matriz elétrica energética mundial, sendo utilizada em usinas termelétricas.</p>



<h3>Formação</h3>



<p>Assim como o petróleo, o carvão é tem origem orgânica. Foi formado há 250 milhões de anos, especialmente durante o carbonífero, na era Paleozoica.</p>



<p>A formação do carvão necessita de duas condições básicas: a existência de uma cobertura vegetal densa e a inundação desta por água. Ambientes pantanosos foram, inclusive, os que mais propiciaram a formação de jazidas carboníferas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" width="847" height="164" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_carvao.png" alt="Processo de formação do carvão mineral" class="wp-image-4756" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_carvao.png 847w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_carvao-300x58.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_carvao-768x149.png 768w" sizes="(max-width: 847px) 100vw, 847px" /><figcaption>Processo de formação do carvão mineral</figcaption></figure>



<p>Estas florestas, então, foram sepultadas por processos de sedimentação. Com a ação da temperatura e da pressão, formaram-se rochas com alto teor de carbono, o carvão.</p>



<h3>Tipos de carvão</h3>



<p>Na prática, carvão é o nome genérico que damos a rochas com elevado teor de carbono. A depender da quantidade de carbono existente na rocha, podemos classificá-las em quatro tipos principais, daquele com maior concentração de carbono para o com menor: antracito, hulha, linhito e turfa.</p>



<p>A existência do carbono irá definir o poder calorífero da rocha, tendo em vista que são nas ligações entre moléculas de carbono que obtemos energia. Assim, o antracito, por exemplo, é o tipo de carvão com mais capacidade energética, enquanto a turfa tem a menor capacidade.</p>



<p>Apesar de ser, teoricamente, o melhor tipo de carvão, o antracito é pouco encontrado em jazidas. A maior parte das reservas mundiais são de hulha.</p>



<h3>Aplicações</h3>



<p>Quando o assunto é fonte de energia, o carvão encontra sua principal aplicação nas termelétricas. A queima do carvão é responsável pelo aquecimento de tambores de água. Esses, quando aquecidos, geram vapor, que, por sua vez, girarão uma turbina. Um gerador, ligado a turbina, transformará a energica cinética do movimento das hélices em energia elétrica. </p>



<p>Além disso, o carvão tem usos como matéria-prima na indústria. Nas siderurgias, por exemplo, indústrias de fabricação de aço, o carvão é usado em reação química com o minério de ferro, de modo a obter o ferro metálico.</p>



<p>O carvão ainda é utilizado na indústria química.</p>



<p>Todavia, em todas estas aplicações, o uso do carvão envolve o lançamento de CO2 à atmosfera, principal gás responsável pelo efeito estufa. Logo, o carvão mineral é uma fonte energética muito poluente.</p>



<p>Além disso, do ponto de vista econômico, o carvão é menos interessante que o petróleo, tendo em vista que seu transporte é mais caro.</p>



<h2>Gás Natural</h2>



<p>O gás natural é um combustível fóssil formado de maneira associada ao petróleo. Suas jazidas, logo, geralmente estão juntas com jazidas petrolíferas.</p>



<p>O gás natural tem ganhado atenção nos últimos anos e países como o Brasil tem apostado nele para diversificar a matriz energética nacional. A construção do gasoduto Brasil-Bolívia, por exemplo, fez parte de um planejamento de aumentar o uso desta fonte no país.</p>



<p>Um fator positivo para o uso de gás natural é o fato dele ser menos poluente que o carvão mineral e que o petróleo. Tem a principal aplicação nas termelétricas, onde é um bom substituto do óleo diesel e do carvão.</p>



<p>Todavia, seu transporte é mais difícil. Por ser um gás, levá-lo de um lado a outro depente da construção de dutos com quilômetros de extensão: os chamados gasodutos.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="253" height="170" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/gasoduto.png" alt="Gasoduto" class="wp-image-4753"/><figcaption>Gasoduto</figcaption></figure></div>



<p>Na Europa, países como Espanha, Itália e Alemanha recebem gás natural por extensos gasodutos que vêm da Rússia, maior produtor mundial. Países Ásia Central e Oriente Médio também destacam-se na produção desta fonte energética.</p>



<p>Se interessou pelo assunto? Assista o vídeo em nosso canal:</p>



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		<item>
		<title>Industrialização Brasileira: entre avanços e recuos na formação de uma soberania nacional</title>
		<link>https://www.geografiaopinativa.com.br/2020/04/industrializacao-brasileira-entre-avancos-e-recuos-na-formacao-de-uma-soberania-nacional.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2020 14:58:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[O Brasil é um país de industrialização tardia, isto é, começou seu amplo processo de industrialização a partir da Segunda Guerra Mundial. De lá até os dias atuais, diversos foram os momentos onde viram-se períodos de profundos avanços em passos largos no estabelecimento de um parque industrial próprio, intercalados por períodos de quebra de um [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Brasil é um país de industrialização tardia, isto é, começou seu amplo processo de industrialização a partir da Segunda Guerra Mundial.</p>



<p>De lá até os dias atuais, diversos foram os momentos onde viram-se períodos de profundos avanços em passos largos no estabelecimento de um parque industrial próprio, intercalados por períodos de quebra de um projeto nacional e subserviência às elites do centro do sistema capitalista.</p>



<p>Ler: <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2016/07/os-ciclos-de-kondratiev.html">Ciclos de Kondratiev</a>.</p>



<p>A relação entre indústria e soberania nacional é, válido lembrar, bastante clara.</p>



<p>Ao edificar um parque industrial próprio, dotado de ferramentas logísticas ágeis, um país pode vislumbrar abandonar as amarras do imperialismo impostas pelos países do centro do sistema, promovendo uma melhora endógena (de dentro para fora) do poder de compra e da qualidade de vida da sua população.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="463" height="307" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/industria_personagens-1.png" alt="Personagens importantes para a industrialização brasileira. Da esquerda para direita: Barão de Mauá, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Ernesto Geisel e Luis Inácio Lula da Silva" class="wp-image-4698" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/industria_personagens-1.png 463w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/industria_personagens-1-300x199.png 300w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" /><figcaption>Personagens importantes para a industrialização brasileira. Da esquerda para direita: Barão de Mauá, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Ernesto Geisel e Luis Inácio Lula da Silva</figcaption></figure></div>



<p>Neste texto, mostraremos algumas fases deste processo de industrialização nacional, desde a simples edificação do parque industrial até o que as políticas econômicas fizeram com os mesmos, propondo ampliações e encolhimentos.</p>



<h2><strong>Uma industrialização iniciada pelo “teto”</strong></h2>



<p>Até a independência, em 1822, indústrias no país eram, em geral, proibidas, pois poderiam significar concorrência com os produtos produzidos em Portugal. Os bens necessários eram, então, importados de outros países.</p>



<p>Mesmo após sair do domínio político da Metrópole, demorou algumas décadas até o surto de industrialização chegar ao nosso país. Nesse primeiro momento, destaque para as tentativas de Barão de Mauá, magnata que aplicou esforços em projeto de industrialização nacional.</p>



<p>O ponto de inflexão ocorre a partir de 1929, onde o mundo capitalista entra em uma crise de superprodução, que provocou a quebra da bolsa de Nova Iorque.</p>



<p>Neste momento, os fluxos comerciais entre países diminuíram bruscamente. Portanto, o volume de exportação de café também caiu a índices muito baixos. Ao mesmo tempo, também tornou-se mais difícil para o Brasil importar os produtos industrializados necessários por aqui.</p>



<p>Assim, os barões do café, que viam seus lucros caírem, passaram a promover um processo chamado de <strong>substituição de importações</strong>, isto é, passaram a investir em indústrias que produziam aqui o que era importado.</p>



