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	<title>Geografia Humana &#8211; Geografia Opinativa</title>
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	<title>Geografia Humana &#8211; Geografia Opinativa</title>
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		<title>O racismo no campo através de alguns números</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 18:45:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[da População]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Rural]]></category>
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					<description><![CDATA[O racismo estrutural pode ser visto em diversos aspectos da sociedade brasileira. Um levantamento da Agência Lupa revelou que, embora pretos e pardos sejam 56% da população brasileira, são 64% das pessoas sem emprego e 66% das pessoas que trabalham menos tempo que gostariam. Ainda, em 2018, 47,3% das pessoas pretas ou pardas ocupadas trabalhavam [&#8230;]]]></description>
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<p>O racismo estrutural pode ser visto em diversos aspectos da sociedade brasileira.</p>



<p>Um levantamento da <a href="https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2019/11/20/consciencia-negra-numeros-brasil/">Agência Lupa</a> revelou que, embora pretos e pardos sejam 56% da população brasileira, são 64% das pessoas sem emprego e 66% das pessoas que trabalham menos tempo que gostariam. Ainda, em 2018, 47,3% das pessoas pretas ou pardas ocupadas trabalhavam no mercado informal, enquanto entre brancos esse número é de 34,6%.</p>



<p>No campo, esse cenário não é diferente. </p>



<p>Para demonstrar isso, fizemos um cruzamento dos dados do Censo agropecuário (2017) com os da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio, e comparamos a proporção de população branca por unidade da federação com a proporção de pessoas brancas donas de lotes de terra acima de 1.000 ha.</p>



<p>Os resultados estão sintetizados a seguir.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img width="1024" height="1024" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-1024x1024.png" alt="Os estados da Região Sul apresentam a maior proporção de pessoas autodeclaradas brancas." class="wp-image-5484" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-1024x1024.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-300x300.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-150x150.png 150w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-768x768.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-1000x1000.png 1000w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-120x120.png 120w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-520x520.png 520w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1.png 350w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Os estados da Região Sul apresentam a maior proporção de pessoas autodeclaradas brancas.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" width="1024" height="1024" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1024x1024.png" alt="Já entre os donos de grandes lotes de terra, a Região Centro-Oeste é aquela que concentra a maior proporção de população branca." class="wp-image-5487" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1024x1024.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-300x300.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-150x150.png 150w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-768x768.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1000x1000.png 1000w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-120x120.png 120w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-520x520.png 520w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3.png 350w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Já entre os donos de grandes lotes de terra, a Região Centro-Oeste é aquela que concentra a maior proporção de população branca.</figcaption></figure>



<p>A comparação entre as duas figuras revela que a população branca é maioria entre os grandes proprietários de terra em quase todas as unidades da federação.</p>



<p>As maiores distorções ocorrem nos estados do Mato Grosso (MT), Bahia (BA) e Tocantins (TO). No MT, apenas 29% da população é autodeclarada branca. Já entre os grande proprietários, esse número é de 77%. Na Bahia, somente 19% da população é branca, enquanto que pessoas pertencentes a essa raça são donas de 60% dos grandes lotes de terra no estado. No Tocantins, os números são 20% para população geral e 61% para os grandes proprietários.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" width="350" height="350" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1024x1024.png" alt="Mesmo que minoria nos estados do MT, BA e TO, brancos são largamente os que detém as maiores terras." class="wp-image-5488" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1024x1024.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-300x300.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-150x150.png 150w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-768x768.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1000x1000.png 1000w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-120x120.png 120w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-520x520.png 520w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4.png 350w" sizes="(max-width: 350px) 100vw, 350px" /><figcaption>Mesmo que minoria nos estados do MT, BA e TO, brancos são largamente os que detém as maiores terras.</figcaption></figure>



<p>Quando analisamos os números nacionais, nossa hipótese fica ainda mais clara: dentre as propriedades com mais de 1.000 ha., 67,5% dos donos são brancos. Entre as propriedades com menos de 1 ha., 79,9% pertencem a pretos, pardos, indígenas ou amarelos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" width="1024" height="1024" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-1024x1024.png" alt="Brancos são minoria apenas entre os proprietários de pequenos lotes." class="wp-image-5489" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-1024x1024.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-300x300.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-150x150.png 150w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-768x768.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-1000x1000.png 1000w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-120x120.png 120w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6-520x520.png 520w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/6.png 350w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Brancos são minoria apenas entre os proprietários de pequenos lotes.</figcaption></figure>



<p>Muitas são as possíveis causas para a essa desigualdade racial na divisão de terras do Brasil.</p>



<p>Devemos lembrar que, desde a divisão da América Portuguesa em Capitanias Hereditárias, europeus e seus descendentes tiveram acesso a doações de grandes porções de terra.</p>



<p>Mais tarde, em 1850, com a instituição da <strong>Lei das Terras</strong>, todas as terras ainda não habitadas do território brasileiro só poderiam ter uso para fins de cultivo e ocupação se compradas à vista do governo, o que privou muitos ao acesso democrático a um lote de terra para a sobrevivência e consolidou o modelo latifundiário no país.</p>



<p>Apenas 38 anos depois, em 1888, ocorreu a assinatura da Lei Áurea que, sem qualquer indenização aos ex-escravos, pôs fim ao regime de escravidão no país. Como essas pessoas, sem qualquer apoio financeiro, social e jurídico, poderiam comprar terras à vista?</p>



<p>Entende-se aí a gênese de mais um capítulo da desigualdade racial no Brasil, ainda tão presente em diferentes espaços e contextos sociais.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" width="1024" height="1024" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7-1024x1024.png" alt="" class="wp-image-5473" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7-1024x1024.png 1024w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7-300x300.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7-150x150.png 150w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7-768x768.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7-1000x1000.png 1000w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7-120x120.png 120w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7-520x520.png 520w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2021/01/7.png 350w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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		<title>Fontes de Energia Não-Renováveis: Petróleo, Carvão Mineral e Gás Natural</title>
		<link>https://www.geografiaopinativa.com.br/2020/06/fontes-de-energia-nao-renovaveis-petroleo-carvao-mineral-e-gas-natural.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2020 18:56:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
		<category><![CDATA[carvão]]></category>
		<category><![CDATA[como é formado o carvão?]]></category>
		<category><![CDATA[gás natural]]></category>
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					<description><![CDATA[As fontes de energia são fundamentais para o funcionamento do modo de produção atual. É a partir delas que podemos obter energia para o funcionamento de fábricas, para o aquecimento e iluminação de residências ou para a movimentação de veículos, como carros e caminhões. Atualmente, no mundo, as principais fontes de energia são aquelas não-renováveis. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As fontes de energia são fundamentais para o funcionamento do modo de produção atual. É a partir delas que podemos obter energia para o funcionamento de fábricas, para o aquecimento e iluminação de residências ou para a movimentação de veículos, como carros e caminhões.</p>



<p>Atualmente, no mundo, as principais fontes de energia são aquelas não-renováveis. Energia não renováveis são aquelas que não são capazes de ser renovadas dentro do tempo biológico. Isto quer dizer que se uma jazida se esgota, a única maneira de manter a oferta energética é explorando outra.</p>



<p>Existem três principais fontes de energia não-renováveis no mundo, conhecidas também como fontes de energia fósseis: o petróleo, o carvão mineral e o gás natural.</p>



<h2>Petróleo</h2>



<p>O petróleo é a principal fonte energética do mundo atual. Corresponde a 32% da matriz energética mundial.</p>



<h3>Formação</h3>



<p>O petróleo é de origem orgânica e teve sua formação no Mesozóico, há 65 milhões de anos.</p>



<p>Formou-se nos oceanos, onde o esqueleto de animais mortos e de plantas acumularam-se no assoalho marinho. Em seguida, houve um processo de sedimentação, que encobriu estes restos orgânicos. Assim, bactérias anaeróbicas (que não respiram oxigênio) passam a decompor aquele material e, associado a condições de temperatura e pressão, formam o petróleo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" width="836" height="169" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_petroleo.png" alt="Processo de formação do petróleo" class="wp-image-4757" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_petroleo.png 836w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_petroleo-300x61.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_petroleo-768x155.png 768w" sizes="(max-width: 836px) 100vw, 836px" /><figcaption>Processo de formação do petróleo</figcaption></figure>



<p>Através dos movimentos da crosta terrestre, o petróleo formado pode ser levado para regiões diferentes daquela onde se formou. Assim, o petroléo é levado para rochas porosas, onde é armazenado, formando jazidas.</p>



<h3>Refino</h3>



<p>O petróleo, após ser extraído, necessita de um processo de refino para ser comercializado. É através do refino que são gerados os derivados do petróleo, como o óleo diesel, o GLP e o querosene.</p>



<p>O refino ocorre em locais conhecidos como refinarias.</p>



<p>Nestes locais, o petróleo bruto é colocado em uma coluna de fracionamento, onde é aquecido, vaporizado e liquefeito, gerando seus derivados em cada porção da coluna.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="132" height="353" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/foto_eu.png" alt="Coluna de fracionamento" class="wp-image-4758" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/foto_eu.png 132w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/foto_eu-112x300.png 112w" sizes="(max-width: 132px) 100vw, 132px" /><figcaption>Coluna de fracionamento</figcaption></figure></div>



<p>Indo das porções mais baixas para as mais altas, o petróleo é transformado em: asfalto, óleo lubrificante, óleo combustível, querosene, gasolina e GLP. A qualidade do petróleo pode ser definida pela capacidade de gerar o maior número de derivados no fracionamento.</p>



<h3>Produção e consumo</h3>



<p>O petróleo é caracterizado pela concentração em sua produção e localização das jazidas e pela concentração no seu consumo.</p>



<p>O país que <strong>detém as maiores jazidas de petróleo é a Venezuela</strong>. Ainda na América, jazidas importantes são encontradas no México, especialmente no Golfo do México, e no Canadá.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="539" height="243" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_producao.png" alt="Jazidas petrolíferas no mundo, por país" class="wp-image-4755" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_producao.png 539w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_producao-300x135.png 300w" sizes="(max-width: 539px) 100vw, 539px" /><figcaption>Jazidas petrolíferas no mundo, por país</figcaption></figure></div>



<p>Na Eufrásia, jazidas importantes são encontradas na China, Rússia, Oriente Médio (Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, entre outros), na Nigéria e na Líbia.</p>



<p>Todavia, quando analisamos a <strong>produção</strong>, o cenário é diferente. O maior produtor de petróleo do mundo são os EUA, seguidos da Rússia e da Arábia Saudita. A Venezuela está apenas na 12º posição.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="537" height="243" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_consumo.png" alt="Consumo de petróleo no mundo, por país" class="wp-image-4754" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_consumo.png 537w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/concentracao_consumo-300x136.png 300w" sizes="(max-width: 537px) 100vw, 537px" /><figcaption>Consumo de petróleo no mundo, por país</figcaption></figure></div>



<p>Já o <strong>consumo </strong>é principalmente feito nos países desenvolvidos. Estes países importam petróleo dos países produtores. Destaque para EUA, Europa, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia.</p>



<h3>Petróleo e Geopolítica</h3>



<p>O fato do petróleo ser a fonte energética mais importante do mundo, associado às jazidas estarem localizadas de maneira muito desigual, acaba por determinar questões geopolíticas de relevo.</p>



<p>Até os anos 1960, a produção mundial de petróleo era controlada por sete empresas, todas elas europeias ou americanas: Exxon, Mobil, Texaco, Amoco, Shell, BP e Chevron. Conhecidas como &#8220;sete irmãs&#8221;, este <strong>cartel</strong> comandava a oferta do petróleo, controlando seu preço mundial.</p>



