Conflitos étnico-separatistas (III) - País Basco

O País Basco é uma região localizada entre França e Espanha. De povoamento milenar, no lugar desenvolveu-se um povo diferente do restante dos países em que estão localizados: tem idioma próprio (euskara) e uma cultura peculiar. Assim sendo, sempre houve um sentimento de independência entre o povo da região.
Mapa do País Basco
O período de maiores instabilidades na região começou na década de 1930, num período de ascensão de governos totalitários na Europa. A Espanha, governada pelo socialista Francisco Largo Caballero, sofreu duramente pelas tentativas de Francisco Franco, representante do fascismo espanhol, em assumir o poder. Neste período de instabilidade, explode a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Um dos fatos mais marcantes desta guerra foi o bombardeio à cidade de Guernica, no País Basco. A pequena cidade de apenas 6 mil habitantes foi destruída sem nenhum motivo aparente: tudo era apenas um teste do poder bélico nazista para estratégias que seriam adotadas anos depois, na Segunda Guerra. O bombardeio foi eternizado na tela El Guernica, de Picasso.
Guernica, famoso quadro de Pablo Picasso (1937).
Depois de anos de conflito, Franco vence a guerra civil na Espanha e conquista o poder, impondo duras medidas em relação às minorias étnicas, principalmente aos bascos. O ditador proíbe o ensino do Euskera (idioma basco) e a exaltação de seus símbolos nacionais.


Em retaliação à tais práticas, surge um grupo nacionalista denominado ETA (Euskadi ta Askatsuna ou Pátria Basca e Liberdade), que tinha como objetivo resistir às restrições impostas pelo ditador, preservando assim a cultura do País Basco.

ETA: O SÍMBOLO DO TERROR NA ESPANHA

Bandeira do País Basco. By Daniele Schirmo aka Frankie688 [CC BY-SA 2.5 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5)], via Wikimedia Commons
No início, o ETA era visto com bons olhos pela população da Espanha, já que lutava contra o governo fascista de Franco. Em 1975, com a morte do ditador, o rei Juan Carlos inicia o processo de redemocratização do país, garantindo grande autonomia ao povo basco. A partir deste ponto, o País Basco transformava-se em uma comunidade autônoma, tendo um sistema próprio de impostos, polícia própria e recebendo de volta, inclusive, os direitos retirados no período ditatorial.

O ETA, porém, não encerrou suas atividades, como era o esperado, e foi se transformando no principal ponto de disseminação de ideias separatistas. Para conquistar seu objetivo, o grupo começou a utilizar técnicas terroristas. Entre as ações do grupo, podem ser destacadas os assassinatos do chefe de polícia da capital basca, a primeira atitude extremista do ETA, em 1968, e dos primeiros-ministros Luis Carrero Blanco, sucessor de Francisco Franco, em um episódio conhecido como Operação do Ogro, e José Maria Aznar, em 1973 e 1995, respectivamente.

Em 1998, o ETA declarou que iria recuar dos atentados terroristas em prol de uma negociação com os governos espanhol e francês, porém, já em 1999, os atentados recomeçaram. O assassinato de Ernest Lhuch, ex-ministro da saúde, destaca-se por ter levado cerca de um milhão de pessoas para as ruas de Madrid para protestar contra o grupo terrorista.

Nos últimos anos, o ETA vem perdendo sua popularidade também dentro da comunidade basca, primeiro por conta dos atentados contra civis e segundo por conta da relativa autonomia que o País Basco tem em relação à Espanha, podendo conservar sua cultura e, inclusive, ter polícia própria, como já citado.

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III – País Basco (Você está lendo)
Exercícios

Fernando Soares
Fernando Soares

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