<p>Existe uma discussão acadêmica se, de fato, foram os barões de café o grupo responsável por promover amplamente o início da industrialização nacional. Isto pois os imigrantes europeus, que para nosso país vieram entre os séculos XVIII e XIX, também se lançaram em iniciativas industriais. Além de já trazerem <em>“o capitalismo nos ossos”</em> das potências europeias, produziam nas fazendas bens de consumo como sapatos, botas, vestimentas, ferramentas, etc.</p>



<p>Então, vale ressaltar: internamente, o Brasil passou a produzir <strong>BENS DE CONSUMO NÃO-DURÁVEIS</strong>. Estava iniciada a industrialização nacional que, todavia, iniciava-se pelo “teto” e não pela “base”.</p>



<h2><strong>Era Vargas: montam-se as bases da industrialização brasileira</strong></h2>



<p>Getúlio Vargas sobe ao poder em meados de 1930 através de uma revolução e passa a promover um grande esforço de industrialização nacional.</p>



<p>Seu primeiro governo, que durou até 1945, atravessou um período peculiar da história mundial: a Segunda Guerra Mundial. E se a crise de 1929 significou uma queda na circulação global de mercadorias, a Segunda Guerra significou uma continuidade e um aprofundamento deste processo.</p>



<p>Getúlio Vargas, portanto, deu continuidade ao processo de substituição de importações. O foco aqui, porém, era outro: a indústria de base.</p>



<p>Tal indústria é a base para a industrialização de qualquer país. Dentre os segmentos que ela contempla, cita-se a geração de energia, a mineração, a siderurgia, a metalurgia, etc.</p>



<p>O período foi marcado pela edificação de grandes empresas públicas, dentre elas a Petrobrás (petróleo), a Companhia Siderúrgica Nacional (siderurgia), a Vale do Rio Doce (mineração), entre outras.</p>



<p>Muitas destas empresas, vale lembrar, foram criadas com auxílio do capital estrangeiro. A CSN, por exemplo, foi criada com ajuda americana. Estas ajudas eram troca pela aproximação do Brasil com os aliados durante a Guerra.</p>



<p>O fato do Estado ser o principal responsável pela edificação deste tipo de indústria não é, todavia, sem motivos. Este tipo de setor exige um aporte financeiro muito elevado e com retorno em longo prazo. Logo, não é interessante para empresários individuais aportarem este tipo de segmento.</p>



<p>Além de seus esforços de industrialização, Vargas ficou conhecido pelos avanços no que diz respeito as leis trabalhistas. Foi o presidente responsável pela instauração da Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT.</p>



<p>Em resumo, instaurava-se no país a <strong>INDÚSTRIA DE BASE.</strong></p>



<h2><strong>Kubitschek: finaliza-se o tripé econômico</strong></h2>



<p>Juscelino Kubitschek, o JK, sobe ao poder com o plano de desenvolver o Brasil “50 anos em 5”.</p>



<p>Dentre suas principais políticas industrializantes, destaca-se o Plano de Metas, que era composto por uma série de planos que buscavam desenvolver áreas específicas do país, como agricultura, educação, integração e indústria.</p>



<p>Se, em cenário nacional, as indústrias de bens de consumo não-duráveis e de base já tinham parques consolidados, JK passou a criar condições para atrair para o Brasil indústrias de <strong>BENS DE CONSUMO DURÁVEIS</strong>, como a automobilística.</p>



<p>Tal prática pode ser enquadrada naquilo que chamados de tripé econômico. Este tripé seria composto por:</p>



<p>&#8211; Indústria de bens não-duráveis, nas mãos do capital privado nacional;</p>



<p>&#8211; Indústria de base, nas mãos do capital estatal;</p>



<p>&#8211; Indústria de bens duráveis, <strong>nas mãos do capital privado estrangeiro</strong>.</p>



<p>É neste período, por exemplo, que são instaladas no Brasil montadores de empresas de países do centro do sistema capitalista, como Estados Unidos e Alemanha. A fábrica da Volkswagen é um exemplo.</p>



<p>O governo JK ocorreu durante o período da Guerra Fria, embate político, econômico e ideológico entre EUA e URSS, Capitalismo e Socialismo. O apoio do Brasil ao lado capitalista tem uma relação muito íntima com a inserção da indústria automobilística em território nacional: o carro é símbolo da liberdade, do indivíduo e do individualismo, em contraposição ao transporte coletivo, de massas.</p>



<p>Este cenário resultou na adesão do país a um modelo rodoviarista. JK criou rodovias importantes como a Belém-Brasília. Foi fundador também de Brasília, nova capital nacional.</p>



<h2><strong>O “milagre” dos militares</strong></h2>



<p>Em 1964 o até então presidente do Brasil, João Goulart, sofre um golpe militar. A partir deste ano e até 1985, o país passou a ser governado por uma série de presidentes militares escolhidos sem voto popular.</p>



<p>O período, a despeito de ter sido marcado por uma série de políticas de cerceamento de liberdades civis, por perseguições e assassinatos, foi marcado também por um profundo desenvolvimento econômico, com taxas de crescimento do PIB que chegaram a 14% ao ano.</p>



<p>Era o período do “milagre econômico” brasileiro.</p>



<p>Diversas foram as obras de infraestrutura criadas pelos governos militares. Tal obras, conhecidas como “obras faraônicas” por apresentarem grande tamanho e impacto, promoveram passos importantes no desenvolvimento nacional. Foi no período que foram criadas a Usina Hidrelétrica de Itaipu, a Ponte Rio Niterói, as Usinas Nucleares de Angra I e Angra II, e a Transamazônica, até hoje não concluída.</p>



<p>Essas grandes obras públicas estimulavam a criação de empregos, levando a índices de desemprego em geral baixos no país. Todavia, o tipo de emprego exigido era de baixa qualificação que, por consequência, pagava baixos salários. Logo, embora vivesse uma situação de pleno emprego, pouco se avançou em sentido de distribuição de renda e de melhora das condições sociais do país no período.</p>



<p>Nas palavras de Delfim Neto, era necessário primeiro o bolo da economia crescer, para depois ser dividido.</p>



<p>Estas grandes obras públicas, todavia, foram feitas com gigantescos empréstimos provenientes de organizações supranacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Isto endividou o Estado brasileiro e trouxe um incremento muito grande da inflação.</p>



<p>A partir de 1974, o mundo sobre uma nova crise causada pelo aumento do preço do petróleo pelos países da OPEP. O Brasil, que até então vivia anos de pleno crescimento do PIB, vê sua economia caminhar a passos largos para recessão.</p>



<p>Rompia então o aparato que dava sustentação ao governo militar. O Brasil, a partir de 1985, entra em um período de redemocratização que, todavia, não conseguiu estancar a crise nacional.</p>



<h2><strong>Anos 80 e 90: A ‘década perdida’, a desindustrialização e o neoliberalismo</strong></h2>



<p>Os anos 1980 marcam um período de profunda crise econômica no Brasil. A economia nacional viva períodos de altas inflações e dificuldade das indústrias em manterem sua produtividade e sua margem de lucro.</p>



<p>Os juros da dívida externa, criada desde o período JK e reforçada nos governos militares, pesavam cada vez mais no orçamento público da união, deixando pouca margem a política industrializantes.</p>



<p>Apesar da crise, houveram alguns avanços no período. A Zona Franca de Manaus foi concluída, foram criados a EMBRAPA e o programa Proálcool, que pretendia reduzir a dependência da matriz energética do Brasil do petróleo.</p>



<p>É o período de planos econômicos que tentaram, sem sucesso, ‘salvar’ a economia nacional da recessão. Todos fracassados. Dentre eles, o Plano Verão, Plano Bresser e Plano Sarney.</p>



<p>Este cenário só foi alterado a partir de 1994, com a criação do Plano Real.</p>