<p>Todavia, os governos de países produtores de petróleo, para se opor e rivalizar com as sete irmãs, criaram a <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2019/05/a-organizacao-dos-paises-exportadores-de-petroleo-opep.html">Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)</a>, que passaram, a partir dos anos 1970, a estabelecer cotas de produção, controlando a demanda e os preços.</p>



<p>Uma data é particularmente relevante nesta década. No ano de 1973 ocorreu o choque do petróleo, quando os países da OPEP decidiram, propositalmente, aumentar bruscamente o preço do petróleo, causando uma crise mundial com impacto por muitos anos.</p>



<p>Este aumento foi decorrente do apoio dos EUA a Israel na Guerra de Yom-Kippur. Como boa parte dos países da OPEP são árabes, o choque foi uma resposta à ofensiva militar americana. Este fato demonstrou a força política da OPEP.</p>



<p>Este fato incentivou os países desenvolvidos a buscarem alternativas na produção do petróleo. Nos EUA, este resposta veio pela exploração do gás de xisto.</p>



<h2>Carvão</h2>



<p>O carvão foi a primeira fonte de energia utilizada para fins de industrialização. Foi a principal fonte energética da Primeira Revolução Industrial e compunha a maior parte da matriz elétrica mundial até a Segunda Revolução Industrial.</p>



<p>Ainda hoje, a importância do carvão é inegável: é a principal fonte da matriz elétrica energética mundial, sendo utilizada em usinas termelétricas.</p>



<h3>Formação</h3>



<p>Assim como o petróleo, o carvão é tem origem orgânica. Foi formado há 250 milhões de anos, especialmente durante o carbonífero, na era Paleozoica.</p>



<p>A formação do carvão necessita de duas condições básicas: a existência de uma cobertura vegetal densa e a inundação desta por água. Ambientes pantanosos foram, inclusive, os que mais propiciaram a formação de jazidas carboníferas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" width="847" height="164" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_carvao.png" alt="Processo de formação do carvão mineral" class="wp-image-4756" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_carvao.png 847w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_carvao-300x58.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/formacao_carvao-768x149.png 768w" sizes="(max-width: 847px) 100vw, 847px" /><figcaption>Processo de formação do carvão mineral</figcaption></figure>



<p>Estas florestas, então, foram sepultadas por processos de sedimentação. Com a ação da temperatura e da pressão, formaram-se rochas com alto teor de carbono, o carvão.</p>



<h3>Tipos de carvão</h3>



<p>Na prática, carvão é o nome genérico que damos a rochas com elevado teor de carbono. A depender da quantidade de carbono existente na rocha, podemos classificá-las em quatro tipos principais, daquele com maior concentração de carbono para o com menor: antracito, hulha, linhito e turfa.</p>



<p>A existência do carbono irá definir o poder calorífero da rocha, tendo em vista que são nas ligações entre moléculas de carbono que obtemos energia. Assim, o antracito, por exemplo, é o tipo de carvão com mais capacidade energética, enquanto a turfa tem a menor capacidade.</p>



<p>Apesar de ser, teoricamente, o melhor tipo de carvão, o antracito é pouco encontrado em jazidas. A maior parte das reservas mundiais são de hulha.</p>



<h3>Aplicações</h3>



<p>Quando o assunto é fonte de energia, o carvão encontra sua principal aplicação nas termelétricas. A queima do carvão é responsável pelo aquecimento de tambores de água. Esses, quando aquecidos, geram vapor, que, por sua vez, girarão uma turbina. Um gerador, ligado a turbina, transformará a energica cinética do movimento das hélices em energia elétrica. </p>



<p>Além disso, o carvão tem usos como matéria-prima na indústria. Nas siderurgias, por exemplo, indústrias de fabricação de aço, o carvão é usado em reação química com o minério de ferro, de modo a obter o ferro metálico.</p>



<p>O carvão ainda é utilizado na indústria química.</p>



<p>Todavia, em todas estas aplicações, o uso do carvão envolve o lançamento de CO2 à atmosfera, principal gás responsável pelo efeito estufa. Logo, o carvão mineral é uma fonte energética muito poluente.</p>



<p>Além disso, do ponto de vista econômico, o carvão é menos interessante que o petróleo, tendo em vista que seu transporte é mais caro.</p>



<h2>Gás Natural</h2>



<p>O gás natural é um combustível fóssil formado de maneira associada ao petróleo. Suas jazidas, logo, geralmente estão juntas com jazidas petrolíferas.</p>



<p>O gás natural tem ganhado atenção nos últimos anos e países como o Brasil tem apostado nele para diversificar a matriz energética nacional. A construção do gasoduto Brasil-Bolívia, por exemplo, fez parte de um planejamento de aumentar o uso desta fonte no país.</p>



<p>Um fator positivo para o uso de gás natural é o fato dele ser menos poluente que o carvão mineral e que o petróleo. Tem a principal aplicação nas termelétricas, onde é um bom substituto do óleo diesel e do carvão.</p>



<p>Todavia, seu transporte é mais difícil. Por ser um gás, levá-lo de um lado a outro depente da construção de dutos com quilômetros de extensão: os chamados gasodutos.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="253" height="170" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/gasoduto.png" alt="Gasoduto" class="wp-image-4753"/><figcaption>Gasoduto</figcaption></figure></div>



<p>Na Europa, países como Espanha, Itália e Alemanha recebem gás natural por extensos gasodutos que vêm da Rússia, maior produtor mundial. Países Ásia Central e Oriente Médio também destacam-se na produção desta fonte energética.</p>



<p>Se interessou pelo assunto? Assista o vídeo em nosso canal:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Fontes de Energia Não-Renováveis: Petróleo, Carvão Mineral e Gás Natural" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/cRjzgOMvprI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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		<title>Industrialização Brasileira: entre avanços e recuos na formação de uma soberania nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2020 14:58:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[O Brasil é um país de industrialização tardia, isto é, começou seu amplo processo de industrialização a partir da Segunda Guerra Mundial. De lá até os dias atuais, diversos foram os momentos onde viram-se períodos de profundos avanços em passos largos no estabelecimento de um parque industrial próprio, intercalados por períodos de quebra de um [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Brasil é um país de industrialização tardia, isto é, começou seu amplo processo de industrialização a partir da Segunda Guerra Mundial.</p>



<p>De lá até os dias atuais, diversos foram os momentos onde viram-se períodos de profundos avanços em passos largos no estabelecimento de um parque industrial próprio, intercalados por períodos de quebra de um projeto nacional e subserviência às elites do centro do sistema capitalista.</p>



<p>Ler: <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2016/07/os-ciclos-de-kondratiev.html">Ciclos de Kondratiev</a>.</p>



<p>A relação entre indústria e soberania nacional é, válido lembrar, bastante clara.</p>



<p>Ao edificar um parque industrial próprio, dotado de ferramentas logísticas ágeis, um país pode vislumbrar abandonar as amarras do imperialismo impostas pelos países do centro do sistema, promovendo uma melhora endógena (de dentro para fora) do poder de compra e da qualidade de vida da sua população.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="463" height="307" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/industria_personagens-1.png" alt="Personagens importantes para a industrialização brasileira. Da esquerda para direita: Barão de Mauá, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Ernesto Geisel e Luis Inácio Lula da Silva" class="wp-image-4698" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/industria_personagens-1.png 463w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/06/industria_personagens-1-300x199.png 300w" sizes="(max-width: 463px) 100vw, 463px" /><figcaption>Personagens importantes para a industrialização brasileira. Da esquerda para direita: Barão de Mauá, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Ernesto Geisel e Luis Inácio Lula da Silva</figcaption></figure></div>



<p>Neste texto, mostraremos algumas fases deste processo de industrialização nacional, desde a simples edificação do parque industrial até o que as políticas econômicas fizeram com os mesmos, propondo ampliações e encolhimentos.</p>



<h2><strong>Uma industrialização iniciada pelo “teto”</strong></h2>



<p>Até a independência, em 1822, indústrias no país eram, em geral, proibidas, pois poderiam significar concorrência com os produtos produzidos em Portugal. Os bens necessários eram, então, importados de outros países.</p>



<p>Mesmo após sair do domínio político da Metrópole, demorou algumas décadas até o surto de industrialização chegar ao nosso país. Nesse primeiro momento, destaque para as tentativas de Barão de Mauá, magnata que aplicou esforços em projeto de industrialização nacional.</p>



<p>O ponto de inflexão ocorre a partir de 1929, onde o mundo capitalista entra em uma crise de superprodução, que provocou a quebra da bolsa de Nova Iorque.</p>



<p>Neste momento, os fluxos comerciais entre países diminuíram bruscamente. Portanto, o volume de exportação de café também caiu a índices muito baixos. Ao mesmo tempo, também tornou-se mais difícil para o Brasil importar os produtos industrializados necessários por aqui.</p>



<p>Assim, os barões do café, que viam seus lucros caírem, passaram a promover um processo chamado de <strong>substituição de importações</strong>, isto é, passaram a investir em indústrias que produziam aqui o que era importado.</p>



<p>Existe uma discussão acadêmica se, de fato, foram os barões de café o grupo responsável por promover amplamente o início da industrialização nacional. Isto pois os imigrantes europeus, que para nosso país vieram entre os séculos XVIII e XIX, também se lançaram em iniciativas industriais. Além de já trazerem <em>“o capitalismo nos ossos”</em> das potências europeias, produziam nas fazendas bens de consumo como sapatos, botas, vestimentas, ferramentas, etc.</p>



<p>Então, vale ressaltar: internamente, o Brasil passou a produzir <strong>BENS DE CONSUMO NÃO-DURÁVEIS</strong>. Estava iniciada a industrialização nacional que, todavia, iniciava-se pelo “teto” e não pela “base”.</p>



<h2><strong>Era Vargas: montam-se as bases da industrialização brasileira</strong></h2>



<p>Getúlio Vargas sobe ao poder em meados de 1930 através de uma revolução e passa a promover um grande esforço de industrialização nacional.</p>



<p>Seu primeiro governo, que durou até 1945, atravessou um período peculiar da história mundial: a Segunda Guerra Mundial. E se a crise de 1929 significou uma queda na circulação global de mercadorias, a Segunda Guerra significou uma continuidade e um aprofundamento deste processo.</p>



<p>Getúlio Vargas, portanto, deu continuidade ao processo de substituição de importações. O foco aqui, porém, era outro: a indústria de base.</p>



<p>Tal indústria é a base para a industrialização de qualquer país. Dentre os segmentos que ela contempla, cita-se a geração de energia, a mineração, a siderurgia, a metalurgia, etc.</p>



<p>O período foi marcado pela edificação de grandes empresas públicas, dentre elas a Petrobrás (petróleo), a Companhia Siderúrgica Nacional (siderurgia), a Vale do Rio Doce (mineração), entre outras.</p>



<p>Muitas destas empresas, vale lembrar, foram criadas com auxílio do capital estrangeiro. A CSN, por exemplo, foi criada com ajuda americana. Estas ajudas eram troca pela aproximação do Brasil com os aliados durante a Guerra.</p>



<p>O fato do Estado ser o principal responsável pela edificação deste tipo de indústria não é, todavia, sem motivos. Este tipo de setor exige um aporte financeiro muito elevado e com retorno em longo prazo. Logo, não é interessante para empresários individuais aportarem este tipo de segmento.</p>



<p>Além de seus esforços de industrialização, Vargas ficou conhecido pelos avanços no que diz respeito as leis trabalhistas. Foi o presidente responsável pela instauração da Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT.</p>



<p>Em resumo, instaurava-se no país a <strong>INDÚSTRIA DE BASE.</strong></p>



<h2><strong>Kubitschek: finaliza-se o tripé econômico</strong></h2>



<p>Juscelino Kubitschek, o JK, sobe ao poder com o plano de desenvolver o Brasil “50 anos em 5”.</p>



