Árabe e Persa: idiomas ‘irmãos’, mas diferentes

No Ocidente, é comum a confusão entre os termos árabe e muçulmano. E, países cuja maioria da população segue o islã, logo são entendidos como árabes.

Mas esta associação é totalmente equívoca, como explicamos em “A diferença entre árabes e muçulmanos”.

O Oriente Médio é diverso, etnicamente e linguisticamente. Imagem de TheUjulala por Pixabay

O caso mais simbólico é o do Irã. Importante país do Oriente Médio, os iranianos não são etnicamente árabes, tampouco falam o idioma dos vizinhos: o idioma lá é o persa.

A confusão é ainda maior pois ambos os idiomas (árabe e persa) usam o alfabeto árabe.

Da mesma forma que o português, o inglês, o czaque e o turco usam o mesmo alfabeto – o latino, tendo raízes muito distintas, persa e árabe compartilham do mesmo sistema de letras.

Abaixo, veja como é escrito a palavra “Geografia” em árabe e em persa, respectivamente:

جغرافية – جغرافیا

Não só a grafia é diferente, como também um falante de árabe não entende um falante do persa – e vice-versa.

Outro detalhe é que, apesar de usarem o mesmo alfabeto, árabe e persa têm raízes distintas.

Enquanto que o persa é uma língua indo-europeia (o que, teoricamente, o aproxima de idiomas como o português e o inglês), o árabe é um idioma afro-asiático.

Isto deve-se ao fato de que o tipo de alfabeto utilizado pelo idioma não significa similaridade genética do mesmo.

Idiomas como o turco e o czaque já utilizaram o alfabeto árabe, e posteriormente trocaram para o alfabeto latino (o czaque, inclusive, usa atualmente o alfabeto cilírico).

Da mesma forma que o húngaro e o inglês se utilizam ao alfabeto latino, mas tem raízes genéticas totalmente diferentes.

Portanto, devemos sempre ter em mente a diversidade linguística existem além dos idiomas ocidentais, bem como as diversidades étnicas. Isto ajuda a diminuir preconceitos e a entender outras culturas.

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Meu nome é Fernando Soares de Jesus, natural de Imbituba/SC, estudante do curso de graduação em Geografia na UFSC e futuro geógrafo e professor. Criei este blog ainda no Ensino Médio, em meados de 2013, com o objetivo de compartilhar e democratizar o conhecimento geográfico, desde o campo físico até o campo humano, permitindo seu acesso de maneira clara e descomplicada.

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