<p>O Plano Real foi capaz de diminuir drasticamente a inflação, embora também tenha trazido problemas. Dentre eles, guiou o investimento para o mercado especulativo, reduzindo a parcela do dinheiro dedicado ao investimento produtivo (em fábricas) e, ao propor um câmbio valorizado (a moeda nacional chegou a valer mais que o dólar), prejudicava a exportação, tão importante para diversas indústrias da época.</p>



<p>A década de 1990 também é marcante pela ascensão do <em>neoliberalismo</em>. Tal doutrina, que tem como principais defensores políticos Margareth Tatcher e Ronald Reagan, preconizava uma cartilha de liberalização econômica para a América Latina. Os Estados Nacionais não deveriam influenciar na economia, deixando as regras do mercado autorregularem-se.</p>



<p>No Brasil, os principais expoentes desta política foram os presidentes Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Em seus governos, diversas empresas públicas foram privatizadas: a Vale do Rio Doce, que tornou-se Vale, a Light, a Telebras, a CSN, dentre tantas outras.</p>



<p>No período, também ocorreu um processo de desconcentração industrial. Com a constituição de 1988, os estados da federação passaram a poder decidir as próprias tarifas. Isto abriu margem para uma guerra fiscal, onde cada estado oferecia vantagens fiscais, como isenção de impostos, para atrair determinada empresa.</p>



<h2><strong>Volta o Nacional-Desenvolvimentismo: Lula e Dilma</strong></h2>



<p>Em 2003, o operário Luís Inácio Lula da Silva torna-se presidente do Brasil. Eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o agora presidente defendia uma cartilha focada na distribuição de renda e valoração da indústria nacional. Além do bolo crescer, ele agora seria dividido.</p>



<p>Era o retorno do que chamamos de nacional-desenvolvimentismo, abandonado desde a eleição de Collor, prática política pautada no fortalecimento da indústria nacional e a criação de um projeto nacional de desenvolvimento.</p>



<p>Entre 2003 e 2013, o Brasil voltou a presenciar altas taxas de crescimento de PIB, acompanhados por melhoramentos dos indicadores sociais. Empresas brasileiras passaram a atuar não só dentro do território nacional, como também em toda América Latina e até mesmo no centro do sistema capitalista.</p>



<p>O Brasil assumia protagonismo dentro do BRICS e do Mercosul.</p>



<p>Muito do crescimento nacional no período foi, válido salientar, influenciado pelos altos preços das <em>commodities</em>.</p>



<p><em>Commodities</em> são produtos vendidos em larga escala, de características uniformes e que contam com valor definido pelo mercado financeiro global, especialmente a Bolsa de Chicago. Dentre eles, citam-se a soja, o café e o petróleo.</p>



<p>Como grande exportador deste tipo de produto, o Brasil viu sua balança comercial atingir índices bastante favoráveis, especialmente pelas grandes compras de países como a China, cujo volume de vendas aumentou 500% entre 2005 e 2011.</p>



<p>Do ponto de vista social, o poder de compra do brasileiro foi incrementado através de programas sociais como o Fome Zero e o Bolsa Família. Ainda, destacam-se programas sociais como o Minha Casa Minha Vida, que, a despeito das críticas que sofreu, proporcionou o acesso de famílias a casa própria e fortaleceu construtoras nacionais, o ProUni e a criação de universidades e institutos federais, que proveu a indústria de mão-de-obra qualificada.</p>



<p>Com a reeleição da sucessora de Lula, Dilma Roussef, em 2014, este cenário passou a mudar. Em plano econômico, houve a queda dos preços das <em>commodities</em> e o início da desaceleração chinesa. Com a pressão de grandes organizações supranacionais, o governo passou a adotar uma cartilha menos progressista e desenvolvimentista. Isto é bem ilustrado com a escolha de um economista conservador – Joaquim Levy – para o Ministério da Fazenda.</p>



<p>Em 2013, eclodem manifestações em todo Brasil que lançam o país em uma crise de representatividade política. No ano seguinte, as eleições foram marcadas por um profundo cenário de polarização. Em 2016, com os avanços das investigações de denúncias de corrupção contra Lula, principal nome do partido, e da lava-jato, ocorre uma ainda maior desestabilização das bases do governo. A partir daí, a base da presidente passa a ser cada vez mais pulverizada, culminando em seu processo de <em>impeachment</em>.</p>



<p>Neste cenário, temos o reaparecimento de forças da direita nacional. De 2016 até hoje, vivemos um período de retorno das políticas liberalizantes que marcaram o país entre os anos 1980 e 1990. O Estado passa a intervir menos na economia e as políticas sociais e a indústria nacional são deixadas de lado em prol de uma cartilha de venda de empresas nacionais a grupos estrangeiros.</p>



<p></p>
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		<title>Tigres Asiáticos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Jun 2019 19:29:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ásia Central e Extremo Oriente]]></category>
		<category><![CDATA[do Comércio e Serviços]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[Tigres Asiáticos é a denominação dada a um conjunto de países do leste da Ásia cuja industrialização aconteceu tardiamente, através da formação de plataformas de exportação. São eles: Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura. Conforme discutimos em post anterior, as industrializações tardias, que ocorreram na periferia do sistema capitalista, ocorreram por duas modalidades: [&#8230;]]]></description>
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<p>Tigres Asiáticos é a denominação dada a um conjunto de países do leste da Ásia cuja industrialização aconteceu tardiamente, através da formação de plataformas de exportação. São eles: Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="269" height="428" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Captura-de-tela-de-2019-06-03-19-18-01.png" alt="" class="wp-image-3722" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Captura-de-tela-de-2019-06-03-19-18-01.png 269w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Captura-de-tela-de-2019-06-03-19-18-01-189x300.png 189w" sizes="(max-width: 269px) 100vw, 269px" /><figcaption>Localizados no extremo oriente, os Tigres Asiáticos passaram por um crescimento econômico muito forte entre os anos 60 e 90. Por Wikimedia https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=48801666</figcaption></figure></div>



<p>Conforme discutimos em <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2019/02/industrializacao-no-mundo-subdesenvolvido-substituicao-de-importacoes-e-plataformas-de-exportacao.html">post anterior</a>, as industrializações tardias, que ocorreram na periferia do sistema capitalista, ocorreram por duas modalidades: via Substituição de Importações e via Plataforma de Exportação.</p>



<p>No primeiro caso, inclui-se países como Brasil, México, Argentina, Índia e África do Sul. São países cuja industrialização ocorreu voltada para o <strong>mercado interno</strong>, no intuito de produzir internamente o que antes era importado, em momento de recessão da economia global.</p>



<p>Já o segundo grupo inclui os Tigres Asiáticos, países que, com pequeno mercado consumidor e poucos recursos naturais a serem explorados, industrializaram-se para o <strong>mercado externo</strong>, isto é, para a venda de produtos para o exterior.</p>



<p>A seguir, discutiremos as principais características deste segundo grupo de países, quais foram as condições que levaram a sua industrialização e quais perspectivas dos mesmos atualmente.</p>



<h2>Os Tigres sob a proteção da Águia</h2>



<p>A economia dos Tigres Asiáticos passou a despontar a partir dos anos 1950 e 1960, período que mundo atravessava a <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2018/12/a-guerra-fria-e-o-mundo-bipolar.html">Guerra Fria</a>.</p>



<p>Neste contexto, o continente asiático dispunha de duas potências socialistas: a União Soviética e a China. Logo, os países da fachada asiática do Pacífico eram &#8220;presas fáceis&#8221; na expansão da hegemonia socialista.</p>



<p>Os EUA, de modo a barrar o crescimento desta influência, passa a investir milhões de dólares a fundo perdido, isto é, sem necessidade de devolução, nas economias dos futuros &#8220;Tigres&#8221;. Estes investimentos fizeram parte de um plano conhecido como <strong>Plano Colombo</strong>.</p>