<p>Dentre suas principais políticas industrializantes, destaca-se o Plano de Metas, que era composto por uma série de planos que buscavam desenvolver áreas específicas do país, como agricultura, educação, integração e indústria.</p>



<p>Se, em cenário nacional, as indústrias de bens de consumo não-duráveis e de base já tinham parques consolidados, JK passou a criar condições para atrair para o Brasil indústrias de <strong>BENS DE CONSUMO DURÁVEIS</strong>, como a automobilística.</p>



<p>Tal prática pode ser enquadrada naquilo que chamados de tripé econômico. Este tripé seria composto por:</p>



<p>&#8211; Indústria de bens não-duráveis, nas mãos do capital privado nacional;</p>



<p>&#8211; Indústria de base, nas mãos do capital estatal;</p>



<p>&#8211; Indústria de bens duráveis, <strong>nas mãos do capital privado estrangeiro</strong>.</p>



<p>É neste período, por exemplo, que são instaladas no Brasil montadores de empresas de países do centro do sistema capitalista, como Estados Unidos e Alemanha. A fábrica da Volkswagen é um exemplo.</p>



<p>O governo JK ocorreu durante o período da Guerra Fria, embate político, econômico e ideológico entre EUA e URSS, Capitalismo e Socialismo. O apoio do Brasil ao lado capitalista tem uma relação muito íntima com a inserção da indústria automobilística em território nacional: o carro é símbolo da liberdade, do indivíduo e do individualismo, em contraposição ao transporte coletivo, de massas.</p>



<p>Este cenário resultou na adesão do país a um modelo rodoviarista. JK criou rodovias importantes como a Belém-Brasília. Foi fundador também de Brasília, nova capital nacional.</p>



<h2><strong>O “milagre” dos militares</strong></h2>



<p>Em 1964 o até então presidente do Brasil, João Goulart, sofre um golpe militar. A partir deste ano e até 1985, o país passou a ser governado por uma série de presidentes militares escolhidos sem voto popular.</p>



<p>O período, a despeito de ter sido marcado por uma série de políticas de cerceamento de liberdades civis, por perseguições e assassinatos, foi marcado também por um profundo desenvolvimento econômico, com taxas de crescimento do PIB que chegaram a 14% ao ano.</p>



<p>Era o período do “milagre econômico” brasileiro.</p>



<p>Diversas foram as obras de infraestrutura criadas pelos governos militares. Tal obras, conhecidas como “obras faraônicas” por apresentarem grande tamanho e impacto, promoveram passos importantes no desenvolvimento nacional. Foi no período que foram criadas a Usina Hidrelétrica de Itaipu, a Ponte Rio Niterói, as Usinas Nucleares de Angra I e Angra II, e a Transamazônica, até hoje não concluída.</p>



<p>Essas grandes obras públicas estimulavam a criação de empregos, levando a índices de desemprego em geral baixos no país. Todavia, o tipo de emprego exigido era de baixa qualificação que, por consequência, pagava baixos salários. Logo, embora vivesse uma situação de pleno emprego, pouco se avançou em sentido de distribuição de renda e de melhora das condições sociais do país no período.</p>



<p>Nas palavras de Delfim Neto, era necessário primeiro o bolo da economia crescer, para depois ser dividido.</p>



<p>Estas grandes obras públicas, todavia, foram feitas com gigantescos empréstimos provenientes de organizações supranacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Isto endividou o Estado brasileiro e trouxe um incremento muito grande da inflação.</p>



<p>A partir de 1974, o mundo sobre uma nova crise causada pelo aumento do preço do petróleo pelos países da OPEP. O Brasil, que até então vivia anos de pleno crescimento do PIB, vê sua economia caminhar a passos largos para recessão.</p>



<p>Rompia então o aparato que dava sustentação ao governo militar. O Brasil, a partir de 1985, entra em um período de redemocratização que, todavia, não conseguiu estancar a crise nacional.</p>



<h2><strong>Anos 80 e 90: A ‘década perdida’, a desindustrialização e o neoliberalismo</strong></h2>



<p>Os anos 1980 marcam um período de profunda crise econômica no Brasil. A economia nacional viva períodos de altas inflações e dificuldade das indústrias em manterem sua produtividade e sua margem de lucro.</p>



<p>Os juros da dívida externa, criada desde o período JK e reforçada nos governos militares, pesavam cada vez mais no orçamento público da união, deixando pouca margem a política industrializantes.</p>



<p>Apesar da crise, houveram alguns avanços no período. A Zona Franca de Manaus foi concluída, foram criados a EMBRAPA e o programa Proálcool, que pretendia reduzir a dependência da matriz energética do Brasil do petróleo.</p>



<p>É o período de planos econômicos que tentaram, sem sucesso, ‘salvar’ a economia nacional da recessão. Todos fracassados. Dentre eles, o Plano Verão, Plano Bresser e Plano Sarney.</p>



<p>Este cenário só foi alterado a partir de 1994, com a criação do Plano Real.</p>



<p>O Plano Real foi capaz de diminuir drasticamente a inflação, embora também tenha trazido problemas. Dentre eles, guiou o investimento para o mercado especulativo, reduzindo a parcela do dinheiro dedicado ao investimento produtivo (em fábricas) e, ao propor um câmbio valorizado (a moeda nacional chegou a valer mais que o dólar), prejudicava a exportação, tão importante para diversas indústrias da época.</p>



<p>A década de 1990 também é marcante pela ascensão do <em>neoliberalismo</em>. Tal doutrina, que tem como principais defensores políticos Margareth Tatcher e Ronald Reagan, preconizava uma cartilha de liberalização econômica para a América Latina. Os Estados Nacionais não deveriam influenciar na economia, deixando as regras do mercado autorregularem-se.</p>



<p>No Brasil, os principais expoentes desta política foram os presidentes Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Em seus governos, diversas empresas públicas foram privatizadas: a Vale do Rio Doce, que tornou-se Vale, a Light, a Telebras, a CSN, dentre tantas outras.</p>



<p>No período, também ocorreu um processo de desconcentração industrial. Com a constituição de 1988, os estados da federação passaram a poder decidir as próprias tarifas. Isto abriu margem para uma guerra fiscal, onde cada estado oferecia vantagens fiscais, como isenção de impostos, para atrair determinada empresa.</p>



<h2><strong>Volta o Nacional-Desenvolvimentismo: Lula e Dilma</strong></h2>



<p>Em 2003, o operário Luís Inácio Lula da Silva torna-se presidente do Brasil. Eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o agora presidente defendia uma cartilha focada na distribuição de renda e valoração da indústria nacional. Além do bolo crescer, ele agora seria dividido.</p>



<p>Era o retorno do que chamamos de nacional-desenvolvimentismo, abandonado desde a eleição de Collor, prática política pautada no fortalecimento da indústria nacional e a criação de um projeto nacional de desenvolvimento.</p>



<p>Entre 2003 e 2013, o Brasil voltou a presenciar altas taxas de crescimento de PIB, acompanhados por melhoramentos dos indicadores sociais. Empresas brasileiras passaram a atuar não só dentro do território nacional, como também em toda América Latina e até mesmo no centro do sistema capitalista.</p>



<p>O Brasil assumia protagonismo dentro do BRICS e do Mercosul.</p>



<p>Muito do crescimento nacional no período foi, válido salientar, influenciado pelos altos preços das <em>commodities</em>.</p>



<p><em>Commodities</em> são produtos vendidos em larga escala, de características uniformes e que contam com valor definido pelo mercado financeiro global, especialmente a Bolsa de Chicago. Dentre eles, citam-se a soja, o café e o petróleo.</p>



<p>Como grande exportador deste tipo de produto, o Brasil viu sua balança comercial atingir índices bastante favoráveis, especialmente pelas grandes compras de países como a China, cujo volume de vendas aumentou 500% entre 2005 e 2011.</p>



<p>Do ponto de vista social, o poder de compra do brasileiro foi incrementado através de programas sociais como o Fome Zero e o Bolsa Família. Ainda, destacam-se programas sociais como o Minha Casa Minha Vida, que, a despeito das críticas que sofreu, proporcionou o acesso de famílias a casa própria e fortaleceu construtoras nacionais, o ProUni e a criação de universidades e institutos federais, que proveu a indústria de mão-de-obra qualificada.</p>



<p>Com a reeleição da sucessora de Lula, Dilma Roussef, em 2014, este cenário passou a mudar. Em plano econômico, houve a queda dos preços das <em>commodities</em> e o início da desaceleração chinesa. Com a pressão de grandes organizações supranacionais, o governo passou a adotar uma cartilha menos progressista e desenvolvimentista. Isto é bem ilustrado com a escolha de um economista conservador – Joaquim Levy – para o Ministério da Fazenda.</p>



<p>Em 2013, eclodem manifestações em todo Brasil que lançam o país em uma crise de representatividade política. No ano seguinte, as eleições foram marcadas por um profundo cenário de polarização. Em 2016, com os avanços das investigações de denúncias de corrupção contra Lula, principal nome do partido, e da lava-jato, ocorre uma ainda maior desestabilização das bases do governo. A partir daí, a base da presidente passa a ser cada vez mais pulverizada, culminando em seu processo de <em>impeachment</em>.</p>



<p>Neste cenário, temos o reaparecimento de forças da direita nacional. De 2016 até hoje, vivemos um período de retorno das políticas liberalizantes que marcaram o país entre os anos 1980 e 1990. O Estado passa a intervir menos na economia e as políticas sociais e a indústria nacional são deixadas de lado em prol de uma cartilha de venda de empresas nacionais a grupos estrangeiros.</p>



<p></p>
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		<item>
		<title>Todos os países da União Europeia usam o Euro?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Feb 2020 19:19:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Europa de Leste]]></category>
		<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
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					<description><![CDATA[Não. Zona do Euro, nome dado ao conjunto de países-membros do bloco europeu que adotam o Euro como moeda, e União Europeia (UE) não são sinônimos. Atualmente, a União Europeia é composta por 27 países-membros, já considerando a recente saída do Reino Unido. Já a Zona do Euro engloba 19 países. Ocorrem, então, dois casos. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não. Zona do Euro, nome dado ao conjunto de países-membros do bloco europeu que adotam o Euro como moeda, e União Europeia (UE) não são sinônimos.</p>



<p>Atualmente, a União Europeia é composta por 27 países-membros, já considerando a recente saída do Reino Unido.</p>



<p>Já a Zona do Euro engloba 19 países.</p>



<p>Ocorrem, então, dois casos. O primeiro, de países-membros da UE que não utilizam a moeda única do bloco. O segundo, de países não-membros da União Europeia, mas que usam o euro, unilateralmente ou não. Os casos são espacializados na figura abaixo.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" width="400" height="400" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/02/zona_euro-1.png" alt="Zona do Euro" class="wp-image-4315" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/02/zona_euro-1.png 400w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/02/zona_euro-1-300x300.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/02/zona_euro-1-150x150.png 150w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2020/02/zona_euro-1-120x120.png 120w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption>Zona do Euro</figcaption></figure></div>



<h2>Caso 1: Países-membros da UE, mas que não utilizam o Euro</h2>



<p>Teoricamente, <em>quase</em> todos os países-membros da UE são obrigados a adotarem a moeda única do bloco, conforme definido no Tratado de Maastricht.</p>



<p>Todavia, muitos países que entraram recentemente ainda estão em processo de adesão ao euro e não cumpriram com integridade aos chamados &#8220;Princípios de Convergência&#8221;.</p>



<p>É o caso dos seguintes países:</p>



<ul><li>Bulgária (utiliza o Lev);</li><li>Polônia (utiliza o Zloty);</li><li>Romênia (utiliza o Leu);</li><li>Hungria (utiliza o Florin);</li><li>Croácia (utiliza a Kuna);</li><li>Tchéquia (utiliza a Coroa).</li></ul>



<p>Os Princípios de Convergência são:</p>



<ul><li>Estabilidade de preços;</li><li>Finanças públicas sólidas;</li><li>Estabilidade na taxa de câmbio;</li><li>Taxa de juros de longo prazo.</li></ul>



<p>Assim, quando estes países atingirem com integridade os critérios estabelecidos e estes sejam publicados nos relatórios de convergência elaborados a cada dois anos pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu, serão obrigados a integrarem-se na Zona do Euro.</p>



<p>Todavia, existem aqui duas exceções: Dinamarca e Suécia.</p>



<p>A Dinamarca, conforme definido no Tratado de Maastricht, rejeitado pela população em 1992, não é obrigada a aderir à moeda única. Adere somente em caso de voto parlamentar ou de referendo popular favorável.</p>



<p>Já a Suécia encontrou uma manobra legal para continuar não utilizando o euro, moeda rejeitada pela população em referendo realizado em 2003. A Coroa Sueca não integra o Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio (MTC II), o que, teoricamente, impede o país de cumprir com os critérios de convergência.</p>



<h2>Caso 2: Países que não fazem parte da UE, mas utilizam o Euro</h2>



<p>Existem dois sub-grupos neste caso: os países que usam o euro com acordo com a União Europeia e os países que o fazem unilateralmente.</p>



<p>O primeiro grupo inclui as micronações do continente europeu que, dada suas pequenas populações, não são aptas a aderir à UE, mas sempre utilizaram as moedas dos países maiores vizinhos.</p>



<p>É o caso do Vaticano e de San Marino, que utilizavam a lira italiana, de Mônaco, que utilizava o franco monegasco, e de Andorra, que utilizava o franco francês e a peseta espanhola.</p>



<p>Também há alguns Estados que aderiram ao euro como moeda, mas o fazem unilateralmente, sem acordo formal. São em geral países de economia mais frágil.</p>



<p>É o caso de Kosovo e Montenegro, que antes do surgimento da UE utilizavam o marco alemão, e o Zimbábue, que suspendeu a adoção de sua moeda e passou a utilizar o dólar americano e o euro.</p>



<p>Assim, fica mais claro que Zona do Euro e União Europeia não são sinônimos. Todavia, a adoção do euro é obrigatória, com exceção de Dinamarca e Suécia. Como a Comissão Europeia não impõe prazos para a adoção, os países-membros do bloco que utilizam outra moeda podem arrastar o processo de transição por muitos anos. </p>
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		<title>Tigres Asiáticos</title>
		<link>https://www.geografiaopinativa.com.br/2019/06/tigres-asiaticos-2.html</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Jun 2019 19:29:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ásia Central e Extremo Oriente]]></category>
		<category><![CDATA[do Comércio e Serviços]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[Tigres Asiáticos é a denominação dada a um conjunto de países do leste da Ásia cuja industrialização aconteceu tardiamente, através da formação de plataformas de exportação. São eles: Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura. Conforme discutimos em post anterior, as industrializações tardias, que ocorreram na periferia do sistema capitalista, ocorreram por duas modalidades: [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tigres Asiáticos é a denominação dada a um conjunto de países do leste da Ásia cuja industrialização aconteceu tardiamente, através da formação de plataformas de exportação. São eles: Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="269" height="428" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Captura-de-tela-de-2019-06-03-19-18-01.png" alt="" class="wp-image-3722" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Captura-de-tela-de-2019-06-03-19-18-01.png 269w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Captura-de-tela-de-2019-06-03-19-18-01-189x300.png 189w" sizes="(max-width: 269px) 100vw, 269px" /><figcaption>Localizados no extremo oriente, os Tigres Asiáticos passaram por um crescimento econômico muito forte entre os anos 60 e 90. Por Wikimedia https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=48801666</figcaption></figure></div>



<p>Conforme discutimos em <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2019/02/industrializacao-no-mundo-subdesenvolvido-substituicao-de-importacoes-e-plataformas-de-exportacao.html">post anterior</a>, as industrializações tardias, que ocorreram na periferia do sistema capitalista, ocorreram por duas modalidades: via Substituição de Importações e via Plataforma de Exportação.</p>



<p>No primeiro caso, inclui-se países como Brasil, México, Argentina, Índia e África do Sul. São países cuja industrialização ocorreu voltada para o <strong>mercado interno</strong>, no intuito de produzir internamente o que antes era importado, em momento de recessão da economia global.</p>



<p>Já o segundo grupo inclui os Tigres Asiáticos, países que, com pequeno mercado consumidor e poucos recursos naturais a serem explorados, industrializaram-se para o <strong>mercado externo</strong>, isto é, para a venda de produtos para o exterior.</p>



<p>A seguir, discutiremos as principais características deste segundo grupo de países, quais foram as condições que levaram a sua industrialização e quais perspectivas dos mesmos atualmente.</p>



<h2>Os Tigres sob a proteção da Águia</h2>



<p>A economia dos Tigres Asiáticos passou a despontar a partir dos anos 1950 e 1960, período que mundo atravessava a <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2018/12/a-guerra-fria-e-o-mundo-bipolar.html">Guerra Fria</a>.</p>



<p>Neste contexto, o continente asiático dispunha de duas potências socialistas: a União Soviética e a China. Logo, os países da fachada asiática do Pacífico eram &#8220;presas fáceis&#8221; na expansão da hegemonia socialista.</p>



<p>Os EUA, de modo a barrar o crescimento desta influência, passa a investir milhões de dólares a fundo perdido, isto é, sem necessidade de devolução, nas economias dos futuros &#8220;Tigres&#8221;. Estes investimentos fizeram parte de um plano conhecido como <strong>Plano Colombo</strong>.</p>



<p>Os governos da época souberam agir sob a bonança americana. Centralizadores e, em alguns casos, ditatoriais (caso da Coreia do Sul e Singapura), passaram a incentivar a instalação de indústrias em seu território.</p>



<p>Dentre os artifícios utilizados pelos Estados Nacionais da região neste contexto, citam-se:</p>



<ul><li>Incentivos fiscais para a instalação de indústrias (isenção de impostos, doação de terrenos, etc);</li><li>Investimento em infraestrutura (rodovias, portos, ferrovias, etc.)</li><li>Investimentos em educação, que garantiu mão-de-obra qualificada e, em primeiro momento, barata;</li><li>Desvalorização da moeda, permitindo a competitividade dos produtos nacionais em mercado mundial;</li><li>Protecionismo econômico.</li></ul>



<p>Aos poucos, os países do grupo passaram a edificar uma <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2015/08/industrias-de-bens-de-consumo-de-bens.html">indústria de bens de consumo não-duráveis</a> (têxtil, calçados, remédios, etc)<strong> intensiva em trabalho</strong>, isto é, com uso de grande volume de mão-de-obra.</p>



<p>Neste momento, além do aporte em investimento, os EUA auxiliaram os Tigres através da abertura de seu mercado nacional aos produtos exportados por eles.</p>



<h2>Pós-1970: Os Tigres despontam tecnologicamente</h2>



<p>Os anos 1970 são importantes na compreensão do quadro econômico dos Tigres Asiáticos. Isto porque é o período onde ocorre uma mudança interna, no tipo de produto que é fabricado nestes países, e externa, no sentido da mudança no caráter da ajuda americana.</p>



<p>Os EUA passaram a impôr sobre os Tigres uma agenda de liberalização econômica como condição para a flexibilidade de seu mercado às manufaturas asiáticas.</p>



<p>Neste sentido, os Tigres, em especial Coreia do Sul e Taiwan, através de um Estado desenvolvimentista, passaram a agir dois dois sentidos: o primeiro, pela edificação de uma indústria pesada, com foco em áreas como siderurgia, petroquímica, cimento e naval.</p>



<p>O segundo, entendia como ponto focal na industrialização de ambos os países e dos demais do grupo a<strong> indústria de ponta</strong>, <strong>intensiva em tecnologia</strong>.</p>



<p>Neste sentido, Taiwan, Singapura, Coreia do Sul e Hong Kong passaram por diversos planos nacionais cujo foco era desenvolver indústrias de alta tecnologia, entre elas a robótica e a eletrônica.</p>



<p>Na Coreia do Sul, por exemplo, o Estado passou a intervir nos grandes conglomerados do país, os chamados <em>cheabols</em>, os estimulando a concentrarem seus esforços na microeletrônica e em outros setores de alta tecnologia.</p>



<h2>Os Novos Tigres Asiáticos</h2>



<p>A partir da década de 1970, a realidade dos &#8216;velhos&#8217; Tigres Asiáticos já não era a mesma.</p>



<p>A maior parte daquelas vantagens comparativas, como a mão-de-obra barata, que foram fundamentais no início de suas industrializações, foram substituídas por um mercado consumidor com elevado nível de renda e consumo.</p>



<p>Assim, aquelas indústrias tradicionais não viam mais espaço nos velhos Tigres. Migraram, portanto, para outros países da fachada asiática do Pacífico que ainda dispunham de mão-de-obra barata e cujos Estados Nacionais ainda incentivassem a instalação destas indústrias.</p>



<p>Deste modo, surgem os &#8220;Novos Tigres Asiáticos&#8221;, grupo composto por Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã.</p>



<p>Aqui, todavia, encontramos diferenças primordiais em relação ao antigos Tigres.</p>



<p>Indonésia, Malásia, Tailândia, Filipinas e Vietnã são países de grande extensão, dotados de recursos naturais e mercado consumidor interno.</p>



<p>Todavia, centram-se sua produção em produtos de baixa tecnologia para serem consumidos em mercado externo.</p>



<p>Além disso, é necessário salientar que, ao contrário do que ocorreu nos &#8216;velhos&#8217; Tigres, os Novos Tigres não vêm passando por um processo de franco desenvolvimento social, pelo menos não em mesmo nível que, por exemplo, Coreia do Sul e Singapura passaram.</p>



<p>Aqui, dá-se uma relação econômica de subalternação na divisão internacional do trabalho, de maneira similar aquela ocorrida nos países latino-americanos.</p>



<p>Veja também nossa aula sobre o assunto:</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Tigres Asiáticos: Hong Kong, Coreia do Sul, Taiwan e Singapura" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/AKAKc8pv9wg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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		<item>
		<title>A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 May 2019 12:04:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[África Subsaariana]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio]]></category>
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					<description><![CDATA[O petróleo, a partir da Segunda Revolução Industrial, tornou-se o combustível central do desenvolvimento da sociedade capitalista. Todavia, seu caráter não-renovável e sua má distribuição ao redor do globo o tornou uma arma geopolítica, dando poder aos países detentores de reservas em cenário mundial. Este tipo de uso geopolítico do petróleo tornou-se comum a partir [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O petróleo, a partir da Segunda Revolução Industrial, tornou-se o combustível central do desenvolvimento da sociedade capitalista. Todavia, seu caráter não-renovável e sua má distribuição ao redor do globo o tornou uma arma geopolítica, dando poder aos países detentores de reservas em cenário mundial.</p>



<p>Este tipo de uso geopolítico do petróleo tornou-se comum a partir da década de 1960, com a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), organização composta originalmente por Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="715" height="428" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/opep.png" alt="" class="wp-image-3663" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/opep.png 715w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/opep-300x180.png 300w" sizes="(max-width: 715px) 100vw, 715px" /><figcaption>Bandeira da OPEP, importante organização sul-sul frente interesses do centro do sistema capitalista</figcaption></figure></div>