<p>Os governos da época souberam agir sob a bonança americana. Centralizadores e, em alguns casos, ditatoriais (caso da Coreia do Sul e Singapura), passaram a incentivar a instalação de indústrias em seu território.</p>



<p>Dentre os artifícios utilizados pelos Estados Nacionais da região neste contexto, citam-se:</p>



<ul><li>Incentivos fiscais para a instalação de indústrias (isenção de impostos, doação de terrenos, etc);</li><li>Investimento em infraestrutura (rodovias, portos, ferrovias, etc.)</li><li>Investimentos em educação, que garantiu mão-de-obra qualificada e, em primeiro momento, barata;</li><li>Desvalorização da moeda, permitindo a competitividade dos produtos nacionais em mercado mundial;</li><li>Protecionismo econômico.</li></ul>



<p>Aos poucos, os países do grupo passaram a edificar uma <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2015/08/industrias-de-bens-de-consumo-de-bens.html">indústria de bens de consumo não-duráveis</a> (têxtil, calçados, remédios, etc)<strong> intensiva em trabalho</strong>, isto é, com uso de grande volume de mão-de-obra.</p>



<p>Neste momento, além do aporte em investimento, os EUA auxiliaram os Tigres através da abertura de seu mercado nacional aos produtos exportados por eles.</p>



<h2>Pós-1970: Os Tigres despontam tecnologicamente</h2>



<p>Os anos 1970 são importantes na compreensão do quadro econômico dos Tigres Asiáticos. Isto porque é o período onde ocorre uma mudança interna, no tipo de produto que é fabricado nestes países, e externa, no sentido da mudança no caráter da ajuda americana.</p>



<p>Os EUA passaram a impôr sobre os Tigres uma agenda de liberalização econômica como condição para a flexibilidade de seu mercado às manufaturas asiáticas.</p>



<p>Neste sentido, os Tigres, em especial Coreia do Sul e Taiwan, através de um Estado desenvolvimentista, passaram a agir dois dois sentidos: o primeiro, pela edificação de uma indústria pesada, com foco em áreas como siderurgia, petroquímica, cimento e naval.</p>



<p>O segundo, entendia como ponto focal na industrialização de ambos os países e dos demais do grupo a<strong> indústria de ponta</strong>, <strong>intensiva em tecnologia</strong>.</p>



<p>Neste sentido, Taiwan, Singapura, Coreia do Sul e Hong Kong passaram por diversos planos nacionais cujo foco era desenvolver indústrias de alta tecnologia, entre elas a robótica e a eletrônica.</p>



<p>Na Coreia do Sul, por exemplo, o Estado passou a intervir nos grandes conglomerados do país, os chamados <em>cheabols</em>, os estimulando a concentrarem seus esforços na microeletrônica e em outros setores de alta tecnologia.</p>



<h2>Os Novos Tigres Asiáticos</h2>



<p>A partir da década de 1970, a realidade dos &#8216;velhos&#8217; Tigres Asiáticos já não era a mesma.</p>



<p>A maior parte daquelas vantagens comparativas, como a mão-de-obra barata, que foram fundamentais no início de suas industrializações, foram substituídas por um mercado consumidor com elevado nível de renda e consumo.</p>



<p>Assim, aquelas indústrias tradicionais não viam mais espaço nos velhos Tigres. Migraram, portanto, para outros países da fachada asiática do Pacífico que ainda dispunham de mão-de-obra barata e cujos Estados Nacionais ainda incentivassem a instalação destas indústrias.</p>



<p>Deste modo, surgem os &#8220;Novos Tigres Asiáticos&#8221;, grupo composto por Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã.</p>



<p>Aqui, todavia, encontramos diferenças primordiais em relação ao antigos Tigres.</p>



<p>Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã são países de grande extensão, dotados de recursos naturais e mercado consumidor interno.</p>



<p>Todavia, centram-se sua produção em produtos de baixa tecnologia para serem consumidos em mercado externo.</p>



<p>Além disso, é necessário salientar que, ao contrário do que ocorreu nos &#8216;velhos&#8217; Tigres, os Novos Tigres não vêm passando por um processo de franco desenvolvimento social, pelo menos não em mesmo nível que, por exemplo, Coreia do Sul e Singapura passaram.</p>



<p>Aqui, dá-se uma relação econômica de subalternação na divisão internacional do trabalho, de maneira similar aquela ocorrida nos países latino-americanos.</p>



<p>Veja também nossa aula sobre o assunto:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Tigres Asiáticos: Hong Kong, Coreia do Sul, Taiwan e Singapura" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/AKAKc8pv9wg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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		<title>A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 May 2019 12:04:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
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					<description><![CDATA[O petróleo, a partir da Segunda Revolução Industrial, tornou-se o combustível central do desenvolvimento da sociedade capitalista. Todavia, seu caráter não-renovável e sua má distribuição ao redor do globo o tornou uma arma geopolítica, dando poder aos países detentores de reservas em cenário mundial. Este tipo de uso geopolítico do petróleo tornou-se comum a partir [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O petróleo, a partir da Segunda Revolução Industrial, tornou-se o combustível central do desenvolvimento da sociedade capitalista. Todavia, seu caráter não-renovável e sua má distribuição ao redor do globo o tornou uma arma geopolítica, dando poder aos países detentores de reservas em cenário mundial.</p>



<p>Este tipo de uso geopolítico do petróleo tornou-se comum a partir da década de 1960, com a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), organização composta originalmente por Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="715" height="428" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/opep.png" alt="" class="wp-image-3663" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/opep.png 715w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/opep-300x180.png 300w" sizes="(max-width: 715px) 100vw, 715px" /><figcaption>Bandeira da OPEP, importante organização sul-sul frente interesses do centro do sistema capitalista</figcaption></figure></div>



<p>O ponto focal da criação da organização foi dar poder de negociação aos países produtores de petróleo frente ao arrocho de preços promovido pelas grandes multinacionais do mundo ocidental, dentre elas as que compunham o monopólio conhecido como <em><strong>Sete Irmãs</strong></em>, gigantes empresas petrolíferas europeias e americanas que comandavam a exploração de petróleo em nível global.</p>



<p>Estruturados em bloco, os países componentes da OPEP passaram a se articular de modo a garantir maior controle sobre a produção petrolífera mundial, em detrimento das multinacionais do ocidente. </p>



<p>Dentre as conquistas do grupo, citam-se o aumento dos royalties pagos pelas empresas exploradoras aos países, aumento dos impostos pela exploração e <strong>poder sobre o preço do petróleo</strong>.</p>



<p>Com isso, os países poderiam reverter a exploração em seus territórios em projetos que melhorassem a qualidade de vida de sua população e suas infraestruturas. Era, na prática, uma imposição sul-sul frente aos interesses do centro do capitalismo mundial.</p>



<p>Todavia, o episódio mais emblemático envolvendo a OPEP e as potências ocidentais ocorreu em 1973. Neste período, ocorreu, no contexto da <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/12/questao-palestina.html">Questão Palestina</a>, a Guerra do Yom Kippur, ataque de Síria e Egito a Israel em busca de recuperar seus territórios perdidos para o país. </p>



<p>O apoio dos EUA e das potências europeias a Israel levou a OPEP, composta majoritariamente por países de maioria islâmica, a aumentar intencionalmente o preço do petróleo em 400%. </p>



<p>Como a economia mundial era extremamente dependente do petróleo, esta elevação dos preços levou ao encarecimento de combustíveis e de produtos, prejudicando a economia de diversos países. A partir deste ano instaura-se uma fase depressiva da economia mundial, que levou as nações ocidentais a buscarem o mais rapidamente resolver a situação com os países da OPEP.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="394" height="350" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Historico_petroleo.jpg" alt="" class="wp-image-3662" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Historico_petroleo.jpg 394w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Historico_petroleo-300x267.jpg 300w" sizes="(max-width: 394px) 100vw, 394px" /><figcaption>Variação do preço do petróleo entre 1861 e 2001. Notar que as maiores variações a partir de 1950 são por conta de ebulições sociais no Oriente Médio.</figcaption></figure></div>