<p>O ponto focal da criação da organização foi dar poder de negociação aos países produtores de petróleo frente ao arrocho de preços promovido pelas grandes multinacionais do mundo ocidental, dentre elas as que compunham o monopólio conhecido como <em><strong>Sete Irmãs</strong></em>, gigantes empresas petrolíferas europeias e americanas que comandavam a exploração de petróleo em nível global.</p>



<p>Estruturados em bloco, os países componentes da OPEP passaram a se articular de modo a garantir maior controle sobre a produção petrolífera mundial, em detrimento das multinacionais do ocidente. </p>



<p>Dentre as conquistas do grupo, citam-se o aumento dos royalties pagos pelas empresas exploradoras aos países, aumento dos impostos pela exploração e <strong>poder sobre o preço do petróleo</strong>.</p>



<p>Com isso, os países poderiam reverter a exploração em seus territórios em projetos que melhorassem a qualidade de vida de sua população e suas infraestruturas. Era, na prática, uma imposição sul-sul frente aos interesses do centro do capitalismo mundial.</p>



<p>Todavia, o episódio mais emblemático envolvendo a OPEP e as potências ocidentais ocorreu em 1973. Neste período, ocorreu, no contexto da <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/12/questao-palestina.html">Questão Palestina</a>, a Guerra do Yom Kippur, ataque de Síria e Egito a Israel em busca de recuperar seus territórios perdidos para o país. </p>



<p>O apoio dos EUA e das potências europeias a Israel levou a OPEP, composta majoritariamente por países de maioria islâmica, a aumentar intencionalmente o preço do petróleo em 400%. </p>



<p>Como a economia mundial era extremamente dependente do petróleo, esta elevação dos preços levou ao encarecimento de combustíveis e de produtos, prejudicando a economia de diversos países. A partir deste ano instaura-se uma fase depressiva da economia mundial, que levou as nações ocidentais a buscarem o mais rapidamente resolver a situação com os países da OPEP.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="394" height="350" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Historico_petroleo.jpg" alt="" class="wp-image-3662" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Historico_petroleo.jpg 394w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Historico_petroleo-300x267.jpg 300w" sizes="(max-width: 394px) 100vw, 394px" /><figcaption>Variação do preço do petróleo entre 1861 e 2001. Notar que as maiores variações a partir de 1950 são por conta de ebulições sociais no Oriente Médio.</figcaption></figure></div>



<p>O embargo foi retirado em janeiro de 1974, mas a economia mundial sofreria os reflexos dele por muitos anos. </p>



<p>Além do choque provocado pela OPEP, o preço do petróleo ainda era vítima das ebulições geopolíticas no Oriente Médio. Anteriormente, em 1959, a nacionalização do Canal de Suez já havia elevado o preço do barril.</p>



<p>Posteriormente, resultados parecidos ocorreram em 1979, quando eclode a <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/conflito-ira-iraque-guerras-do-golfo.html">Revolução Iraniana</a>, que tirou o Xá Reza Pahlevi do poder no Irã, e em 1991, no contexto da <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/conflito-ira-iraque-guerras-do-golfo.html">Guerra do Golfo</a>, quando o Iraque invadiu o Kuwait e passou a comandar as jazidas de exploração petrolífera dos vizinhos do sul. </p>



<p>Estes momentos ficaram conhecidos, respectivamente, como Primeira, Terceira e Quarta Crise do Petróleo (a Segura seria, assim, aquela causada pela OPEP).</p>



<p>Como resultado desta instabilidade do preço da matriz energética base da economia global, os EUA e nações da Europa Ocidental buscaram diversificar a pauta energética, investindo em fontes alternativas de energia, dentre as quais o <strong>gás de xisto, </strong>e voltaram-se no mantimento de boas relações com produtores de petróleo fora do Oriente Médio, <strong>como a Venezuela,</strong> ou com nações da região amistosas aos Ocidentais, <strong>como a Arábia Saudita</strong>.</p>



<p>Atualmente, a OPEP é composta por seis países africanos (Angola, Argélia, Gabão, Guiné Equatorial, Líbia e Nigéria), sete asiáticos (Indonésia, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Irã, Iraque, Kuwait e Catar) e dois sul-americanos (Venezuela e Equador).</p>
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		<title>Geografia e suas &#8216;caixinhas&#8217;: por que isso é tão problemático?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Mar 2019 17:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartografia e Geotecnologias]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Física]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
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					<description><![CDATA[Durante a história do pensamento geográfico, diversos autores se propunham a um esforço teórico para equilibrar sob o escopo de uma mesma ciência os campos tão diversos da Geografia. Das análises, algumas são particularmente relevantes. Em &#8220;Um lugar para a Geografia: contra o simples, o banal e o doutrinário&#8221;, Paulo César da Costa Gomes defende [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Durante a história do pensamento geográfico, diversos autores se propunham a um esforço teórico para equilibrar sob o escopo de uma mesma ciência os campos tão diversos da Geografia.</p>



<p>Das análises, algumas são particularmente relevantes.</p>



<p>Em &#8220;Um lugar para a Geografia: contra o simples, o banal e o doutrinário&#8221;, Paulo César da Costa Gomes<strong><em> </em></strong>defende que este problema epistemológico seria resolvido a partir de uma mudança da perspectiva da definição da ciência geográfica. Sai de cena o <strong>espaço geográfico</strong> como objeto de estudo, e se propõe que a particularidade da Geografia estaria na <strong>pergunta de partida</strong>. </p>



<p>Quando visualizamos um &#8220;problema geográfico&#8221;, devemos nos perguntar a <strong>ordem espacial </strong>do mesmo, independente de se o que é analisado são camadas sedimentares em uma rocha ou as vias que compõem uma cidade. </p>



<p>Aqui, o peso maior está no modo de visualizar o problema do que no problema em si.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="500" height="300" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/pais.png" alt="" class="wp-image-3625" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/pais.png 500w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/pais-300x180.png 300w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><figcaption>Ironicamente, a Geografia tem dois &#8220;pais&#8221;, Humboldt, pai da Geografia Física, e Ritter, pai da Geografia Humana. Todavia, esta dualidade entre os dois autores é discutível.</figcaption></figure></div>



<p>No aflorar da Teoria Geral dos Sistemas e na sua aplicação no escopo da Geografia, o Geossistema, o campo físico e humano se viam enquadrados sob a mesma ótica através do conceito de <strong>Paisagem</strong>.</p>



<p>Sotchava, por exemplo, na década de 1960 trabalha com a Paisagem como conceito fundamental, capaz de sintetizar a integração dinâmica entre elementos do homem e da sociedade. Utilizou estes estudos na prática do planejamento territorial da União Soviética.</p>



<p>Bertrand, representante da escola francesa, por sua vez, apresenta, em seu modelo do geossistema, a composição de três esferas principais: o <strong>Potencial Ecológico</strong>, a <strong>Exploração Biológica</strong> e a <strong>Ação Antrópica</strong>, este último entendido como um agente de desequilíbrio.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="507" height="162" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Screenshot_20190315_211055.png" alt="Modelo de Geossistema de Bertrand." class="wp-image-3622" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Screenshot_20190315_211055.png 507w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Screenshot_20190315_211055-300x96.png 300w" sizes="(max-width: 507px) 100vw, 507px" /><figcaption>Modelo de Geossistema de Bertrand.</figcaption></figure></div>



<p>O elemento antrópico, biológico e físico aparecem na composição da tríade bertrandiana, evocando a inter-relação dos fatores na composição de um sistema natural.</p>



<p>Se o entendimento do campo físico com sua relação com o humano ficava mais claro com a ideia de geossistema, a leitura da sociedade poderia ser apoiada sob o paradigma da <strong>formação sócio-espacial</strong>.</p>



<p>A formação sócio-espacial, originada através de um refinamento da noção marxista de formação econômico-social, é o que podemos compreender como a possibilidade realizada do <strong>Modo de Produção</strong>.</p>



<p>O Modo de Produção, por sua vez, é o modo de organização da sociedade gestada através da associação de graus de desenvolvimento de f<em>orças produtivas</em> e de <em>relações de produção</em>. Assim, desde o desenvolvimento das civilizações, temos uma sequência de &#8220;fases&#8221;: Comunismo Primitivo, Escravista, Feudal, Capitalista e, finalmente, Socialista.</p>



<p>A formação sócio-espacial &#8211; concreta e específica &#8211; seria o modo como este modo de produção &#8211; geral  e abstrato &#8211; ocorreria na sociedade.</p>



<p>Certamente, todo este caminho percorrido, através de um esforço teórico de diversos pensadores, auxiliou no entendimento daquilo que a Geografia estuda. Mas, se as discussões teóricas se mostram assim intensas, como as &#8216;caixinhas&#8217; da ciência geográfica permanecem tão separadas?</p>



<h2>Uma hipótese: o desenho organizacional das universidades</h2>



<p>Analisando o desenho organizacional dos cursos de Geografia em determinadas universidades, percebemos que, em sua formação, o geógrafo  tem embutido uma clara polarização entre o campo físico e o campo humano da Geografia.</p>



<p>Como maneira de apurar esta possível dualidade, vejamos como se organizam os cursos de pós-graduação de algumas universidades brasileira.</p>



<p>É comum, em boa parte das universidades, a divisão do programa de pós-graduação em duas áreas de concentração bem claras: uma para aqueles interessados na Geografia Física e outra para aqueles interessados na Geografia Humana.</p>



<p>Na UFMG, por exemplo, são duas as áreas de concentração: <strong>Organização do Espaço </strong>e <strong>Análise Ambiental</strong>. </p>



<p>A primeira área, conforme o site da universidade, debruça-se, especialmente , sobre a &#8220;produção do espaço, teoria e prática&#8221;. Já a segunda, o foco é, precisamente, a &#8220;geografia física&#8221;.</p>



<p>Na UFPA, ambos as áreas de concentração remetem o estudo da Amazônia. Todavia, ainda aqui, vemos uma orientação dualista. De um lado, temos <strong>Dinâmicas Territoriais na Amazônia </strong>e, do outro, <strong>Dinâmica Socioambiental e Recursos Naturais na Amazônia</strong>.</p>



<p>Na UFSC não é diferente. As áreas de concentração são: <strong>Desenvolvimento Regional e Urbano</strong> e <strong>Utilização e Conservação de Recursos Naturais</strong>.</p>



<p>Caso o aluno tenha interesse de uma área voltada ao uso de geotecnologias na Geografia, encontrará uma linha de pesquisa apenas na Pós-Graduação em Engenharia Civil. </p>



<p>O caso da USP, todavia, é emblemático.</p>



<p>Por lá, não somente áreas de concentração diferentes separam Geografia Física de Humana, mas também <strong>Programas de Pós-Graduação</strong> distintos.</p>



<p>Existe o Programa de Pós-Graduação em Geografia Física (PPGF) e o Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana (PPGH).</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" width="735" height="157" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Screenshot_20190315_230414.png" alt="" class="wp-image-3623" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Screenshot_20190315_230414.png 735w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/Screenshot_20190315_230414-300x64.png 300w" sizes="(max-width: 735px) 100vw, 735px" /><figcaption>Na USP, o campo físico e o campo humano da Geografia são separados não apenas por áreas de concentração distintas, mas também por Programas de Pós-Graduação diferentes.<br><br></figcaption></figure>



<p>Na UFPE, na UFPR e na UnB, todavia, temos um cenário diferente. As áreas de concentração são únicas. São intituladas, respectivamente, &#8220;Regionalização e Análise Regional&#8221;, &#8220;Espaço, Sociedade e Ambiente&#8221; e &#8220;Gestão Ambiental e Territorial&#8221;.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="296" height="297" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/aziz.png" alt="" class="wp-image-3632" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/aziz.png 296w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/aziz-150x150.png 150w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/aziz-120x120.png 120w" sizes="(max-width: 296px) 100vw, 296px" /><figcaption>Aziz Ab&#8217;Saber, importante geógrafo que destacou-se tanto no campo humano quanto no campo físico da Geografia. Imagem: <a href="http://www.cartaeducacao.com.br/disciplinas/geografia/aziz-absaber-o-geografo-humanista/">Carta Educação</a>.</figcaption></figure></div>



<p>Por fim, no site oficial do curso de Graduação da UNILA, temos uma informação no mínimo curiosa:</p>



<p>&#8220;A concepção que norteia o curso entende a <em>Geografia como sendo única – <strong>humana</strong></em> – tendo foco essencial na compreensão das dinâmicas que caracterizam as manifestações concretas do espaço (lugar, região, território e paisagem)&#8221;.</p>



<h2>Uma consequência: a compartimentação da disciplina no Ensino Médio</h2>



<p>Uma consequência que, ao mesmo tempo retroalimenta este pensamento dualista se dá na organização dos conteúdos da disciplina de Geografia no Ensino Médio.</p>



<p>Se perguntarmos para qualquer professor que liste os primeiros conteúdos que vêm à cabeça para uma aula no primeiro ano do ensino médio, provavelmente as respostas irão variar entre tipos de rochas, classificação climática brasileira ou a diferença entre foz em delta e foz em estuário.</p>



<p>Agora, faça a mesma pergunta, mas se referindo aos conteúdos do segundo e terceiro ano. As respostas serão algo próximo a &#8220;Guerra Fria&#8221;, &#8220;Fases dos Capitalismo&#8221; ou &#8220;Fases do Crescimento Demográfico&#8221;.</p>



<p>Aparentemente, este tipo de organização pode ser vista como &#8220;natural&#8221;. Mas, em seu cerne esconde-se um risco claro: os alunos, ao finalizarem o Terceiro Ano, não sabem por que diabos aprenderam Tipos de Rochas e Guerra Fria em uma mesma disciplina.</p>



<p>Logicamente, a Geografia não é a única disciplina que sofre com este problema. Mas, se a compararmos com Biologia, Matemática ou História, por exemplo, é bem mais provável que o aluno saiba melhor argumentar qual o &#8216;objeto&#8217; de cada uma destas matérias que no caso da ciência geográfica.</p>



<p>A sensação que fica é que ocorre um <em>mix</em> de conteúdos aleatórios que, ao não poderem ser alocados em outras disciplinas, foram inseridos sob uma mesma matéria, tal como a genérica disciplina de &#8216;ciências&#8217; do ensino fundamental.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="338" height="260" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/charge.jpg" alt="" class="wp-image-3629" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/charge.jpg 338w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/charge-300x231.jpg 300w" sizes="(max-width: 338px) 100vw, 338px" /><figcaption>Charge ironiza a dualidade entre Geografia Física e Geografia Humana</figcaption></figure></div>



<p>E isto é um empobrecimento brutal da Geografia, cujas discussões teóricas apontam que esta dualidade aparente é tão compreensível quanto as especializações em tantas outras áreas do conhecimento.</p>



<p>Não deixa-se de ser médico ao especializar-se em neurologia. Não deixa-se de ser geógrafo ao especializar-se em biogeografia. Ou em geografia urbana.</p>



<p>Assim, nós, geógrafos, especialmente quando adentramos a sala de aula, devemos ter sempre em mente que, embora existam campos diferentes, a ciência geográfica é uma só, e esforços teóricos já nos mostraram alguns muitos mecanismos de compreender a nossa diversidade de campos de atuação.</p>



<p>E, levantar bandeiras como pertencendo à &#8220;geografia humana&#8221;, ou à &#8220;geografia física&#8221; é tão empobrecedor quanto doutrinário, é cego e sepulta elementos importantes da realidade que não serão apreendidas pelo dualismo puro. </p>
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		<title>Hierarquia Urbana Brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Mar 2019 22:25:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Região Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Urbana]]></category>
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					<description><![CDATA[As cidades, no Brasil e no mundo, são organizadas conforme uma ordem lógica de grandeza ou, falando &#8220;geografiquês&#8221;, de centralidade. Esta centralidade está relacionada com o grau de dependência de uma cidade perante a outra. Sob o escopo desta dependência, estão necessidades da população, como deslocamento por escola, universidade ou saúde, e de corporações, que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As cidades, no Brasil e no mundo, são organizadas conforme uma ordem lógica de grandeza ou, falando <em>&#8220;geografiquês&#8221;</em>, de <strong>centralidade</strong>.</p>



<p>Esta centralidade está relacionada com o grau de dependência de uma cidade perante a outra. Sob o escopo desta dependência, estão necessidades da população, como deslocamento por escola, universidade ou saúde, e de corporações, que buscam em outras regiões bens, pessoas ou capital.</p>



<p>Exemplificando. Augusto mora no município de Palhoça, na Região Metropolitana de Florianópolis. Sendo estudante de ensino superior, desloca-se diariamente para Florianópolis. Trabalha na mesma cidade. Com base no caso particular de Augusto, <strong>interpretamos que Florianópolis exerce grande nível de polaridade sobre Palhoça</strong>.</p>



<p>Todavia, Augusto fará uma viagem internacional. Para viajar, se deslocará do Aeroporto de Florianópolis para o Aeroporto de Guarulhos/São Paulo e, em seguida, irá ao seu destino. Isto quer dizer que, para uma atividade mais complexa, Florianópolis são suprirá as necessidades de Augusto. <strong>São Paulo, assim, exerce polaridade sobre Florianópolis</strong>.</p>



<p>Foi a partir desta base teórica que, em 2007, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) formulou o estudo intitulado &#8220;Regiões de Influência das Cidades&#8221;, o <strong>REGIC</strong>, que passou a balizar as discussões acerca da hierarquia urbana brasileira.</p>



<p>Para este estudo, apontou-se duas modalidades de <strong>Centros de Gestão de Território</strong>: de Gestão Federal e de Gestão Empresarial.</p>



<p>Estes centros são, mais especificamente, cidades que possuem em seus limites determinados locais cujas decisões impactam local, regional e nacionalmente.</p>



<p>É o caso por exemplo de Agências da Previdência Social, sedes do Ministério do Trabalho ou sedes e filiais de empresas de relevância.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="680" height="324" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/ibge.png" alt="" class="wp-image-3534" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/ibge.png 680w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/ibge-300x143.png 300w" sizes="(max-width: 680px) 100vw, 680px" /><figcaption>Organograma indicativo do método por trás da definição dos Centros de Gestão do Território. IBGE (2007).</figcaption></figure></div>



<p>Além disso foram consideradas atividades secundárias que também capacitam as cidades onde se localizam de certa centralidade. Incluem-se:</p>



<ul><li>Diversidade de comércios e serviços;</li><li>Oferta de serviços bancários;</li><li>Existência de Universidades, Faculdades ou Centros Universitários com cursos de Graduação e Pós-Graduação;</li><li>Serviços de saúde;</li><li>Oferta de domínios de internet;</li><li>Existência de sedes e de filiais de emissoras de TV;</li><li>Conexões aéreas.</li></ul>



<p>A partir do cruzamento destas informações e de outras de cunho secundário, foi possível categorizar as cidades conforme sua posição na hierarquia urbana nacional.</p>



<h2>Hierarquia dos centros urbanos</h2>



<p>Assim, classificou-se as cidades brasileiras em cinco níveis principais, alguns contendo subdivisões. Quanto mais elevado o nível, maior grau de polarização a cidade exerce sobre a vizinhança.</p>



<h3>1. Metrópole</h3>



<p>As metrópoles são as cidades classificadas no topo da hierarquia urbana brasileira. Isto quer dizer que exercem grande centralidade sobre regiões de grande proporção do território nacional.</p>



<p>São divididas em:</p>



<p><strong>Grande metrópole nacional: </strong>São Paulo (SP);</p>



<p><strong>Metrópole nacional: </strong>Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF);</p>



<p><strong>Metrópole:</strong> Manaus (AM), Belém (PA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Goiânia (GO) e Porto Alegre (RS).</p>



<p>Note: Enquanto Brasília tinha em 2007 uma população de 3,2 milhões de habitantes, Belo Horizonte tinha 5,1 milhões. O fato de ser maior são coloca Belo Horizonte em posição hierárquica superior a Brasília.</p>



<h3>2. Capital Regional</h3>



<p>Exercem centralidade sobre uma área menor que as metrópoles e são polarizadas por uma delas. São subdivididas em:</p>



<p><strong>Capital Regional A: </strong>Maioria das capitais estaduais não incluídas como metrópoles (por exemplo, Florianópolis (SC), Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT)) e a cidade de Campinas. </p>



<p><strong>Capital Regional B:</strong> Cerca de vinte cidades, dentre as quais Joinville (SC), Uberlândia (MG) e Porto Velho (RO).</p>



<p><strong>Capital Regional C: </strong>39 cidades. Por exemplo: Sorocaba (SP), Criciúma (SC) e Rio Branco (AC).</p>



<h3>3. Centro sub-regional</h3>



<p>Cidades com centralidade reduzida, geralmente intra-estadual. São subjugadas a uma ou mais capitais regionais.</p>



<p>São divididas em:</p>



<p><strong>Centro sub-regional A: </strong>169 cidades, dentre as quais Barra dos Garças (MT), Macaé (RJ) e Barbacena (MG).</p>



<p><strong>Centro sub-regional B: </strong>79 cidades, dentre as quais Parintins (AM) e Itapipoca (CE)</p>



<h3>4. Centro de zona</h3>



<p>Cidades com nível de polarização limitado a sua vizinhança. São 559 cidades, divididas em Centros de Zona A (192 cidades) e Centros de Zona B (364 cidades).</p>



<h3>5. Centro local</h3>



<p>Demais 4.473 municípios, cuja centralidade se limita aos seus limites municipais. </p>



<p>Assim, a hierarquia urbana brasileira se constitui em:</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="433" height="224" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia.png" alt="" class="wp-image-3543" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia.png 433w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia-300x155.png 300w" sizes="(max-width: 433px) 100vw, 433px" /><figcaption>Ordem hierárquica dos centros urbanos brasileiros</figcaption></figure></div>



<p>É importante entender que o Centro Local liga-se à Metrópole, passando por  todos ou pela maioria dos graus hierárquicos dispostos acima, este que, por sua vez, podem incluir uma ou mais cidades.</p>



<p>Veja abaixo um exemplo de &#8220;mapa&#8221; a hierarquia urbana de um município litorâneo de Santa Catarina:</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="479" height="238" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia_itapema.png" alt="" class="wp-image-3544" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia_itapema.png 479w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia_itapema-300x149.png 300w" sizes="(max-width: 479px) 100vw, 479px" /><figcaption>Hierarquia Urbana do município de Itapema (SC)</figcaption></figure></div>



<p>Neste caso, é válido lembrar que Florianópolis é um <strong>centro com múltiplas vinculações</strong>, pois é polarizado em mesmo grau por Porto Alegre (SC) e por Curitiba (PR). É o que também ocorre com Juiz de Fora (MG), ligada a Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro, por exemplo.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="900" height="592" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia_mapa-min.png" alt="Detalhe de uma porção da Região de Influência da cidade de Florianópolis (SC)." class="wp-image-3549" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia_mapa-min.png 900w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia_mapa-min-300x197.png 300w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia_mapa-min-768x505.png 768w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/03/hierarquia_mapa-min-791x520.png 791w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption>Detalhe de uma porção da Região de Influência da cidade de Florianópolis (SC). IBGE (2007)</figcaption></figure></div>