<p>O embargo foi retirado em janeiro de 1974, mas a economia mundial sofreria os reflexos dele por muitos anos. </p>



<p>Além do choque provocado pela OPEP, o preço do petróleo ainda era vítima das ebulições geopolíticas no Oriente Médio. Anteriormente, em 1959, a nacionalização do Canal de Suez já havia elevado o preço do barril.</p>



<p>Posteriormente, resultados parecidos ocorreram em 1979, quando eclode a <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/conflito-ira-iraque-guerras-do-golfo.html">Revolução Iraniana</a>, que tirou o Xá Reza Pahlevi do poder no Irã, e em 1991, no contexto da <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/conflito-ira-iraque-guerras-do-golfo.html">Guerra do Golfo</a>, quando o Iraque invadiu o Kuwait e passou a comandar as jazidas de exploração petrolífera dos vizinhos do sul. </p>



<p>Estes momentos ficaram conhecidos, respectivamente, como Primeira, Terceira e Quarta Crise do Petróleo (a Segura seria, assim, aquela causada pela OPEP).</p>



<p>Como resultado desta instabilidade do preço da matriz energética base da economia global, os EUA e nações da Europa Ocidental buscaram diversificar a pauta energética, investindo em fontes alternativas de energia, dentre as quais o <strong>gás de xisto, </strong>e voltaram-se no mantimento de boas relações com produtores de petróleo fora do Oriente Médio, <strong>como a Venezuela,</strong> ou com nações da região amistosas aos Ocidentais, <strong>como a Arábia Saudita</strong>.</p>



<p>Atualmente, a OPEP é composta por seis países africanos (Angola, Argélia, Gabão, Guiné Equatorial, Líbia e Nigéria), sete asiáticos (Indonésia, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Irã, Iraque, Kuwait e Catar) e dois sul-americanos (Venezuela e Equador).</p>
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		<title>Industrialização no Mundo Subdesenvolvido: Substituição de Importações e Plataformas de Exportação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Feb 2019 01:38:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[O fenômeno da industrialização se deu de maneira diferenciada em volta do globo. Enquanto que a partir do século XVIII os países do centro do sistema capitalista passavam por um processo de industrialização clássica, apenas a partir da segunda metade do século XX alguns países da periferia do sistema se industrializaram. Esta industrialização se deu [&#8230;]]]></description>
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<p>O fenômeno da industrialização se deu de maneira diferenciada em volta do globo. Enquanto que a partir do século XVIII os países do centro do sistema capitalista passavam por um processo de industrialização clássica, apenas a partir da segunda metade do século XX alguns países da periferia do sistema se industrializaram.</p>



<p>Esta industrialização se deu em dois processos principais: através da substituição de importações e pela formação de plataformas de exportação.</p>



<h2>Substituição de importações</h2>



<p>O processo de substituição de importações ocorreu em determinadas economias mundiais em períodos onde os países desenvolvidos &#8211; também conhecidos como países do centro do sistema capitalista &#8211; passavam por um período de desaceleração. </p>



<p>A Segunda Guerra Mundial foi, por exemplo, um destes períodos de desaceleração da economia dos países desenvolvidos.</p>



<p>A lógica por trás deste processo é a seguinte: como as nações do centro do sistema estão enfraquecidas, os países não-desenvolvidos ficam impossibilitados de importar bens fundamentais destas nações. Assim, passam a produzir internamente.</p>



<p>Em geral, as substituições de importações ocorrem através da introdução de filiais de multinacionais nos países em questão.</p>



<p>Foi o que ocorreu, com diferentes graus de desenvolvimento, em nações como o Brasil, a África do Sul, a Índia e o México. </p>



<h2>Plataformas de exportação</h2>



<p>Embora tragam algumas semelhanças com os países industrializados via substituição de importação, as plataformas de exportação trazem algumas peculiaridades que permitem sua categorização.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="324" height="218" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/02/singapura.png" alt="" class="wp-image-3178" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/02/singapura.png 324w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/02/singapura-300x202.png 300w" sizes="(max-width: 324px) 100vw, 324px" /><figcaption>Centro financeiro de Singapura. Fonte: Wikimedia/Chensiyuan </figcaption></figure></div>



<p>Dentre as semelhanças, podemos citar que estes países, assim como os comentados no tópico anterior, se industrializaram tardiamente, em meados do século XX. Segundo, a ocorrência da participação externa, que aqui foi especialmente representada pelos capitais americano e japonês.</p>



<p>Todavia, as plataformas de exportação não tinham grandes territórios que permitiram sua inserção precoce na Divisão Internacional do Trabalho como exportadores de produtos naturais. São países pequenos e com populações até então analfabetas e pouco qualificadas.</p>



<p>Nestes países, a partir da década de 1950 os governos passaram a incentivar massivamente a instalação de indústrias estrangeiras, o que produziu um forte parque industrial com orientação para a exportação.</p>



<p>Dentre os incentivos dados pelos governos locais, podemos citar:</p>



<ul><li>Isenções na compra de terrenos e na operação das empresas;</li><li>Leis ambientais e trabalhistas flexíveis;</li><li>Mão-de-obra barata e qualificada (após investimentos na educação);</li></ul>



<p>Dentre as plataformas de exportação, estão Coreia do Sul¹, Hong Kong, Taiwan e Singapura.</p>



<p><em>¹ O caso sul-coreano foi particular pois a instalação de multinacionais só se deu a partir dos anos 1970. Até esta data, atuavam no país os chaebols, aglomeramos familiais similares aos zaibatsus japoneses.</em></p>
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		<item>
		<title>A indústria no Japão</title>
		<link>https://www.geografiaopinativa.com.br/2018/12/a-industria-no-japao.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Dec 2018 23:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ásia Central e Extremo Oriente]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[O Japão é a terceira maior economia do mundo e a segunda potência da Ásia. Por muito tempo, o país destacou-se como a maior potência do Extremo-Oriente, tanto em sentido econômico, quanto militar. Após a década de 1990, todavia, uma crise econômica abalou o país, ao mesmo tempo que a China tornava-se uma potência mundial [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Japão é a terceira maior economia do mundo e a segunda potência da Ásia. Por muito tempo, o país destacou-se como a maior potência do Extremo-Oriente, tanto em sentido econômico, quanto militar. </p>



<p>Após a década de 1990, todavia, uma crise econômica abalou o país, ao mesmo tempo que a China tornava-se uma potência mundial e a Coreia do Sul passava a ocupar um lugar de destaque na organização do espaço capitalista mundial, solapando o domínio japonês nesta porção do mundo.</p>



<h2>Industrialização do Japão</h2>



<h3>Era Meiji</h3>



<p>Até meados do século XIX, o Japão era um país fechado para o Ocidente. Os portos nacionais eram fechados para o restante do mundo, enquanto sua economia era baseada na agricultura sob um regime que fazia alusão ao feudalismo europeu.</p>



<p>Apenas a partir da <strong>Restauração Meiji </strong>que o país passou a adotar uma postura em consonância com o Capitalismo mundial. Esta revolução aconteceu através da união entre a classe samurai (militares), nobres, camponeses abastados e comerciantes ricos, que derrubaram o império Tokugawa e instauraram uma monarquia em prol dos interesses industrialistas.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="215" height="297" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imperador-meiji.png" alt="Imperador Meiji" class="wp-image-2995"/><figcaption>Imperador Meiji</figcaption></figure></div>