<p>Desta forma, temos um importante referencial teórico para análises espaciais. Entender a hierarquia urbana auxilia na melhor distribuição de recursos, na alocação de empresas e equipamentos urbanos e no entendimento da dinâmica regional brasileira.</p>
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		<item>
		<title>Industrialização no Mundo Subdesenvolvido: Substituição de Importações e Plataformas de Exportação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Feb 2019 01:38:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[O fenômeno da industrialização se deu de maneira diferenciada em volta do globo. Enquanto que a partir do século XVIII os países do centro do sistema capitalista passavam por um processo de industrialização clássica, apenas a partir da segunda metade do século XX alguns países da periferia do sistema se industrializaram. Esta industrialização se deu [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O fenômeno da industrialização se deu de maneira diferenciada em volta do globo. Enquanto que a partir do século XVIII os países do centro do sistema capitalista passavam por um processo de industrialização clássica, apenas a partir da segunda metade do século XX alguns países da periferia do sistema se industrializaram.</p>



<p>Esta industrialização se deu em dois processos principais: através da substituição de importações e pela formação de plataformas de exportação.</p>



<h2>Substituição de importações</h2>



<p>O processo de substituição de importações ocorreu em determinadas economias mundiais em períodos onde os países desenvolvidos &#8211; também conhecidos como países do centro do sistema capitalista &#8211; passavam por um período de desaceleração. </p>



<p>A Segunda Guerra Mundial foi, por exemplo, um destes períodos de desaceleração da economia dos países desenvolvidos.</p>



<p>A lógica por trás deste processo é a seguinte: como as nações do centro do sistema estão enfraquecidas, os países não-desenvolvidos ficam impossibilitados de importar bens fundamentais destas nações. Assim, passam a produzir internamente.</p>



<p>Em geral, as substituições de importações ocorrem através da introdução de filiais de multinacionais nos países em questão.</p>



<p>Foi o que ocorreu, com diferentes graus de desenvolvimento, em nações como o Brasil, a África do Sul, a Índia e o México. </p>



<h2>Plataformas de exportação</h2>



<p>Embora tragam algumas semelhanças com os países industrializados via substituição de importação, as plataformas de exportação trazem algumas peculiaridades que permitem sua categorização.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="324" height="218" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/02/singapura.png" alt="" class="wp-image-3178" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/02/singapura.png 324w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2019/02/singapura-300x202.png 300w" sizes="(max-width: 324px) 100vw, 324px" /><figcaption>Centro financeiro de Singapura. Fonte: Wikimedia/Chensiyuan </figcaption></figure></div>



<p>Dentre as semelhanças, podemos citar que estes países, assim como os comentados no tópico anterior, se industrializaram tardiamente, em meados do século XX. Segundo, a ocorrência da participação externa, que aqui foi especialmente representada pelos capitais americano e japonês.</p>



<p>Todavia, as plataformas de exportação não tinham grandes territórios que permitiram sua inserção precoce na Divisão Internacional do Trabalho como exportadores de produtos naturais. São países pequenos e com populações até então analfabetas e pouco qualificadas.</p>



<p>Nestes países, a partir da década de 1950 os governos passaram a incentivar massivamente a instalação de indústrias estrangeiras, o que produziu um forte parque industrial com orientação para a exportação.</p>



<p>Dentre os incentivos dados pelos governos locais, podemos citar:</p>



<ul><li>Isenções na compra de terrenos e na operação das empresas;</li><li>Leis ambientais e trabalhistas flexíveis;</li><li>Mão-de-obra barata e qualificada (após investimentos na educação);</li></ul>



<p>Dentre as plataformas de exportação, estão Coreia do Sul¹, Hong Kong, Taiwan e Singapura.</p>



<p><em>¹ O caso sul-coreano foi particular pois a instalação de multinacionais só se deu a partir dos anos 1970. Até esta data, atuavam no país os chaebols, aglomeramos familiais similares aos zaibatsus japoneses.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>A Guerra Fria e o Mundo Bipolar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fernando Soares de Jesus]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Dec 2018 15:27:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Ásia Central e Extremo Oriente]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos e Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Europa de Leste]]></category>
		<category><![CDATA[Europa Ocidental]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[Sudeste Asiático e Oceania]]></category>
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					<description><![CDATA[A partir da Segunda Guerra Mundial, finalizada em 1945, a organização do espaço mundial foi bruscamente alterada. Saíram de cena as antigas potências industriais para a ascensão de duas nações com modelos político-econômicos antagônicos: os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Antecedentes Até o final do século XIX, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A partir da Segunda Guerra Mundial, finalizada em 1945, a organização do espaço mundial foi bruscamente alterada. Saíram de cena as antigas potências industriais para a ascensão de duas nações com modelos político-econômicos antagônicos: os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).</p>



<h2>Antecedentes</h2>



<p>Até o final do século XIX, a economia mundial era regida pela força industrial das antigas potências coloniais, como Reino Unido e França. Estas nações se sustentavam através do mantimento de um gigantesco império colonial, que se espraiava para todos os continentes.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="630" height="283" class="wp-image-3099" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imperio_britanico.png" alt="Império Britânico em 1921" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imperio_britanico.png 630w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/imperio_britanico-300x135.png 300w" sizes="(max-width: 630px) 100vw, 630px" />
<figcaption>Império Britânico em 1921</figcaption>
</figure>
</div>



<p>A Alemanha, todavia, conformada como um Estado Nacional tardiamente, passou a desejar a posse de colônias, como as nações rivais do continente. Este anseio expansionista, que futuramente seria focalizado na expansão dentro do próprio continente europeu através do paradigma do <em><strong>espaço vital</strong></em>, foi um dos motivos para eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, e da Segunda Guerra Mundial, em 1939.</p>



<p>A Alemanha, juntamente com o Japão, os chamados <em><strong>países do eixo</strong></em>, saíram derrotados da Segunda Guerra. No lado vencedor, os chamados <em><strong>países aliados</strong></em>, estavam EUA, URSS, Inglaterra e França. Apesar de terem vencido o conflito, URSS, Inglaterra e França tiveram suas economias prejudicadas, além de perderem contingentes militares enormes.</p>



<p>Já os EUA, embora tenham participado ativamente da Guerra, viram as batalhas ocorrerem distantes de seu território. O impacto em sua economia foi, portanto, muito pequeno. Pelo contrário, o país financiou seus aliados na Europa com armamentos e soldados. Ao fim do conflito, as antigas potências europeias haviam adquirido enorme dívida com o <em>tio sam</em>.</p>



<p>Em 1944, dada a iminência do fim do conflito, as nações aliadas se reuniram em um encontro nos EUA, que ficou conhecido como <em><strong>Conferência de Bretton Woods</strong></em>. Lá, os EUA negociaram o <em><strong>Plano Marshall</strong></em>, um pacote de auxílio financeiro aos países arrasados pela Guerra. Além disso, foram criadas diversas organizações supranacionais, que visavam o controle americano sobre a economia mundial, como o <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2016/11/o-fundo-monetario-internacional-fmi.html">Fundo Monetário Internacional</a> e o <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2018/12/o-banco-mundial.html">Banco Mundial</a>, além da instituição do padrão dólar-ouro, que alçou a moeda americana ao posto de base do funcionamento econômico do capitalismo.</p>



<p>Todavia, as propostas do governo americano, que almejavam o estabelecimento de sua hegemonia mundial, foram rejeitadas por um outro vencedor do conflito, que declinou inclusive do auxílio financeiro previsto pelo Plano Marshall: a União Soviética.</p>



<h3>Na URSS, uma alternativa ao Capitalismo</h3>



<p>Esta contrariedade da União Soviética ao modelo de hegemonia americana ia muito além de uma simples rivalidade entre os países.</p>



<p>Até meados de 1917, a Rússia era um país com economia agrária dominada por imperadores absolutistas, os <em><strong>czares</strong></em>. A população russa vivia sob péssimas condições, onde a fome era uma realidade muito presente e a liberdade era cerceada.</p>



<p>Este foi um terreno muito fértil para a difusão dos pensamentos do economista alemão <em><strong>Karl Marx</strong></em>, autor de obras como &#8220;Manifesto do Partido Comunista&#8221; e &#8220;O Capital&#8221;, cujas ideias refletiam o interesse de construção de uma sociedade sem classes sociais e desprovida da existência da iniciativa privada.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="233" height="296" class="wp-image-3100" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/karl-marx.png" alt="" />
<figcaption>Karl Marx, mentor do socialismo científico</figcaption>
</figure>
</div>



<p>Para o autor, inicialmente, sob o bojo das forças produtivas desenvolvidas durante o Capitalismo, seria instituído o <strong><em>Socialismo</em></strong>, fase da evolução das sociedades cujo o Estado garantia o controle da economia (economia planificada), de modo a impedir a ressurreição das forças capitalistas. Em seguida, emergiria o <strong><em>Comunismo</em></strong>, modelo onde as noções de coletividade estariam tão difundidas que a existência de um Estado controlador seria dispensável.</p>



<p>Foi então que, em outubro de 1917, liderado por <em><strong>Vladimir Ilyich Lenin</strong></em>, acontece a <strong>Revolução Russa</strong>, que solapa das bases do antigo modelo czarista e coloca o Partido Comunista no poder.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="167" height="235" class="wp-image-3101" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/lenin.png" alt="" />
<figcaption>Lenin, mentor e articulador do socialismo russo.</figcaption>
</figure>
</div>



<p>Logo, o <em>modo de produção</em> existente na URSS se opunha totalmente àquele existente &#8211; e liderado &#8211; pelos EUA. Explica, portanto, o porquê dos soviéticos terem dispensado ajuda pelo Plano Marshall. A reconstrução socialista ocorreu por vias internas e, embora tenha sido custosa, resultou na ascensão do país ao posto de potência mundial.</p>



<h2>Capitalismo vs Socialismo</h2>



<p>Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a queda dos impérios coloniais, boa parte das antigas potências mundiais parecia ter perdido seu rumo no desenvolvimento do capitalismo mundial. Com economias desoladas, restava às mesmas se apegarem ao aporte dado pelas duas superpotências no pós-guerra &#8211; e aos seus sistemas econômicos &#8211; os EUA e a URSS.</p>



<p>Assim, na Europa, campo de batalha do conflito, ocorreu uma rápida polarização dos Estados Nacionais a um dos dois sistemas econômicos. Enquanto a Europa Ocidental (Reino Unido, França, Itália, entre outros) se alinha aos EUA, a Europa Oriental (Hungria, Romênia, Rep. Tcheca, Polônia, etc.) passa a ser a polarizada pelo socialismo soviético. Surgia o <strong><em>Mundo Bipolar</em></strong>.</p>



<p>O caso da Alemanha é particular. O país, derrotado na Segunda Guerra Mundial, foi ocupado por exércitos da Grã-Bretanha, Estados Unidos, França e União Soviética. Após o fim do conflito e o claro antagonismo entre os países do bloco, decidiu-se pela divisão do país em dois: a República Federal da Alemanha (RFA), capitalista, alinhada aos EUA e com capital em Bonn, e a República Democrática da Alemanha (RDA), socialista, alinhada à URSS e com capital em Berlim Oriental.</p>