<p>Ao mesmo tempo que politicamente a situação no Japão se alterava, começavam a se estruturar os conglomerados industriais familiares, os chamados <em>zaibatsus</em>. Em geral, as famílias mais ricas do país se aproveitavam de fábricas edificadas pelo Estado e as compravam a baixo preço para formação de grandes grupos industriais. Dentre os grupos formados no período, podemos citar a Mitsui e a Mitsubishi. </p>



<p>Neste sentido, é válido destacar a ação militarista do Estado japonês na Ásia e no Pacífico, com a invasão e o domínio de amplos territórios. Além de fornecerem matéria-prima, cuja existência é insuficiente dentro do país, as colônias se transformariam em mercado consumidor para a incipiente indústria nipônica.</p>



<p>Dentre as áreas que foram subjugadas pelo imperialismo japonês, destacam-se a Península Coreana, Taiwan, a Manchúria, hoje região da China, a Indochina, atuais territórios de Vietnã, Laos e Camboja, e algumas ilhas no Pacífico, como Palau.</p>



<p>Os imperadores da Era Meiji fizeram muitas reformas no Japão. Toda uma infra-estrutura de aporte à industrialização foi criada, além de investimentos profundos na qualificação de mão-de-obra.</p>



<p>Um outro fator que demonstra a capacidade do Estado japonês em sustentar o desenvolvimento da indústria nacional foi a aplicação de uma estratégia de acúmulo de capital. A indústria interna era protegida através de subsídios pelo Estado, enquanto que a exportação da produção agrícola era incentivada sob égide do livre mercado. Esta estratégia resultou em uma acumulação que permitiu a importação de maquinário industrial.</p>



<h3>Pós Segunda Guerra Mundial</h3>



<p>Após ser derrotado na Segunda Guerra Mundial, ao lado de Alemanha e Itália, o Japão passou por uma reestruturação interna na forma como a sua indústria se organizou. </p>



<p>A ocupação americana, sob domínio do general MacArthur, tratou de solapar as bases do <em>zaibatsus</em>, que até então dominavam a economia japonesa. Em seu lugar, surgiram os <em>keiretsu</em>, conglomerados industriais que agora seriam administrados por organizações bancárias, em detrimento dos domínios familiares que ocorriam nos <em>zaibatsus</em>.</p>



<p>Aqui também devem ser destacados os auxílios americanos à recuperação japonesa. Temendo a expansão do socialismo chinês sobre o Japão, os EUA criaram o <strong>Plano Colombo</strong>, cujo objetivo era financiar a reconstrução do país, aos moldes do Plano Marshall na Europa. Além disso, cita-se a transformação das indústrias bélicas do país, proibidas pelos Estados Unidos, em indústrias de setores de ponta, como de produção de materiais fotográficos.</p>



<h3>A crise dos anos 1990</h3>



<p>Na década de 1990, a agressividade da economia asiática, liderada pelo Japão, é barrada pela pressão política americana.</p>



<p>Os EUA, cuja rivalidade com a economia nipônica se acirrava, passou a impor duras tarifas de importação ao país. Tendo boa parte de seu parque industrial voltado à exportação, esta política foi um duro golpe aos interesses nacionais japoneses.</p>



<p>Soma-se a isto o chamado <strong>Acordo do Hotel Plaza</strong>, mais um capítulo da estratégia americana em solapar o vigor do capitalismo japonês. Utilizando toda sua força geopolítica, os EUA conseguem valorizar a moeda japonesa, o iene, o que prejudica ainda mais as exportações do país.</p>



<p>Outro fator para o agravamento da crise foi a concorrência dos manufaturados japoneses com os produtos fabricados nos Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura).</p>



<p>Todo este conjunto de fatores levou a recessão da economia japonesa, cujo protagonismo em cenário mundial foi abalado, especialmente após a ascensão da China como potência mundial.</p>



<h2>Localização industrial</h2>



<p>A conformação do Japão em um arquipélago e sua necessidade de importação de matéria-prima culminaram em uma concentração industrial no litoral do país, próximo as área portuárias.</p>



<p>A fachada pacífica do país, que inclui cidades como Tóquio, Yokohama, Nagoya e Osaka, assim, estruturou-se historicamente como a principal região industrial japonesa.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="350" height="350" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/toyota.jpg" alt="" class="wp-image-3532" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/toyota.jpg 350w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/toyota-150x150.jpg 150w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/toyota-300x300.jpg 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/toyota-120x120.jpg 120w" sizes="(max-width: 350px) 100vw, 350px" /><figcaption>Sede da Toyota, nas proximidades de Nagoya. Fonte: Por Chris 73 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=73901</figcaption></figure></div>



<p>Variados são os setores cujo país destaca-se em contexto mundial. O Japão é líder mundial na produção naval e na siderurgia. Também está entre os maiores do mundo na indústria automobilística, sendo sede de importantes grupos como a <strong>Honda</strong> e a <strong>Nissan</strong>, sediadas em Tóquio, <strong>Toyota</strong>, sediada das proximidades de Nagoya, e a <strong>Mazda</strong>, com sede em Hiroshima.</p>



<p>Outros setores onde o Japão se destaca é na robótica e na produção de eletrônicos. Neste último grupo, o destaque vai para empresas de máquinas fotográficas (<strong>Nikon</strong> e <strong>Canon</strong>) e eletroeletrônicos (<strong>Sony, Panasonic </strong>e <strong>Toshiba</strong>).</p>



<p><em>Texto acerca da industrialização japonesa baseado em:</em></p>



<p>DA SILVA, Marcos Aurélio. Japão: revolução passiva e rivalidade imperialista. <strong>Geografia econômica</strong>, p. 67, 2007. </p>



<p>Assista também nossa vídeo-aula sobre o assunto:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Dos Zaibatsus aos Keiretsus: Formação Econômica e Industrialização do Japão" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/N3PBDwvj880?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>
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		<title>A indústria na Itália</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Dec 2018 23:51:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[A Itália, antes do início das Grandes Navegações, polarizava o comércio do Oriente com o Mediterrâneo. Navegadores das cidades de Gênova e Veneza compravam as mercadorias da Ásia e vendiam para toda Europa, o que proporcionou um forte acúmulo de Capital nas cidades-Estado. Atualmente, apesar de sua elevada qualidade de vida, a Itália se apresenta [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Itália, antes do início das Grandes Navegações, polarizava o comércio do Oriente com o Mediterrâneo. Navegadores das cidades de Gênova e Veneza compravam as mercadorias da Ásia e vendiam para toda Europa, o que proporcionou um forte acúmulo de Capital nas cidades-Estado. </p>



<p>Atualmente, apesar de sua elevada qualidade de vida, a Itália se apresenta como uma potência de segundo escalão, tanto mundialmente quanto dentro do continente europeu. Conforme a ONU, o país tem a oitava economia do mundo (atrás do Brasil) e apresenta desigualdades regionais marcantes.</p>



<h2>Antecedentes</h2>



<p>Assim como a Alemanha, a Itália foi um país de unificação tardia. Até meados do século XIX, o que atualmente constitui o território italiano nada mais era que um conjunto de reinos e cidades-Estado sem uma articulação comum.</p>



<p>Assim, enquanto nações como Reino Unido e França se atiravam aos mares em busca da construção de seus impérios coloniais, que iriam futuramente oferecer matéria-prima e mercado consumidor para suas indústrias, a Itália ainda passava por um complexo processo de organização política, cuja conclusão só ocorreu em 1870.</p>



<p>Esta desarticulação do país em diferentes reinos também foi responsável pela criação de grandes desigualdades regionais. Enquanto que o norte do país, em uma faixa que envolve cidades como Gênova, Turim, Milão e Veneza, passava por um processo de industrialização, no Sul predominavam aristocracias rurais que impunham um modelo agrícola à região. O resultado foi que o sul italiano, conhecido como <em>Mezzogiorno</em>, até hoje apresenta dificuldades de inserção no Capitalismo mundial.</p>