<p>A cidade de Berlim, estando totalmente sob o lado socialista, foi igualmente dividida em Berlim Ocidental, capitalista, e Berlim Oriental, socialista. Neste caso, foi construída uma barreira física que atravessava a cidade e que virou símbolo da Guerra Fria: o <em><strong>Muro de Berlim</strong></em>.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="400" height="325" class="wp-image-3102" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/alemanha-guerra-fria.png" alt="" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/alemanha-guerra-fria.png 400w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/alemanha-guerra-fria-300x244.png 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" />
<figcaption>Alemanha e Berlim divididas. Modificado de User: 52 Pickup &#8211; Based on map data of the IEG-Maps project (Andreas Kunz, B. Johnen and Joachim Robert Moeschl: University of Mainz) &#8211; www.ieg-maps.uni-mainz.de, CC BY-SA 2.5.</figcaption>
</figure>
</div>



<p>Neste contexto de Europa dividida, Winston Churchill cunhou o termo <em><strong>&#8220;Cortina de Ferro&#8221;</strong></em>, que se referia à polarização do continente entre os dois sistemas econômicos.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="382" height="298" class="wp-image-3103" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cortinaferro.png" alt="" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cortinaferro.png 382w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/cortinaferro-300x234.png 300w" sizes="(max-width: 382px) 100vw, 382px" />
<figcaption>Europa dividida pela Cortina de Ferro. Fonte: BigSteve &#8211; Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=25580510</figcaption>
</figure>
</div>



<p>De modo similar ao que o bloco capitalista fez com o Plano Marshall, em 1949 a URSS coloca em prática o <strong><em>Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON)</em></strong>, envolvendo, inicialmente, União Soviética, Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Polônia, Bulgária, Hungria e Romênia. O conselho objetivava a reconstrução econômica dos países afetados pela guerra, depois, com adesão de socialistas de outros continentes, se transformou em um grande conselho de ajuda mútua do mundo socialista.</p>



<p>Com objetivo de barrar o crescimento do socialismo, cuja expansão começara a ocorrer para além do continente europeu, o bloco capitalista funda, em 1949, a <em><strong>Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)</strong></em>, uma aliança militar que envolvia os principais países alinhados aos EUA.</p>



<p>Em contrapartida e com os mesmos objetivos, o bloco soviético funda o <strong><em>Pacto de Varsóvia</em></strong>, em 1955. Além de defender os estados signatários de possíveis ataques do mundo capitalista, o Parto de Varsóvia funcionava como um mecanismo de manutenção do sistema no leste europeu.</p>



<p>A partir da expansão do socialismo para outros continentes, em especial para a Ásia, com a ascensão de um governo popular na China e na Coreia do Norte, os EUA lideram uma série de acordos para a criação de um <strong><em>&#8220;Cordão Sanitário&#8221; </em></strong>no entorno do bloco socialista. Dentre os países que participaram dos acordos, cita-se Austrália, Nova Zelândia, Japão, Turquia, Tailândia, Paquistão, <strong>Irã, Iraque</strong> e Turquia.</p>



<h3>Corrida armamentista</h3>



<p>De 1945 até 1991, período da Guerra Fria, nunca ocorreu um conflito armado que opusesse diretamente as duas nações hegemônicas. Esta &#8220;paz armada&#8221; ocorrera muito por conta do equilíbrio entre forças das duas potências.</p>



<p>Tanto EUA quanto URSS passaram a investir massivamente na indústria bélica, levando em consideração um possível conflito armado. O desenvolvimento &#8211; ou o aprimoramento &#8211; de uma tecnologia para armas nucleares era o principal objetivo das duas nações.</p>



<p>Enquanto os EUA já haviam desenvolvido bombas nucleares e, inclusive, atacado diretamente o Japão durante a Segunda Guerra, a URSS conseguiu, em 1949, testar com sucesso sua primeira bomba atômica, equalizando as capacidades de destruição de ambos os países.</p>



<p>Assim, sabendo que, caso ocorresse um ataque de alguma das parte, a outra responderia a altura, o conflito direto entre EUA e URSS acabou por não ocorrer. Caso ocorresse, a capacidade de destruição seria maior que qualquer outro conflito armado da história.</p>



<h3>Corrida espacial</h3>



<p>Não apenas no campo bélico a rivalidade entre as duas nações ocorreu. Um exemplo bastante relevante foi o caso da corrida espacial. EUA e URSS passaram a desenvolver tecnologias que possibilitassem a exploração do espaço, de modo a comprovar a superioridade de seu sistema político sobre o rival.</p>



<p>É fruto da corrida espacial importantes realizações no campo da astronomia. A URSS, por exemplo, lançou o primeiro satélite artificial em órbita, em 1957, o Sputinik I. Além disso, os socialistas levaram o primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika, também em 1957, e enviaram o primeiro homem ao espaço, <em><strong>Yuri Gagarin</strong></em>, em 1961.</p>



<div class="wp-block-image">
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<figcaption>Yuri Gagarin, primeiro homem enviado ao espaço.</figcaption>
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</div>



<p>Em 1958 é criada a Agência Espacial Americana (NASA). Dentre os principais feitos dos EUA, destaca-se a ida, pela primeira vez, do homem à lua, em 1969.</p>



<p>Esta disputa por superioridade durante a Guerra Fria não se restringiu à conquista do espaço. Um caso bastante interessante foi o da <strong><em>Corrida Esportiva</em></strong>, que confrontava, a cada quatro anos, soviéticos e americanos nos Jogos Olímpicos. Entre 1952 e 1988, foram disputados dez (10) olimpíadas, onde seis (6) foram vencidas pelos soviéticos e quatro (4) pelos americanos. Destaque às Olimpíadas de Moscou, em 1980, boicotada pelos EUA, e pelas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, boicotada pela URSS.</p>



<h2>Guerra Fria no Terceiro Mundo</h2>



<p>A partir de 1948, algumas revoluções socialistas passam a ocorrer pelo mundo, o que levou a Guerra Fria ao plano mundial.</p>



<p>Apesar de, desde 1924 já existir um país asiático socialista, a Mongólia, os anos de 1948 e 1949 marcaram a ascensão de dois governos socialistas bastante importantes: a Coreia do Norte (1948) e a China (1949).</p>



<p>Em 1959, os EUA tem uma importante derrota na América Latina, com a Revolução Cubana, que transformou Cuba em uma nação socialista. Temendo a expansão da ideologia pelo continente, o governo americano, através da sua agência de inteligência, a CIA, passou a insuflar a ascensão de ditaduras militares de alinhamento ideológico direitista em todo o continente. Foi o que ocorreu no Brasil, na Argentina e no Chile.</p>



<p>O caso chileno é particularmente importante, pois a ascensão de um governo socialista não ocorreu através de uma revolução, mas por vias democráticas. Em 1970, <strong><em>Salvador Allende</em></strong>, identificado com os ideais socialistas, é eleito presidente do Chile. Os EUA, então, apoiou <em><strong>Augusto Pinochet</strong></em> em um golpe de Estado, que lançou o Chile numa ditadura militar que durou quase vinte (20) anos.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="457" height="275" class="wp-image-3105" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/allende.png" alt="" srcset="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/allende.png 457w, https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/allende-300x181.png 300w" sizes="(max-width: 457px) 100vw, 457px" />
<figcaption>Salvador Allende, à esquerda, eleito presidente do Chile em 1970, e Augusto Pinochet, à direita, que assumiu seu lugar após um golpe. Fonte: <br /><a href="http://biografias.bcn.cl/wiki/Portada">Biblioteca del Congreso Nacional de Chile</a></figcaption>
</figure>
</div>



<p>Durante as décadas de 1960 e 1970 o socialismo chegou a diversas nações da África e da Ásia, dentre elas ao Vietnã do Norte (1976), ao Iêmen do Sul (1967), ao Congo (1968), à Angola (1975), à Guiné-Bissau (1974) e à Moçambique (1975). Neste período, os antigos impérios coloniais passavam por um processo acentuado de esfacelamento, cujo resultado foi a introdução de sistemas alinhados à URSS em boa parte das nações.</p>



<p>A chegada dos socialistas ao poder em nações de antigo domínio português (Angola, Moçambique e Guiné-Bissau) não é aleatória, tendo em vista a demora de Portugal em libertar suas colônias.</p>



<h3>Conflitos no Terceiro Mundo</h3>



<p>Embora as duas superpotências não tenham entrado em conflito diretamente, ambas participaram de maneira secundária de alguns conflitos pelo mundo, sempre em lados opostos.</p>



<p>Por vezes, estes conflitos terminavam com a cisão do país em dois. Foi o que ocorreu, além do exemplo já citado da Alemanha, na Coreia, divida em Coreia do Sul, capitalista, e Coreia do Norte, socialista, e no Vietnã, dividido em Vietnã do Sul, capitalista, e Vietnã do Norte, socialista.</p>



<p>Em alguns casos, EUA e URSS apenas apoiavam partes antagônicas em conflitos regionais. Na <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/12/questao-palestina.html">disputa pela Palestina</a>, por exemplo, EUA apoiaram a causa israelense, enquanto URSS se colocou ao lado do povo palestino.</p>



<p>Na crise entre Índia e Paquistão pela <a href="https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/o-conflito-pela-caxemira.html">Caxemira</a>, o Paquistão foi apoiado pelos EUA. Já o governo indiano tinha a simpatia dos soviéticos.</p>



<h2>Dissolução do Bloco Socialista</h2>



<p>O Socialismo Soviético passou a dar sinais de desgaste durante a década de 1980. Os principais indícios de desmantelamento do sistema ocorreram no Leste Europeu, através da insurreição de alguns países da região, em alguns casos envolvendo diretamente o descontentamento dos Partidos Comunistas locais.</p>



<p>Hungria, na década de 1950, e Tchecoslováquia, nos anos 1960, foram países onde ocorreram fortes protestos contra o governo soviético apoiado pelos governos locais. O resultado, em ambos os casos, foi a dura repressão pelo exército do Pacto de Varsóvia, o que insuflou ainda mais o Leste Europeu contra o controle soviético.</p>



<p>Foi da Polônia, todavia, que o socialismo soviético sofreu o mais duro golpe. Em 1980, o líder do sindicato <em><strong>Solidariedade</strong></em>, sediado no estaleiro do Porto de Gdansk, <em><strong>Lech Walesa</strong></em>, liderou um importante levante contra o sistema dominante no país, que rapidamente se espalhou por toda a Polônia. Em 1990, Walesa, anticomunista convicto, era eleito presidente do país, sepultando o domínio socialista na região.</p>



<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img loading="lazy" width="157" height="210" class="wp-image-3106" src="https://www.geografiaopinativa.com.br/wp-content/uploads/2018/12/lech.png" alt="" />
<figcaption>Lech Walesa, ex-presidente da Polônia. Fonte: <a href="https://www.flickr.com/photos/besoindair/">MEDEF</a> &#8211; <a href="https://www.flickr.com/photos/besoindair/3883972259/">Flickr</a></figcaption>
</figure>
</div>



<p>Internamente, a década de 1980 marca também mudanças estruturais na URSS, com a ascensão de <em><strong>Mikhail Gorbatchov</strong></em> ao posto máximo do Partido Comunista Soviético. Durante seu governo, foram instituídas a <em><strong>Perestroika</strong></em> e a <em><strong>Glasnost</strong></em>, que objetivavam a abertura econômica, no caso da primeira, e política, no caso da segunda. A URSS como conhecíamos deixava de existir.</p>



<p>Em 1989, ocorre a queda do Muro de Berlim<em><strong>. </strong></em>Em 1991, a União Soviética deixa de existir, desmantelada em uma série de países, como Rússia, Letônia, Lituânia, Estônia e Ucrânia. O mundo, como no fim da Segunda Guerra Mundial, via as bases de sua geopolítica se alterar profundamente. Saia de cena um mundo bipolar e ascendia um mundo multipolar, polarizado pelo capitalismo americano e por todas as suas contradições.</p>
<p>Assista também nosso vídeo sobre o assunto:</p>
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