<p>Apesar de ter sido derrotada ao lado de Japão e Alemanha na Segunda Guerra Mundial, a Itália conseguiu se reerguer através do aporte dado pelo governo dos EUA através do Plano Marshall.</p>



<h2>Localização industrial</h2>



<p>Uma característica fortemente presente na dispersão das indústrias da Itália é a sua elevada concentração no norte do país, especialmente no Vale do Rio Pó. A principal região industrial italiana fica entre as cidades de <strong>Milão, Turim e Gênova, </strong>a chamada &#8220;primeira Itália&#8221;.</p>



<p>Milão, além de ser centro financeiro e comercial do país, apresenta um parque industrial bastante diversificado, que inclui a indústria química, automobilística, mecânica, têxtil, entre outras. A cidade abriga a sede da <strong>Pirelli</strong>, importante empresa de pneus.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="480" height="355" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/pirelli.png" alt="Sede da Pirelli, em Milão. Fonte: Ema vinadio - Opera propria, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=24776766" class="wp-image-2988" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/pirelli.png 480w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/pirelli-300x222.png 300w" sizes="(max-width: 480px) 100vw, 480px" /><figcaption>Sede da Pirelli, em Milão. Fonte: Ema vinadio &#8211; Opera propria, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=24776766</figcaption></figure></div>



<p>Em Turim, a indústria automobilística é o principal segmento econômico. Na cidade, está localizada a sede da <strong>FIAT</strong>, uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo. As proximidades de Turim ainda abrigam a sede da <strong>Olivetti</strong>, uma importante empresa de eletrônicos.</p>



<p>Já em Gênova o destaque é a indústria naval. Na cidade, localiza-se o principal porto italiano. Se destaca também a produção têxtil, eletrônica, mecânica e de tecnologia de ponta.</p>



<p>No <em>Mezzogiorno</em>, a maior relevância industrial é encontrada em Nápoles. A cidade abriga refinarias de petróleo e indústrias da construção naval. Algumas cidades do sudeste italiano, como Bari, Tarento e Brindisi, destacam-se no setor metalúrgico. </p>



<p>Por fim, é importante salientar que o território italiano é carente de recursos energéticos. O país, atualmente, importa petróleo do Oriente Médio e do Norte de África e vem apostado na energia hidrelétrica como alternativa energética.</p>
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		<title>A indústria na França</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Dec 2018 20:02:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[A França é um dos países mais industrializados do mundo, sendo um dos pioneiros da Revolução Industrial. É, atualmente, a sexta maior economia do mundo e a terceira força da Europa, atrás de Alemanha e Reino Unido. Antecedentes O grande marco da industrialização da França foi a Revolução Francesa, de 1789. Esta revolução, de caráter [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A França é um dos países mais industrializados do mundo, sendo um dos pioneiros da Revolução Industrial. É, atualmente, a sexta maior economia do mundo e a terceira força da Europa, atrás de Alemanha e Reino Unido.</p>



<h2>Antecedentes</h2>



<p>O grande marco da industrialização da França foi a Revolução Francesa, de 1789. Esta revolução, de caráter fortemente liberal, levou a burguesia ao poder e deu a ela toda a máquina estatal de subsídio aos seus interesses industrialistas.</p>



<p>Todavia, a Revolução Liberal e a posterior ascensão de Napoleão Bonaparte trouxe certa instabilidade econômica ao país, cuja industrialização só conseguiu consolidar suas bases a partir do Século XIX.</p>



<p>A industrialização estava apoiada sobre o principal combustível desta revolução: o carvão. O território francês, em geral, é desprovido de grandes reservas energéticas, o que resultou em uma concentração industrial no principal polo carbonífero de país, a região de Alsácia-Lorena, no extremo leste. Atualmente estas minas estão quase esgotadas.</p>



<p>Durante a Segunda Guerra Mundial, a proximidade do país com a principal potência do Eixo, a Alemanha, e as consequentes excursões do exército de Hitler no país, trouxeram grande devastação para sua economia. Todavia, a França conseguiu sua recuperação econômica através do forte aporte financeiro pelo governo dos EUA, através do Plano Marshall.</p>



<h2>Localização industrial</h2>



<p>As principais regiões industriais da França são as regiões de <strong>Paris, Lyon e Alsácia-Lorena.</strong></p>



<p>Paris, além da capital, é o principal centro financeiro, econômico e cultural do país. Na cidade e em seu entorno imediato estão localizadas indústrias de ramos variados, dentre os quais o automobilístico, o farmacêutico, o aeroespacial e o têxtil.</p>



<p>O ramo automobilístico é polarizado por duas grandes empresas: a <strong>Renault</strong>, com sede em Boulogne, e a <strong>Peugeot</strong>, sediada em Paris.</p>



<p>Em Lyon destacam-se as indústria têxtil e química. A indústria têxtil tem sofrido com a concorrência estrangeira, especialmente após a popularização do uso de fios sintéticos, como o <em>nylon</em>, o que levou ao fechamento de várias fábricas na região.</p>



<p>Além de Lyon, a indústria química também encontra como centro a região de Nantes, no noroeste do país. Toulouse e Bordeaux, ambas no sul, destaca-se como polos de tecnologia aeroespacial de ponta. Em Toulouse localiza-se a sede da <strong>Airbus</strong>, grande companhia do setor.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="445" height="297" class="wp-image-2984" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/toulouse.png" alt="Fábrica da Aibus, em Toulouse. Fonte: Por Bernd K - https://www.jetphotos.com/photo/7964510, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=38111436" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/toulouse.png 445w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/toulouse-300x200.png 300w" sizes="(max-width: 445px) 100vw, 445px" />
<figcaption>Fábrica da Airbus, em Toulouse. Fonte: Por Bernd K &#8211; https://www.jetphotos.com/photo/7964510, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=38111436</figcaption>
</figure>
</div>



<p>Na região de Alsácia-Lorena, ocorre um parque industrial diversificado, com predominância da indústria siderúrgica, devido a concentração de jazidas de minério de ferro no local.</p>



<p>A França apresenta duas áreas portuárias principais: a de La Havre, localizada ao norte, no litoral imediato ao Canal da Mancha, e a de Marselha, no sul, localizada as margens do Mar Mediterrâneo.</p>



<p>Como alternativa ao pouco potencial energético de seu território nacional, a França tem apostado na energia nuclear, sendo atualmente um dos países que mais faz uso deste tipo de fonte energética (80%), além da energia hidrelétrica.</p>
<p>Assista também nosso vídeo sobre o assunto:</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Espaço Industrial Francês" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/IdZUgFpudek?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
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		<item>
		<title>A indústria no Reino Unido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Dec 2018 17:18:04 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[O Reino Unido foi o primeiro país do mundo a se industrializar. Movido pela energia do carvão, o país liderou a Primeira Revolução Industrial. Atualmente, é a quinta maior economia do mundo e a segunda da Europa, onde perdeu o protagonismo para a ascensão alemã. Antecedentes Este pioneirismo inglês no tocante à indústria pode ser [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Reino Unido foi o primeiro país do mundo a se industrializar. Movido pela energia do carvão, o país liderou a Primeira Revolução Industrial. Atualmente, é a quinta maior economia do mundo e a segunda da Europa, onde perdeu o protagonismo para a ascensão alemã.</p>



<h2>Antecedentes</h2>



<p>Este pioneirismo inglês no tocante à indústria pode ser explicado por alguns motivos. Dentre eles, podemos destacar:</p>



<ul>
<li>Acumulação de Capital através do comércio de especiarias provenientes de seu grande número de colônias;</li>
<li>Instituição da Lei dos Cercamentos, que substituiu a agricultura nos moldes feudais no campo inglês pela criação de ovelhas, base para a instalação de fábricas têxteis;</li>
<li>Criação de um exército de trabalhadores de reserva, expropriados de suas terras pela Lei dos Cercamentos;</li>
<li>Abundância de carvão mineral, fonte de energia para operação das fábricas;</li>
<li>Estado favorável ao desenvolvimento industrial, através da aplicação de legislações burguesas, especialmente após a Revolução Gloriosa.</li>
</ul>



<p>Todavia, o início do século XX trouxe um revés para a potência insular europeia. Com a Segunda Revolução Industrial e a mudança da principal força energética do carvão para o petróleo, a Alemanha e os EUA foram alçados à dianteira do Capitalismo Mundial. Com seu parque industrial desatualizado e com profundas dificuldades para se adaptar à nova lógica mundial, a Inglaterra fora deixada para trás.</p>



<p>A situação foi ainda agravada após a Segunda Guerra Mundial. Além das perdas materiais e econômicas do país durante o conflito, o Pós-Guerra foi marcado por um movimento global de independências. As antigas colônias inglesas guerreavam e conquistavam suas autonomias, esfacelando o grande Império Britânico.</p>



<p>O Reino Unido dependia fortemente dos produtos agropecuários produzidos em suas colônias. Em certo ponto, países como Índia e África do Sul passaram a não conseguir sozinhos abastecer a indústria britânica, devido ao crescimento de suas populações e ao surgimento de suas primeiras iniciativas industriais. O conjunto destes fatores resultou na decadência do antigo império.</p>



<h2>Localização industrial</h2>



<p>Atualmente, as principais regiões industriais inglesas são encapsuladas pelas cidades de Londres e Birmingham, ambas no sul do país.</p>



<p>Neste novo cinturão industrial, estão localizadas indústrias de setores diversificados, como o biotecnológico, o automobilístico, o aeroespacial, o farmacêutico, o mecânico e o petroquímico.</p>



<p>A tendência no Reino Unido é, todavia, o abandono de grandes fábricas que marcaram a industrialização do país. Atualmente, surgem inúmeras indústrias de pequeno porte, localizadas em cidades menores que, através da superespecialização, estão conseguindo competir em mercado nacional e internacional.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="398" height="298" class="wp-image-2980" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/manchester.png" alt="Rio Irweel, em Manchester, antigo polo industrial do Reino Unido. Fonte: By Alex Lozupone - Own work, CC BY-SA 3.0." srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/manchester.png 398w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/manchester-300x225.png 300w" sizes="(max-width: 398px) 100vw, 398px" />
<figcaption>Rio Irweel, em Manchester, antigo polo industrial do Reino Unido. Fonte: By Alex Lozupone &#8211; Own work, CC BY-SA 3.0.</figcaption>
</figure>
</div>



<p>Anteriormente a este processo de modernização da indústria britânica, a configuração do espaço industrial do país era bastante diferente. Ainda no período de domínio do carvão, os setores têxtil, naval e siderúrgico estavam na dianteira, localizados no centro do país, entre as cidades de Liverpool e Manchester, e nos arredores de Glasgow, na Escócia. Estas áreas ficaram conhecidas como &#8220;regiões negras&#8221;.</p>



<p>Com a decadência da indústria nacional e a ascensão do eixo Londres-Birmingham, estas regiões passaram a sofrer com fortes problemas, dentre eles o desemprego, que levou a um processo de migração interna para áreas mais dinâmicas.</p>
<p>Assista também nosso vídeo sobre o assunto:</p>
<p>

</p>
<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio">
<div class="wp-block-embed__wrapper">
<p><iframe loading="lazy" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/1VhH0FRafuo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></p>
</div>
</figure>
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			</item>
		<item>
		<title>A indústria na Alemanha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Dec 2018 00:05:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[A Alemanha é a quarta maior economia do mundo, a maior da Europa e o mais importante país da União Europeia. Não por menos, o país é conhecido como &#8220;locomotiva da Europa&#8221;. Muito da vitalidade da economia alemã é proveniente da força do seu setor industrial. O país unificou-se em 1871 e, já em meados [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Alemanha é a quarta maior economia do mundo, a maior da Europa e o mais importante país da União Europeia. Não por menos, o país é conhecido como &#8220;locomotiva da Europa&#8221;.</p>



<p>Muito da vitalidade da economia alemã é proveniente da força do seu setor industrial. O país unificou-se em 1871 e, já em meados do Século XIX, era uma potência industrial, através de um modelo de industrialização conhecido como <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/modelos-de-industrializacao.html">Industrialização Tardia</a>.</p>



<h2>Antecedentes</h2>



<p>O país soube aproveitar as novas tecnologias na montagem do seu parque industrial, inaugurando, em conjunto com os EUA, a <strong>Segunda Revolução Industrial</strong>. Enquanto isso, as nações industrialmente já consolidadas, em especial a Inglaterra, estavam presas ao seu parque já desatualizado, com tecnologias do século anterior, sendo rapidamente deixadas para trás na lógica do Capitalismo global.</p>



<p>Além disso, a Alemanha se beneficiou do seu Estado protecionista. O país foi berço de teorias como a da Indústria Infante, de Friedrich List, que preconizava que o Estado deveria proteger e fomentar setores industriais nascentes no país.</p>



<p>Todavia, os interesses expansionistas do país levaram a Alemanha ao enfrentamento de duas guerras mundiais, onde em ambas saiu derrotada. Estas derrotas, além de onerar a indústria nacional, levou a divisão da nação em duas: a República Federal da Alemanha (RFA), capitalista, e a República Democrática Alemã (RDA), socialista.</p>



<p>Após o fim da Guerra Fria e a unificação do país, em 1990, o abismo criado entre as duas nações ficou claro. Enquanto a RFA, aportada nos auxílios do Plano Marshall, desenvolveu uma indústria forte e aos moldes capitalistas, a RDA apresentava um parque industrial antigo e incapaz de concorrer em mercado mundial. O resultado disso foi a criação de importantes desigualdades regionais no país.</p>



<h2>Localização industrial</h2>



<p>A principal região industrial da Alemanha é o <strong>Vale do Rio Ruhr</strong>, localizado o extremo oeste do país, envolvendo cidades como Dortmund, Gelsenkirchen e Essen. A região se destaca em diversos setores, dentre os quais a produção de aço, de armas (setor bélico), petroquímico, automobilístico e eletroeletrônico. Muitos destes setores apresentam vigor também em outras áreas do espaço industrial alemão.</p>



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<figcaption>Sede da Volkswagen, em Wolfsburg. Fonte: Por Vanellus Foto &#8211; Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=26546707</figcaption>
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<p>O setor automobilístico está concentrado no oeste do país, em uma faixa que vai desde a Baviera até a Baixa Saxônia. Os principais polos são as cidades de Wolfsburg (Baixa Saxônia), onde está localizada a sede da <strong>Volkswagen</strong>, Stuttgart (Baden-Wurttembeg), onde encontra-se a montadora <strong>Daimler AG/Mercedes-Benz</strong> e Munique (Baviera), sede da <strong>BMW</strong>.</p>



<p>Já a indústria química é forte em todo Vale do Ruhr. Destaque a <strong>Bayer</strong>, gigante farmacêutica, que tem sua sede em Leverkusen</p>



<p>No setor eletroeletrônico, a Alemanha abriga gigantes do mercado, dentre as quais a <strong>Siemens</strong> e a <strong>AEG</strong>. O setor tinha grande importância na região de Berlim, mas migrou para o sul do país após a Segunda Guerra. Algumas cidades da Alemanha Oriental, como Dresden, também apresentam certa força no setor.</p>



<p>Por fim, destaque ao setor naval, concentrado em Hamburgo, no norte do país junto a foz do Rio Elba, onde localiza-se o principal porto alemão, e em Bremen.</p>
<p>Assista também nosso vídeo sobre o assunto:</p>
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